Busca das empresas por crédito cresce 10,4% em 12 meses, aponta Serasa Experian

A busca das empresas brasileiras por crédito cresceu 10,4% no acumulado dos 12 meses encerrados em julho de 2026, segundo o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian. O avanço ocorre mesmo em um ambiente de juros elevados e desaceleração da atividade econômica. Serasa Experian
O movimento foi liderado pelas micro e pequenas empresas (MPEs), cuja procura por crédito aumentou 10,5% no período. Na sequência aparecem as grandes empresas, com alta de 8,5%, e as médias, com crescimento de 7,3%.
Empresas continuam recorrendo ao crédito para manter a operação
Segundo a Serasa Experian, a procura por recursos permanece elevada porque o crédito continua sendo utilizado para sustentar capital de giro e fluxo de caixa.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, destaca que o cenário combina duas forças: de um lado, empresas continuam demandando financiamento; de outro, as condições para acessar esses recursos permanecem restritivas, diante dos juros e da percepção de risco.
A análise da especialista indica que a concessão de crédito vem perdendo ritmo, enquanto as instituições financeiras adotam critérios mais rigorosos para avaliar os tomadores.
Micro e pequenas empresas concentram maior demanda
A maior procura entre micro e pequenas empresas está relacionada, segundo a análise da Serasa Experian, à estrutura financeira desses negócios.
Empresas menores tendem a contar com menos recursos disponíveis em caixa e possuem menos alternativas de financiamento. Com isso, o crédito pode assumir papel importante para manter despesas operacionais e necessidades de capital de giro.
Em um cenário de juros elevados, entretanto, essa dependência também aumenta a exposição ao custo financeiro. A própria Serasa aponta que empresas menores possuem menor capacidade de negociar prazos e condições de financiamento em comparação com companhias maiores.
Serviços lideram crescimento entre os setores
A demanda por crédito cresceu em todos os setores analisados no acumulado de 12 meses até julho.
Serviços registraram a maior alta, de 16%, seguidos pela agropecuária, com 14,6%. A indústria apresentou crescimento de 8,2%, enquanto o comércio avançou 6%.
O resultado mostra que a necessidade de financiamento não está concentrada em uma única atividade econômica. A procura aparece tanto em setores ligados ao consumo e prestação de serviços quanto em atividades produtivas e comerciais.
Na comparação específica entre julho de 2026 e julho de 2025, a demanda total das empresas por crédito cresceu ainda mais, 17,6%.
Nesse recorte anual, as micro e pequenas empresas tiveram alta de 17,9%, enquanto as grandes avançaram 8,5% e as médias, 4,2%. Entre os setores, serviços registraram crescimento de 29%, agropecuária de 13,4%, indústria de 12,2% e comércio de 9,1%.
Mato Grosso do Sul lidera demanda entre os estados
A procura por crédito empresarial também cresceu em todas as Unidades Federativas no acumulado de 12 meses até julho.
Mato Grosso do Sul apresentou a maior alta nacional, de 27,8%, seguido por Roraima, com 21,9%, e Paraíba, com 18,6%. Amazonas e Mato Grosso registraram aumentos de 14,5% e 14,4%, respectivamente.
Na outra ponta, Rio de Janeiro apresentou crescimento de 2,2%, Espírito Santo de 6,2% e Pernambuco de 6,8%.
No Sudeste, levantamento da Serasa Experian também mostrou crescimento em todos os estados. Minas Gerais avançou 11,9% e São Paulo, 11,7%.
Demanda cresce, mas acesso ao crédito fica mais seletivo
O dado mais relevante para o mercado de crédito está na combinação entre maior procura e maior seletividade na concessão.
O crescimento da demanda não significa necessariamente que todas as empresas estejam conseguindo contratar recursos nas mesmas condições. Segundo a Serasa Experian, as instituições financeiras estão mais criteriosas diante do aumento da percepção de risco.
Essa diferença entre demanda e concessão pode aumentar a importância da análise de crédito empresarial, especialmente para empresas que dependem de renovação frequente de linhas de capital de giro.
Para credores, o cenário exige atenção não apenas ao volume solicitado, mas também à capacidade de pagamento, ao comportamento financeiro e à finalidade dos recursos.
Crédito ganha importância em um cenário de desaceleração
A busca maior por financiamento acontece enquanto a atividade econômica apresenta sinais de perda de ritmo e os juros permanecem em nível elevado.
Para as empresas, isso pode aumentar a necessidade de recursos para sustentar o caixa justamente quando o custo da dívida ainda é relevante.
A Serasa Experian avalia que a aceleração da demanda reforça a necessidade de acompanhar o ambiente macroeconômico. A combinação entre juros elevados, desaceleração e maior necessidade de financiamento mantém pressão sobre o fluxo de caixa empresarial.
O que o avanço da demanda sinaliza para o crédito empresarial
O crescimento de 10,4% na busca por crédito mostra que a necessidade de financiamento continua presente entre as empresas brasileiras, mesmo diante de condições financeiras restritivas.
Para o mercado de crédito, porém, o indicador precisa ser observado em conjunto com a qualidade dos tomadores e a evolução da inadimplência.
Esse ponto ganha relevância porque a própria Serasa Experian registrou 9,2 milhões de empresas inadimplentes em julho, com dívidas que somavam R$ 238,6 bilhões. Serasa Experian
A combinação entre demanda crescente por recursos, juros ainda elevados e um estoque expressivo de empresas inadimplentes coloca a análise de risco no centro das decisões de concessão.
Para bancos, fintechs e demais credores, o desafio passa a ser equilibrar a oferta de crédito necessária para manter as empresas operando com mecanismos capazes de identificar mudanças na capacidade de pagamento antes que a necessidade de financiamento se transforme em deterioração da carteira.
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