CAPACrédito e Cobrança

Contratar está difícil. E agora? O que empresas precisam rever antes de buscar novos talentos

Encontrar profissionais qualificados se tornou uma das principais dores de empresas de diferentes segmentos. Mas será que o problema está realmente na falta de candidatos?

Essa foi uma das principais questões discutidas no episódio 290 do Podcast ContraPonto, conduzido por Pedro Felipe e Marcos Guerra, que receberam Rosa Maria e Paula Larissa, da RHF, para uma conversa sobre recrutamento, seleção, cultura, turnover, liderança, onboarding e os desafios de encontrar profissionais alinhados às necessidades das empresas.

Ao longo de mais de duas horas de conversa, Pedro Felipe e Marcos Guerra conduziram o debate de forma direta e provocativa, explorando não apenas as dificuldades enfrentadas pelos candidatos, mas também a responsabilidade das empresas na construção de processos de contratação mais eficientes.

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A conversa mostrou que contratar não começa quando o candidato chega para uma entrevista. O processo começa muito antes: na definição correta da vaga, na compreensão da necessidade da empresa, naquilo que ela oferece ao mercado e, principalmente, na preparação da própria organização para receber e desenvolver uma nova pessoa.

O problema está na falta de candidatos ou na forma como as empresas contratam?

Quando uma empresa procura uma consultoria de recrutamento dizendo que precisa encontrar profissionais qualificados, existem várias perguntas que precisam ser feitas antes de simplesmente abrir uma vaga.

Qual é exatamente a necessidade da empresa?

Quais são as responsabilidades daquela posição?

Que competências são realmente indispensáveis?

O que a empresa oferece em troca?

E, principalmente, existe compatibilidade entre aquilo que está sendo exigido e aquilo que o mercado está disposto a oferecer?

Foi a partir dessas provocações que Pedro Felipe e Marcos Guerra conduziram uma das discussões centrais do episódio.

Para as convidadas, não existe uma única resposta.

Descrição da vaga, posicionamento da empresa e perfil procurado fazem parte da mesma equação.

Uma empresa pode desejar um profissional altamente qualificado, mas precisa considerar que esse mesmo profissional também está avaliando diferentes oportunidades no mercado.

Salário, benefícios, jornada, modelo de trabalho, localização, possibilidade de crescimento e qualidade de vida fazem parte dessa decisão.

Antes de contratar, é preciso entender o problema

Pedro Felipe questiona durante a conversa qual é exatamente a necessidade operacional que está levando uma empresa a abrir determinada vaga.

A provocação é importante porque contratar apenas para preencher uma posição pode não resolver o problema original.

É necessário entender o que aquela pessoa deverá fazer, quais resultados são esperados e quais competências realmente serão necessárias.

A partir daí, torna-se possível construir um perfil mais preciso.

Rosa e Paula explicam que esse entendimento inicial faz parte do trabalho consultivo da RHF.

Antes de buscar candidatos, é preciso conversar com o cliente e entender profundamente aquilo que ele realmente precisa.

Cultura não pode existir apenas no discurso

Marcos Guerra também leva a conversa para um ponto que aparece com frequência nas discussões do ContraPonto: cultura organizacional.

Durante o episódio, ele observa que cultura é um conceito muito utilizado pelas empresas, mas que nem sempre é efetivamente vivido.

A questão ganha importância quando se fala em contratação.

Não adianta a empresa comunicar determinados valores durante o processo seletivo se o profissional encontra uma realidade completamente diferente depois que entra.

A experiência da candidata Paula Larissa em grandes organizações reforça essa discussão. Ao falar sobre sua passagem pelo Grupo JBS, ela destaca justamente a força que a cultura tinha dentro da organização e como isso influenciava a experiência dos profissionais.

Turnover: o problema nem sempre está no recrutamento

Outro momento importante da conversa acontece quando Pedro Felipe provoca as convidadas sobre turnover.

Quando uma pessoa entra e deixa a empresa pouco tempo depois, quem deve ser responsabilizado?

O recrutamento?

A liderança?

A operação?

A cultura?

Ou o próprio processo de integração?

As convidadas mostram que essa resposta precisa ser investigada.

Em um dos exemplos apresentados, uma empresa de telecomunicações enfrentava alta rotatividade em uma operação marcada por condições específicas de trabalho.

Nesse caso, simplesmente buscar novos candidatos não resolveria necessariamente o problema.

Era preciso entender a operação.

O que o funcionário que sai pode ensinar para a empresa?

Um dos pontos mais relevantes apresentados por Rosa e Paula foi a utilização de entrevistas de desligamento para compreender os motivos que levaram o profissional a sair.

Como era a gestão?

Existia feedback?

Como era a rotina?

O profissional recebeu acompanhamento?

O que aconteceu durante os primeiros meses?

Essas respostas ajudam a identificar se existe um problema estrutural que está sendo confundido com uma dificuldade de recrutamento.

Em determinado caso relatado no episódio, um profissional permaneceu três meses na empresa e acabou desligado por não apresentar a performance esperada.

