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CAPA

Vender é o começo: O verdadeiro crescimento acontece quando Conquistar e Cuidar do cliente fazem parte da mesma Estratégia…

Em mercados cada vez mais competitivos, crescer não depende apenas da capacidade de conquistar novos clientes, mas de transformar cada contrato em uma relação capaz de gerar valor, experiência e resultados para os dois lados.

Existe uma pergunta que acompanha praticamente toda liderança comercial: Como crescer?

Independentemente do mercado, as respostas normalmente passam por novos clientes, novos produtos, expansão da carteira, aumento de receita, novos canais ou entrada em novos segmentos.

Tudo isso está correto.

Mas, depois de muitos anos atuando comercialmente em diferentes mercados e modelos de negócio, aprendi que talvez exista uma pergunta anterior e ainda mais importante:

– Como construir um crescimento que permaneça?

Porque conquistar um cliente é fundamental. Mas mantê-lo, desenvolver a relação, ampliar a percepção de valor e transformar aquela conquista em uma parceria sustentável é o que diferencia crescimento comercial de crescimento verdadeiramente consistente.

E é justamente nesse ponto que Hunter, Farmer, Customer Success e Customer Experience deixam de ser conceitos isolados e passam a fazer parte de uma mesma estratégia de negócios.

– A venda continua sendo indispensável

Não existe empresa crescendo de forma sustentável sem capacidade de conquistar novos negócios.

Precisamos de Hunters.

Precisamos prospectar, abrir portas, acessar novos mercados, construir relacionamentos, entender dores, apresentar propostas, negociar e fechar contratos.

A área comercial precisa produzir movimento.

Pipeline importa. Prospecção importa. Conversão importa. Receita nova importa.

Mas existe um erro que ainda observo em muitas organizações: Concentrar enorme energia na conquista e diminuir a intensidade justamente depois que o cliente diz “sim”.

É quase como se o contrato assinado representasse a linha de chegada.

Na minha visão, representa exatamente o contrário.

– O contrato assinado não é o fim da venda. É o início da responsabilidade.

A partir daquele momento começa a parte mais importante da promessa comercial: Transformar aquilo que foi apresentado durante o processo de venda em valor percebido pelo cliente.

– Hunter abre a porta. Farmer ajuda a mantê-la aberta.

Durante muito tempo, Hunter e Farmer foram tratados quase como funções opostas.

Um conquista. O outro mantém.

Na prática, uma estratégia comercial madura precisa dos dois.

O Hunter identifica oportunidades, desenvolve novos relacionamentos e amplia a presença da empresa no mercado.

O Farmer conhece profundamente a carteira, acompanha o cliente, identifica novas necessidades, desenvolve oportunidades e fortalece a relação.

E existe algo particularmente interessante nesse segundo movimento.

Muitas vezes, uma das melhores oportunidades comerciais de uma empresa já está dentro da própria carteira.

Um cliente satisfeito conhece a capacidade de entrega do fornecedor, já atravessou a etapa inicial de construção de confiança e pode apresentar novas necessidades, unidades, produtos, áreas ou projetos.

Isso não significa simplesmente fazer upsell ou cross-sell.

Significa compreender suficientemente o negócio do cliente para perceber onde podemos continuar contribuindo.

Existe uma diferença importante entre vender mais para o cliente e gerar mais valor para o cliente.

Curiosamente, quando fazemos bem a segunda coisa, a primeira frequentemente acontece como consequência.

É aqui que CS ganha relevância

Customer Success não deveria ser entendido apenas como uma área responsável por acompanhar clientes.

É uma filosofia de negócio.

O princípio é relativamente simples: Se o cliente não obtiver o resultado que motivou sua contratação, em algum momento a relação será questionada.

Podemos ter uma excelente solução, tecnologia sofisticada, ótimo atendimento e uma equipe comercial competente.

Mas a pergunta do cliente continuará sendo:

“Isso está gerando resultado para o meu negócio?”

Por isso, depois da venda, precisamos continuar entendendo objetivos, indicadores, dificuldades e mudanças de cenário.

Precisamos acompanhar.

Precisamos medir.

Precisamos conversar.

E, principalmente, precisamos estar preparados para corrigir rotas.

Customer Success, quando integrado à estratégia comercial, também pode funcionar como um poderoso radar.

O cliente muda.

O mercado muda.

As prioridades mudam.

Novos problemas aparecem.

Quem permanece próximo percebe essas mudanças antes.

E quem percebe antes tem maiores condições de ajudar.

CX completa essa equação

Se Customer Success está relacionado ao sucesso que o cliente consegue alcançar, Customer Experience nos obriga a observar como ele vivencia a relação conosco ao longo dessa jornada.

E isso vai muito além do atendimento.

A experiência começa na primeira abordagem comercial.

Continua na proposta.

Passa pela negociação.

Chega ao onboarding.

Segue pela implantação, operação, atendimento, faturamento, suporte, resolução de problemas, reuniões executivas e renovação.

Cada interação ajuda a construir — ou destruir — percepção de valor.

Podemos prometer parceria no PowerPoint e entregar burocracia no cotidiano.

Podemos falar sobre inovação durante a venda e oferecer processos difíceis depois da contratação.

Podemos dizer que o cliente é estratégico e aparecer somente na renovação contratual.

É justamente aí que o discurso comercial encontra a realidade.

