Reduzir custos em Gestão de Pessoas
Redução de Custos não é simplesmente cortar pessoas

No episódio 278 do Podcast ContraPonto Cobrança & Crédito, Pedro Felipe e Marcos Guerra recebem Roberto Castrofo para discutir como empresas podem reduzir custos, aumentar a produtividade e preservar talentos
Reduzir custos está entre os desafios mais recorrentes das empresas, mas existe uma diferença importante entre cortar despesas e eliminar desperdícios. Foi a partir dessa provocação que Pedro Felipe e Marcos Guerra receberam Roberto Castrofo, profissional de Recursos Humanos com mais de 30 anos de experiência, no episódio 278 do Podcast ContraPonto Cobrança & Crédito.
Ao longo da conversa, Castrofo mostra que a redução de custos em Gestão de Pessoas não precisa começar por demissões. Pelo contrário: antes de retirar profissionais da operação, é necessário entender onde o dinheiro está sendo gasto, como a estrutura está dimensionada, quais processos geram desperdício e quanto a produtividade das equipes pode ser melhorada.
Quem é Roberto Castrofo
Com mais de três décadas de experiência na área de Recursos Humanos, Roberto Castrofo traz para o episódio uma visão prática sobre gestão de pessoas, custos, produtividade e sustentabilidade financeira.
Sua experiência permite olhar para o RH não apenas como uma área responsável por cuidar dos colaboradores, mas também como uma área que precisa compreender profundamente orçamento, folha, benefícios, produtividade, processos e impacto financeiro das decisões.
É justamente essa combinação entre pessoas e números que conduz boa parte da conversa com Pedro Felipe e Marcos Guerra.
Reduzir custos não é sinônimo de demitir
Um dos principais pontos levantados por Castrofo é que demitir pessoas costuma ser a solução mais fácil — mas não necessariamente a mais eficiente.
Em operações como contact centers, por exemplo, uma redução inadequada do quadro pode provocar efeito contrário ao esperado: aumento de filas, sobrecarga das equipes, queda de produtividade e piora da experiência do cliente.
Por isso, antes de tomar uma decisão de corte, o primeiro passo deveria ser olhar para o orçamento e analisar linha por linha o custo total de pessoas.
A pergunta deixa de ser simplesmente “quantas pessoas podemos cortar?” e passa a ser:
onde estamos desperdiçando dinheiro?
O problema pode estar no dimensionamento
A estrutura organizacional também pode esconder custos que não são percebidos imediatamente.
Excesso de gestores, equipes mal dimensionadas, concentração de profissionais juniores e baixa produtividade são alguns dos fatores que podem aumentar o custo da operação sem necessariamente representar maior geração de valor.
Para Castrofo, é preciso analisar conjuntamente estrutura, qualidade dos profissionais, produtividade e processos.
Somente depois dessa avaliação é possível identificar onde existe espaço real para eficiência.
RH também precisa entender o dinheiro
Outro ponto importante da conversa é a mudança de perspectiva sobre o papel do RH.
Folha de pagamento, benefícios, recrutamento, desenvolvimento e retenção não podem ser analisados isoladamente. Todas essas decisões possuem impacto direto sobre o orçamento e sobre a sustentabilidade do negócio.
Isso não significa transformar o RH em uma área exclusivamente financeira.
Significa reconhecer que cuidar de pessoas também exige compreender os recursos necessários para manter uma operação saudável.
Onde estão os desperdícios?
Entre os exemplos apresentados no episódio, as horas extras aparecem como um dos principais pontos de atenção.
Benefícios também podem representar oportunidades de economia quando são mal dimensionados ou quando não existe acompanhamento adequado de sua utilização. Os planos de saúde aparecem como um exemplo importante dessa dinâmica.
A discussão mostra que negociar melhor, acompanhar indicadores e compreender o comportamento de utilização dos benefícios pode gerar economia sem necessariamente reduzir a remuneração ou retirar qualidade do que é oferecido aos colaboradores.
