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Análise de crédito além da carteira: o que o Open Finance acrescenta à decisão

Renda, comportamento e dívidas contratadas fora da instituição precisam entrar na análise de crédito

Por Bernardo Meirelles, Diretor de Revenue da klavi

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Imagine um cliente que paga todas as parcelas em dia, mas passou a contratar empréstimos em outras instituições e a comprometer uma fatia maior da renda. Para cada credor, o relacionamento parece saudável. No orçamento do cliente, a situação já mudou. A última prestação paga confirma que ele honrou aquele compromisso, mas não diz quanto espaço resta para o próximo.

Esse é um dos principais desafios da análise de crédito é não confundir o que a instituição conhece com tudo o que precisa conhecer. O Open Finance reduz essa distância ao acrescentar, mediante consentimento do usuário, informações sobre renda, despesas, movimentações e produtos contratados em outras instituições. Não substitui o score nem o histórico tradicional, mas amplia o contexto em que eles são interpretados.

O primeiro passo é separar renda de capacidade de pagamento. Importa a recorrência das entradas, sua estabilidade e quanto já está comprometido com despesas essenciais e outras obrigações. Um trabalhador informal pode não ter comprovação tradicional e ainda assim ter movimentação consistente. A falta de um documento não deveria encerrar a análise de uma realidade observável.

A declaração de renda, por sua vez, também não basta. Em estudo da klavi, 59% dos participantes informaram valor superior ao identificado nos dados, com diferença média de 24%. Nem toda divergência é fraude, mas toda divergência pede investigação antes de orientar uma decisão.

Há ainda um risco menos lembrado: a análise incompleta também nega crédito a quem poderia pagar. Em um varejista que oferece empréstimo pessoal pelo aplicativo, o uso de dados de Open Finance permitiu aprovar 22% mais pessoas entre os clientes inicialmente negados, sem alterar a inadimplência da operação. É um resultado específico, não uma promessa para qualquer carteira, mas indica que aprovar mais não exige, necessariamente, aceitar mais risco. A pergunta passa a ser quanto da recusa decorre de risco efetivo e quanto de uma leitura insuficiente.

A análise também deve continuar depois da contratação. A renda pode cair, as despesas podem subir e novas dívidas podem reduzir a margem sem que haja parcela vencida. Revisar limites e acompanhar a trajetória do cliente fazem parte da decisão de crédito.

Visão ampliada do cliente, porém, resolve só metade do problema. A instituição precisa entender também o mercado em que concede crédito. Os dados individuais consentidos ajudam a avaliar uma proposta; os dados agregados permitem comparar participação, condições e posicionamento. São leituras complementares, e confundi-las leva a decisões tão incompletas quanto olhar apenas o histórico interno.

Em levantamento interno, com cerca de 1 milhão de pessoas observadas entre julho de 2025 e junho de 2026, o ticket médio foi de R$ 726 nas instituições digitais e de R$ 5.128 nas tradicionais, com prazos médios de 498 e 1.848 dias, respectivamente. Operações tão distintas não cabem em uma média única, e os números, isolados, não dizem qual grupo concede melhor. Qualquer comparação deve considerar modalidade, perfil, garantias, valor e prazo antes de justificar mudança de preço ou de exposição.

Há, por fim, um problema operacional: quando a análise começa em cinco telas diferentes, com cadastro, score, renda e movimentações separados, mais dados só transferem a complexidade para o analista. Por isso, o número de fontes conectadas ou de variáveis disponíveis é uma métrica pobre. O que conta é como a informação muda a decisão: quais recusas são revistas, quais limites ficam mais adequados, quanto trabalho manual deixa de existir e como a carteira se comporta depois.

Essa inteligência também não deve servir apenas para restringir. Pode apoiar a revisão de ofertas, uma renegociação adequada ao momento do cliente ou a ampliação de um limite. Pode também mostrar que uma nova obrigação não cabe no orçamento. O objetivo não é aprovar sempre, e sim responder melhor.

O avanço que importa é combinar três coisas: a realidade financeira do cliente, as condições do mercado e a capacidade de agir sobre a informação. Conhecer a própria carteira continua indispensável, mas tratá-la como única referência é um erro, porque a vida financeira do cliente não termina na instituição. A análise de crédito também não deveria.

Bernardo Meirelles é Diretor de Revenue da klavi, empresa pioneira em inteligência de dados via Open Finance no Brasil. Com mais de uma década de experiência na construção e escalada de negócios orientados por dados, teve papel decisivo na expansão da Neoway, desde sua fase inicial até a venda da empresa para a B3 por R$ 1,8 bilhão. Na klavi, combina sua experiência em dados, inovação e estratégia comercial para ampliar o uso de inteligência financeira em decisões de crédito, risco e relacionamento com clientes.

Bernardo Meirelles

Bernardo Meirelles é Head de Vendas da klavi, empresa pioneira em inteligência de dados via Open Finance no Brasil. Com mais de uma década de experiência na construção e escalada de negócios orientados por dados, teve papel decisivo na expansão da Neoway da fase inicial até a venda da empresa para a B3 por R$ 1,8 bilhão. Também atuou em uma fintech do setor condominial, onde liderou estratégias de go-to-market. Na klavi, Bernardo combina sua expertise em dados, inovação e estratégia comercial para impulsionar a adoção de soluções que transformam a relação entre empresas e consumidores por meio do uso inteligente de dados.

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