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CAPACrédito e Cobrança

Inadimplência do crédito atinge novo recorde e chega a 5,04% em agosto, aponta BC

Famílias concentram avanço da inadimplência

Taxa da carteira total do Sistema Financeiro Nacional avançou 0,1 ponto percentual no mês; entre as pessoas físicas, inadimplência chegou a 6%, enquanto crédito total alcançou R$ 7,4 trilhões, o aumento da inadimplência do crédito gera novo recorde.

A inadimplência da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu 5,04% em agosto, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central. O indicador avançou 0,1 ponto percentual em relação a julho e 0,9 ponto percentual em 12 meses, alcançando o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011.

O movimento foi puxado principalmente pelas operações destinadas às pessoas físicas. A inadimplência nessa carteira chegou a 6%, alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,1 ponto percentual em 12 meses. Entre as empresas, o indicador permaneceu em 3,3%.

Famílias concentram avanço da inadimplência

Os números do Banco Central mostram uma diferença importante entre famílias e empresas. Enquanto a inadimplência das pessoas jurídicas permaneceu estável em agosto, a taxa das pessoas físicas continuou avançando.

No crédito livre destinado às famílias, modalidade em que os recursos podem ser utilizados conforme a finalidade definida pelo tomador, a inadimplência chegou a 8%, registrando o terceiro mês consecutivo de alta. Já nas operações de crédito direcionado, como o financiamento imobiliário, a taxa ficou em 3,6%, embora tenha acumulado alta de 1,2 ponto percentual em 12 meses.

O cenário ocorre em paralelo a um aumento do custo do crédito. A taxa média de juros das operações com recursos livres para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano em agosto, alta de 1,4 ponto percentual em relação a julho e de 2,9 pontos em 12 meses.

Crédito continua crescendo apesar da inadimplência

O avanço da inadimplência não significa retração geral da oferta de crédito. O saldo das operações do SFN alcançou R$ 7,4 trilhões em agosto, crescimento de 0,5% no mês e de 9,2% em 12 meses.

As famílias concentravam R$ 4,7 trilhões desse estoque, após crescimento de 0,8% no mês. Nas empresas, o saldo chegou a R$ 2,7 trilhões, com redução de 0,1% em agosto. Em 12 meses, o crédito para pessoas físicas cresceu 10,5%, enquanto o destinado às empresas avançou 7,1%.

Entre as operações que contribuíram para a expansão do crédito às famílias estão o financiamento de veículos, o cartão de crédito rotativo e o crédito consignado para trabalhadores do setor privado.

Endividamento das famílias chega a 49,9% da renda

Outro indicador divulgado pelo Banco Central mostra que o endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda acumulada em 12 meses em julho, alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,1 ponto percentual em 12 meses.

O comprometimento da renda com o pagamento das dívidas ficou em 28,7%, estável em relação a junho, mas 1,4 ponto percentual acima do registrado um ano antes.

Os dados ajudam a contextualizar a evolução da inadimplência: mesmo com o estoque de crédito continuando a crescer, uma parcela maior da carteira passou a apresentar atrasos relevantes.

Cartão de crédito volta a pressionar custo do dinheiro

O cartão aparece entre as modalidades que contribuíram para a elevação dos juros cobrados das pessoas físicas.

Segundo dados divulgados a partir das estatísticas do Banco Central, a taxa do cartão de crédito rotativo passou de 436,2% para 449,4% ao ano em agosto. No cartão parcelado, a taxa subiu de 189,3% para 192,1% ao ano.

A combinação entre juros elevados, maior comprometimento da renda e aumento da inadimplência cria um cenário de atenção para instituições financeiras e empresas que trabalham com concessão e recuperação de crédito.

O desafio para cobrança e recuperação de crédito

O novo recorde de inadimplência amplia a importância da gestão da carteira depois da concessão. Para as áreas de cobrança, o crescimento do indicador significa lidar com uma base maior de clientes em atraso em um ambiente no qual o custo do crédito permanece elevado.

A diferença entre os indicadores de pessoas físicas e jurídicas também reforça a necessidade de segmentação das estratégias. Uma carteira de consumidores inadimplentes possui características diferentes de uma carteira empresarial, assim como diferentes produtos de crédito apresentam comportamentos distintos.

Nesse contexto, dados sobre histórico de pagamento, produto contratado, tempo de atraso e capacidade de pagamento podem ajudar as instituições a definir diferentes abordagens de recuperação.

Um mercado de crédito maior, mas com maior pressão sobre o pagamento

Os dados de agosto mostram dois movimentos simultâneos: o mercado de crédito continua crescendo e a inadimplência também avança.

O estoque total chegou a R$ 7,4 trilhões, enquanto a inadimplência alcançou 5,04%. Entre as famílias, o crédito cresceu e a inadimplência chegou a 6%, acompanhada por endividamento equivalente a 49,9% da renda e comprometimento de 28,7%.

Para o mercado de crédito e cobrança, o ponto central passa a ser acompanhar não apenas o crescimento das concessões, mas também a capacidade de pagamento dos clientes e a evolução das carteiras após a contratação.

Os dados mais recentes do Banco Central colocam esse acompanhamento no centro da discussão sobre crédito, risco e recuperação de dívidas no Brasil.

Redação Contraponto

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