Desjudicialização: como a negociação pode abrir novos caminhos para a resolução de conflitos

No episódio do ContraPonto | Cobrança e Crédito, Pedro Felipe recebe Aldo Cardamone, diretor executivo do Grupo Nidim, para discutir como a negociação, a conciliação, a mediação e a arbitragem podem contribuir para a resolução de conflitos sem que o processo judicial seja necessariamente o primeiro caminho.
A conversa aborda os desafios do sistema judiciário, as possibilidades de aplicação da desjudicialização em cobranças e situações de endividamento e o papel da tecnologia na construção de acordos mais viáveis para credores e devedores.
A proposta defendida pelo convidado é direta: menos processos, mais acordos — e acordos que as partes realmente consigam cumprir.
Quem é Aldo Cardamone?
Aldo Cardamone construiu sua carreira no mercado financeiro, com atuação principalmente na área de recuperação de crédito. No momento da gravação, ocupava o cargo de diretor executivo do Grupo Nidim, ecossistema que reúne empresas voltadas ao mercado financeiro.
Durante o episódio, Aldo também apresenta sua atuação no desenvolvimento da MJUD, iniciativa descrita por ele como um ecossistema voltado à desjudicialização, com recursos para negociação, conciliação, mediação de conflitos e, quando cabível, arbitragem.
A proposta é ampliar as alternativas disponíveis para a resolução de disputas, com atenção à neutralidade e à participação das partes envolvidas.
O que é desjudicialização e por que esse tema importa?
A desjudicialização consiste, no contexto discutido no episódio, em buscar caminhos para resolver conflitos fora do processo judicial, quando isso é possível e adequado.
Para Aldo, um dos desafios está na percepção de que o Judiciário é a principal porta disponível para solucionar diferentes tipos de disputa. Na avaliação do convidado, criar alternativas antes do ajuizamento pode ajudar a reduzir desgastes, custos e o tempo envolvido na resolução dos conflitos.
Durante a conversa, ele menciona o volume de novos processos no Brasil como um dos fatores que reforçam a necessidade de ampliar as possibilidades de negociação. Esse número foi citado pelo convidado durante o episódio e não foi verificado de forma independente para este artigo.
A ideia central não é eliminar a Justiça, mas permitir que as partes tenham outras opções antes de recorrer a ela, quando houver condições para isso.
Negociação, conciliação, mediação e arbitragem: como funciona o processo?
A plataforma apresentada por Aldo foi concebida para organizar as etapas de resolução de conflitos em um ambiente digital. Segundo ele, o processo pode avançar conforme a necessidade e a concordância dos envolvidos.
Negociação: o primeiro passo
A negociação é o ponto de partida. Nesse estágio, credor e devedor podem conversar diretamente para buscar uma solução, utilizando a plataforma como ambiente para conduzir a discussão.
Em uma situação de cobrança, por exemplo, as partes podem avaliar condições de pagamento ou alternativas que atendam às possibilidades de cada lado.
Conciliação: apoio para aproximar as partes
Se houver necessidade, as partes podem concordar com a participação de um conciliador neutro. Esse profissional auxilia a conversa e contribui para que os envolvidos avaliem possibilidades de acordo.
A proposta é reduzir o atrito e facilitar o diálogo, sem representar exclusivamente os interesses de uma das partes.
Mediação: aprofundamento da discussão
Quando o conflito exige uma abordagem mais estruturada, pode ser realizada uma mediação. Conforme explicado no episódio, o encontro pode ocorrer on-line, com a participação das partes e, se desejarem, de seus advogados ou de outras pessoas envolvidas.
O objetivo é criar condições para que os participantes compreendam o conflito e busquem uma solução possível.
Arbitragem: uma alternativa quando aplicável
A arbitragem também foi abordada na conversa como uma etapa possível em determinadas situações. Aldo ressalta que sua utilização depende das condições aplicáveis ao caso e dos requisitos necessários, incluindo a existência de previsão contratual ou a concordância pertinente.
Assim, as etapas não são obrigatórias em todos os conflitos. A condução depende das características da disputa e das condições para avançar.
Como a desjudicialização pode ser aplicada à cobrança e ao crédito?
A discussão ganha relevância para o mercado de crédito e cobrança porque coloca em evidência uma questão prática: nem sempre levar um conflito diretamente à Justiça é a alternativa mais eficiente para os envolvidos.
Durante o episódio, Aldo apresenta situações em que a negociação pode permitir soluções diferentes de uma disputa judicial.