A pergunta feita pelas convidadas foi direta:

Existia um plano de desenvolvimento?

Se a empresa esperava determinada evolução daquele profissional, era necessário estabelecer metas, métricas, acompanhamento e feedback.

Sem isso, fica difícil atribuir o resultado exclusivamente ao colaborador.

Não basta contratar. É preciso preparar a casa

Ao longo da conversa, Pedro Felipe e Marcos Guerra conduzem as convidadas para uma conclusão importante: contratar é apenas o início.

Depois que o candidato entra, começa outra etapa.

Onboarding.

Integração.

Treinamento.

Acompanhamento.

Feedback.

Desenvolvimento.

Liderança.

A empresa precisa estar preparada para receber aquela pessoa.

As convidadas utilizam uma ideia simples para explicar esse processo: antes de receber alguém em casa, é preciso preparar a casa.

No ambiente corporativo, não é diferente.

Os primeiros dias podem definir a experiência

O onboarding apareceu como um dos pontos fundamentais do episódio.

Uma pessoa pode passar por um processo seletivo bem estruturado, ser aprovada e, mesmo assim, deixar a empresa poucas semanas depois.

Isso pode acontecer quando ela chega e não encontra estrutura para entender a nova realidade.

Quem vai acompanhá-la?

Quem vai explicar os processos?

Quem responde às dúvidas?

Quem apresenta a cultura?

Quem ajuda na adaptação?

Durante a conversa, surgiu inclusive a figura do “anjo”, “padrinho” ou profissional responsável por acompanhar o novo colaborador nos primeiros momentos.

É uma maneira de transformar a chegada em um processo de acolhimento e não apenas em uma apresentação de procedimentos.

A empresa também precisa disputar o profissional

Outro ponto explorado por Pedro e Marcos foi a transformação do mercado de trabalho depois da pandemia.

O crescimento do trabalho remoto e híbrido ampliou as possibilidades para profissionais de diferentes regiões.

Além disso, novas formas de trabalho passaram a disputar a mesma mão de obra que antes estava concentrada em determinados setores.

Para o candidato, isso representa mais possibilidades.

Para a empresa, significa que não basta abrir uma vaga.

É necessário apresentar motivos para que aquela pessoa queira trabalhar e permanecer na organização.

Contratação exige inteligência, não apenas velocidade

Ao longo do episódio, Rosa e Paula mostram que o trabalho de recrutamento envolve muito mais do que entrevistar candidatos e encaminhar currículos.

É necessário analisar o perfil, compreender o contexto, utilizar testes, conversar com o cliente e avaliar se existe compatibilidade.

Em alguns casos, isso significa inclusive voltar para a empresa e dizer que determinado perfil está fora da realidade das condições oferecidas.

Essa postura consultiva evita um problema recorrente: contratar alguém que provavelmente deixará a organização pouco tempo depois e obrigará a empresa a começar tudo novamente.

Pessoas continuam no centro do processo

A tecnologia também apareceu na conversa como uma ferramenta importante para apoiar o recrutamento.

Mas a discussão não reduz contratação a algoritmos.

O processo continua envolvendo pessoas.

É necessário interpretar informações, compreender comportamentos, avaliar contexto e entender se existe compatibilidade entre profissional e empresa.

Essa combinação entre tecnologia, metodologia e olhar humano aparece como um dos caminhos para tornar o recrutamento mais inteligente.

Uma conversa sobre contratação, mas também sobre gestão

O episódio 290 acabou mostrando que falar sobre contratação é falar também sobre liderança, cultura, desenvolvimento e responsabilidade empresarial.

Pedro Felipe e Marcos Guerra conduziram a conversa justamente nessa direção: sair da pergunta “onde estão os candidatos?” e chegar a uma questão mais ampla.

O que as empresas estão fazendo para que os profissionais certos queiram entrar, crescer e permanecer?

Rosa Maria e Paula Larissa trouxeram a experiência prática da RHF e mostraram que encontrar talentos é apenas uma parte do desafio.

Depois da contratação, começa uma nova responsabilidade.

Criar condições para que aquela pessoa consiga desempenhar seu papel, desenvolver suas competências e construir uma relação sustentável com a empresa.

No fim, talvez contratar bem não seja apenas encontrar a pessoa certa.

Também seja construir uma empresa preparada para recebê-la.

Assista ao episódio completo

O episódio 290 do Podcast ContraPonto, conduzido por Pedro Felipe e Marcos Guerra, com Rosa Maria e Paula Larissa, está disponível no YouTube e no Spotify.

A conversa aborda contratação, recrutamento, seleção, cultura, turnover, onboarding, liderança, desenvolvimento e os desafios do mercado de trabalho.

Podcast ContraPonto Cobrança e Crédito Ep. 290: Contratar está difícil. E agora?

A pergunta que fica para as empresas é: quando uma contratação não dá certo, vocês estão olhando apenas para o candidato ou também para o processo que existe dentro da própria organização?

Redação Contraponto

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