Os custos invisíveis também precisam entrar na conta
A conversa avança para um tema muitas vezes negligenciado: os custos relacionados à saúde ocupacional e ao absenteísmo.
Um dos cases apresentados por Castrofo mostra como o tratamento inadequado de atestados pode gerar consequências financeiras futuras, inclusive relacionadas a encargos e acidentes de trabalho.
A questão, portanto, não é apenas controlar o documento.
É cruzar dados de saúde, absenteísmo, processos e custos para identificar padrões e agir antes que um problema pequeno se transforme em uma despesa significativa.
NR17 e NR01: cumprir não basta
A conversa também aborda questões relacionadas à NR17 e à NR01, ergonomia, riscos psicossociais, documentação, canais de denúncia, treinamentos e fiscalização.
O alerta é importante: cumprir uma norma apenas formalmente não significa necessariamente estar protegido.
É preciso que os processos estejam documentados, que as ações sejam efetivamente realizadas e que a empresa consiga demonstrar as medidas preventivas adotadas.
Quem executa o trabalho pode saber onde está o desperdício
Um dos momentos mais interessantes do episódio acontece quando a conversa chega à produtividade.
Automação e revisão de processos são ferramentas importantes, mas existe uma fonte de informação que muitas organizações deixam de aproveitar: o próprio colaborador que executa aquela atividade todos os dias.
Quem está na operação conhece o retrabalho, as etapas desnecessárias e os processos que poderiam ser simplificados.
Criar canais para receber essas ideias e, quando possível, reconhecer quem contribuiu para uma melhoria pode transformar conhecimento operacional em eficiência financeira.
Home office também pode ser uma estratégia de eficiência
O trabalho remoto aparece na conversa não apenas como uma escolha de modelo de trabalho, mas também como uma possível estratégia de eficiência.
A experiência apresentada aponta benefícios relacionados à redução do absenteísmo, aumento da produtividade e ampliação do universo de recrutamento.
Mas o home office não funciona sozinho.
Para que o modelo seja sustentável, é necessário construir uma cultura apoiada em rituais, comunicação, reuniões, feedback e momentos de conexão.
A cultura não precisa depender exclusivamente da presença física.
Ela precisa depender de relações bem construídas.
O caminho começa antes do corte
Ao longo de quase duas horas de conversa, a principal mensagem de Roberto Castrofo é que redução de custos precisa ser tratada como um processo de gestão, e não como uma reação imediata à pressão financeira.
A proposta passa por orçamento base zero, análise mensal, revisão anual linha a linha, automação, melhoria de processos, negociação de benefícios, dimensionamento adequado e retenção de talentos.
Somente depois de olhar para essas possibilidades é que uma empresa deveria avaliar se existe realmente a necessidade de reduzir seu quadro.
Porque existe uma diferença enorme entre reduzir custos e simplesmente cortar pessoas.
Eficiência também precisa voltar para as pessoas
A conversa conduzida por Pedro Felipe e Marcos Guerra termina com uma reflexão importante.
Se uma empresa consegue gerar eficiência, parte desse ganho também pode retornar para quem ajudou a construí-lo.
Isso pode acontecer por meio de promoções, reconhecimento, desenvolvimento e valorização dos talentos.
Afinal, reduzir desperdícios não deveria significar retirar valor das pessoas.
Deveria significar usar melhor os recursos para construir uma operação mais eficiente, sustentável e capaz de valorizar quem faz o negócio acontecer.
E essa talvez seja a principal provocação deixada pelo episódio 278:
antes de perguntar quantas pessoas precisam sair, a empresa deveria perguntar quanto desperdício ainda existe dentro da operação.
O episódio 278 do Podcast ContraPonto Cobrança & Crédito, com Pedro Felipe, Marcos Guerra e Roberto Castrofo, já está disponível para quem quer aprofundar essa discussão sobre gestão de pessoas, produtividade e eficiência.
Você pode acompanhar o episódio no YouTube e no Spotify. https://youtube.com/live/POZMm3XQK24?feature=share