Em um conflito relacionado à desocupação de um imóvel, por exemplo, ele descreve a possibilidade de negociar um apoio temporário para a mudança, caso isso facilite uma saída acordada. A alternativa, segundo o raciocínio apresentado, pode evitar custos e desgastes associados a uma ação judicial.
O convidado também aborda situações de superendividamento. Em vez de considerar exclusivamente uma ação judicial para reunir credores e discutir as condições de pagamento, ele propõe avaliar a possibilidade de construir uma solução por meio de um ambiente de mediação.
Esses exemplos mostram como a análise das condições reais das partes pode fazer diferença na construção de acordos.
O melhor acordo é aquele que pode ser cumprido
Um dos principais pontos da conversa é a sustentabilidade dos acordos.
Para Aldo, estabelecer uma condição de pagamento que o consumidor não consegue cumprir não resolve o problema. O devedor permanece endividado, enquanto o credor continua sem receber os valores esperados.
Esse cenário também pode afetar a experiência do cliente e a relação com a empresa.
Por isso, a negociação precisa considerar a capacidade real de pagamento, as condições do conflito e os interesses envolvidos. Um acordo viável tende a oferecer uma perspectiva melhor de cumprimento do que uma proposta construída sem considerar a realidade financeira do devedor.
A mensagem sintetizada pelo convidado é clara: “O melhor acordo é o que você consegue pagar.”
Para as operações de cobrança, essa visão reforça a importância de combinar recuperação de crédito com análise, diálogo e propostas compatíveis com a situação do cliente.
Qual é o papel da tecnologia e da inteligência artificial?
Outro tema discutido no episódio é o uso da tecnologia para apoiar a resolução de conflitos.
A plataforma apresentada por Aldo busca organizar as etapas de negociação e permitir que a discussão avance conforme a necessidade. Segundo ele, a tecnologia também pode auxiliar o trabalho de conciliadores, oferecendo suporte durante o processo.
A inteligência artificial aparece nesse contexto como uma ferramenta de apoio, capaz de contribuir para a organização de informações e para a compreensão do contexto da negociação.
No entanto, a tecnologia não substitui a necessidade de neutralidade, diálogo e análise das condições apresentadas pelas partes. O propósito é facilitar o processo e reduzir barreiras, mantendo o foco na busca por soluções possíveis.
Democratizar o acesso à resolução de conflitos
Para o convidado, ampliar o conhecimento sobre alternativas à judicialização é um passo importante para que empresas e consumidores possam tomar decisões mais informadas.
A proposta discutida no episódio é permitir que diferentes tipos de conflito sejam considerados em um ambiente de negociação, desde questões relacionadas a crédito e cobrança até disputas de outras naturezas, conforme a adequação de cada caso.
Essa ampliação depende também de informação e divulgação. Quanto mais as pessoas conhecerem as alternativas disponíveis, maior será a possibilidade de avaliar caminhos antes de iniciar uma disputa judicial.
A desjudicialização, portanto, é apresentada não apenas como uma questão operacional, mas como uma mudança na forma de encarar os conflitos: em vez de partir diretamente para o confronto, buscar primeiro uma solução negociada quando houver condições para isso.
Menos processos, mais acordos: o que o mercado pode aprender?
A conversa entre Pedro Felipe e Aldo Cardamone traz uma reflexão importante para empresas que atuam com crédito e cobrança: resolver um conflito não significa apenas buscar o recebimento de um valor, mas encontrar uma solução que possa ser efetivamente cumprida.
Negociação, conciliação, mediação e arbitragem podem oferecer caminhos diferentes para determinadas disputas, desde que sejam adequados ao caso e respeitem as condições necessárias para sua aplicação.
A tecnologia pode contribuir para organizar esse percurso, mas o diálogo, a neutralidade e a viabilidade dos acordos permanecem fundamentais.
Ao defender que o processo judicial seja considerado como último recurso, Aldo propõe ampliar as alternativas disponíveis para credores, devedores e demais envolvidos em conflitos.
E para o mercado de crédito e cobrança, fica a reflexão: quantos conflitos poderiam encontrar uma solução mais sustentável se a negociação acontecesse antes da judicialização?
Assista ao episódio completo
No episódio do ContraPonto | Cobrança e Crédito, Pedro Felipe conversa com Aldo Cardamone sobre desjudicialização, negociação, conciliação, mediação, arbitragem, tecnologia e os desafios para construir acordos que façam sentido para os envolvidos.
Assista à conversa completa no canal do ContraPonto no YouTube e acompanhe os conteúdos do portal para continuar atualizado sobre crédito, cobrança, tecnologia e experiência do cliente.







