CAPACrédito e Cobrança

Dólar fecha em alta com petróleo e tensão política no radar dos investidores

Moeda americana avançou 0,10%, a R$ 5,153, enquanto Ibovespa subiu 0,54%; guerra no Irã, decisões de juros e crise envolvendo o STF concentraram a atenção do mercado

O dólar fechou em alta de 0,10% nesta terça-feira (15), cotado a R$ 5,153, em uma sessão marcada pela cautela dos investidores diante das tensões no Oriente Médio, do cenário político brasileiro e da expectativa pelas decisões de juros do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve. O Ibovespa, por outro lado, avançou 0,54%, aos 186.502 pontos, beneficiado principalmente pela valorização do petróleo e das ações da Petrobras.

Petróleo influencia mercado brasileiro

O petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir 3,55% durante o pregão, atingindo US$ 109,43. A valorização ocorreu em meio à continuidade das tensões relacionadas à guerra envolvendo o Irã e aos riscos para as rotas de transporte de petróleo no Oriente Médio.

A alta da commodity favoreceu empresas brasileiras do setor de energia. As ações da Petrobras chegaram a avançar cerca de 3% durante a sessão e ajudaram a sustentar o desempenho do Ibovespa.

Para Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, citado pela Folha, o petróleo continua funcionando como um dos principais indicadores para o apetite por risco dos investidores. Segundo ele, uma escalada do conflito tende a pressionar o real, embora possa favorecer empresas produtoras de petróleo.

O estreito de Hormuz permanece entre os principais pontos de atenção. Antes do conflito, a passagem respondia por cerca de 20% da circulação mundial de petróleo e gás, segundo a reportagem.

Inflação aumenta preocupação com juros

O ambiente internacional também trouxe pressão adicional sobre as expectativas de inflação.

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,4% em agosto e acumulou alta de 3,4% em 12 meses. Os rendimentos dos Treasuries de dez anos também alcançaram o maior nível desde 2007, refletindo a preocupação dos investidores com a trajetória dos juros americanos.

No Brasil, o Boletim Focus citado pela Folha apontava previsão de inflação de 4,90% para 2026, acima do teto da meta, de 4,5%.

Naquele momento, as expectativas eram de que o Fed elevasse sua taxa para a faixa de 3,75% a 4% e que o Copom reduzisse a Selic de 14% para 13,75%.

As decisões efetivamente tomadas no dia seguinte alteraram esse cenário: o Fed elevou os juros americanos para 3,75% a 4%, enquanto o Banco Central brasileiro reduziu a Selic para 13,75%.

Cenário político brasileiro entra no radar do câmbio

Além dos fatores econômicos e externos, o mercado acompanhou os desdobramentos de uma crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.

A reportagem da Folha destacou que mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro indicaram contatos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O caso gerou novos desdobramentos no tribunal e passou a ser acompanhado pelos investidores como um fator adicional de incerteza política.

Na terça-feira, teve início uma sessão no STF relacionada à atuação de Moraes e sua relação com Vorcaro. A sessão acabou sendo adiada para 23 de setembro após discussões sobre a condução dos processos.

As interpretações sobre os possíveis efeitos políticos do episódio foram atribuídas pela Folha a analistas de mercado. Para o ContraPonto, o ponto relevante para os mercados é observar como episódios de incerteza institucional podem influenciar a percepção de risco e, consequentemente, os preços dos ativos.

Dólar reage a combinação de fatores

A alta de apenas 0,10% do dólar esconde uma sessão influenciada por forças distintas.

De um lado, a valorização do petróleo favoreceu empresas brasileiras ligadas à commodity. De outro, os riscos geopolíticos aumentaram a cautela dos investidores e podem pressionar moedas de países emergentes.

Ao mesmo tempo, a expectativa em torno das decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil adicionou outra variável ao câmbio.

O índice DXY, que acompanha o dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,25% no exterior, acima da alta registrada pela moeda americana no mercado brasileiro.

O que fica no radar do mercado

A combinação entre petróleo, inflação, juros e incerteza política cria um ambiente em que o câmbio pode continuar respondendo rapidamente a novas informações.

Para empresas que possuem exposição ao dólar, o cenário reforça a importância de acompanhar custos de importação, contratos em moeda estrangeira e estratégias de proteção cambial. Para o mercado de crédito, mudanças nas expectativas de juros e inflação também podem afetar o custo de captação e as condições de financiamento.

No cenário externo, a evolução da guerra envolvendo o Irã e os riscos para as rotas de petróleo permanecem entre os fatores capazes de alterar as expectativas de inflação global. No Brasil, a condução da política monetária e os desdobramentos do cenário institucional seguem entre os pontos observados pelos investidores.

A sessão desta terça-feira mostra como o câmbio brasileiro continua sensível à combinação entre fatores externos e domésticos. O dólar terminou o dia próximo da estabilidade, mas o mercado segue diante de um conjunto de variáveis que pode provocar mudanças rápidas nos preços dos ativos.

Redação Contraponto

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