Experiência é aquilo que permanece depois que a apresentação termina.

– Diferentes mercados, fundamentos semelhantes.

Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de atuar em ambientes como Tecnologia, Telecom, BPO, Financial Services, Crédito, Risco, Cobrança e Contact Centers.

São mercados diferentes.

Possuem produtos diferentes, compradores diferentes, ciclos comerciais diferentes e indicadores diferentes.

Mas existe algo que se repete.

Empresas compram soluções porque precisam resolver problemas.

Podem querer reduzir custos.

Ganhar produtividade.

Melhorar eficiência.

Reduzir riscos.

Aumentar recuperação.

Automatizar processos.

Melhorar experiência.

Ganhar escala.

Aumentar receita.

Ou simplesmente executar melhor alguma parte crítica de seu negócio.

Por isso, uma venda B2B verdadeiramente consultiva começa antes da apresentação da solução.

Começa pela capacidade de compreender o contexto.

Qual problema estamos tentando resolver?

Quanto esse problema custa?

Qual impacto ele produz?

Como o cliente mede sucesso?

O que precisa mudar para que a solução seja percebida como investimento e não simplesmente como despesa?

Tecnologia, BPO, dados, inteligência artificial ou qualquer outra solução são meios.

O cliente, no final, compra aquilo que acredita que esses meios poderão transformar.

O comercial moderno precisa enxergar a jornada inteira

Talvez por isso eu veja cada vez menos sentido em discutir aquisição, relacionamento, Customer Success e Customer Experience como universos completamente separados.

Para o cliente existe apenas uma empresa.

Ele não deveria precisar compreender nosso organograma para ter uma boa experiência.

Não importa se determinada responsabilidade pertence a Vendas, Operações, CS, Atendimento, Produto, Tecnologia ou Financeiro.

A percepção é única.

E é exatamente por isso que a liderança comercial precisa olhar além do fechamento.

Uma organização orientada ao cliente deveria ser capaz de construir uma jornada relativamente simples:

ENTENDER CONQUISTAR ENTREGAR RELACIONAR DESENVOLVER EXPANDIR FORTALECER.

Entender o problema.

Conquistar a confiança.

Entregar aquilo que foi prometido.

Relacionar-se continuamente.

Desenvolver novas possibilidades.

Expandir quando houver geração de valor.

E fortalecer uma parceria que faça sentido para os dois lados.

Isso é muito diferente de simplesmente administrar uma carteira.

É administrar valor.

Relacionamento não substitui resultado

Existe ainda outro ponto importante.

Relacionamento comercial não significa apenas proximidade.

Um bom almoço ajuda.

Uma boa conversa ajuda.

Confiança pessoal ajuda muito.

Mas relações B2B sustentáveis precisam de resultado.

Da mesma forma, resultado sem relacionamento pode tornar uma relação vulnerável quando surgem concorrentes, mudanças de liderança, novas tecnologias ou pressões por preço.

É a combinação das duas coisas que cria força.

Relacionamento abre espaço para conversas difíceis. Resultado dá razão para a parceria continuar.

Por isso acredito que os melhores relacionamentos comerciais são construídos quando fornecedor e cliente conseguem conversar não apenas sobre contratos, mas sobre negócios.

O fornecedor deixa de perguntar somente:

“O que mais posso vender?”

E passa a perguntar:

“Onde mais posso gerar valor?”

A mudança parece pequena.

Mas comercialmente é enorme.

No final, grandes negócios continuam sendo construídos por pessoas

Vivemos um momento fascinante.

Inteligência artificial, automação, dados, CRM, analytics e novas tecnologias estão transformando profundamente a atividade comercial.

Teremos vendedores mais produtivos.

Previsões melhores.

Segmentações mais inteligentes.

Interações automatizadas.

Mais informação para tomar decisões.

Tudo isso será importante.

Mas existe algo que tecnologia alguma elimina: Confiança.

Especialmente em negócios B2B complexos, decisões relevantes continuam envolvendo pessoas colocando sua reputação, seus resultados e muitas vezes suas carreiras por trás de uma escolha.

Por isso, tecnologia pode acelerar processos.

Dados podem melhorar decisões.

IA pode aumentar produtividade.

Mas relacionamento continua sendo um ativo extraordinariamente valioso.

Crescer é conquistar. Permanecer é entregar.

Depois de muitos anos trabalhando com negócios, continuo acreditando profundamente na importância da área comercial.

É ela que cria movimento.

Abre mercados.

Conecta necessidades a soluções.

Constrói relacionamentos.

Gera receita.

Mas acredito também que a melhor área comercial não é simplesmente aquela que mais vende.

É aquela que ajuda a empresa a construir clientes que desejam permanecer.

Clientes que percebem valor.

Que confiam.

Que ampliam a relação.

Que indicam.

Que enxergam o fornecedor como parceiro e não apenas como mais um contrato.

Talvez o grande desafio comercial das empresas não seja escolher entre conquistar novos clientes ou cuidar da base.

Precisamos fazer os dois.

Com estratégia.

Com disciplina.

Com tecnologia.

Com presença.

Com relacionamento.

E, principalmente, com capacidade de entregar resultados.

Porque vender pode ser o começo de um grande negócio.

Mas é o valor construído depois da venda que determina até onde essa relação poderá chegar.

Espero que tenham gostado e até o próximo artigo…

Let’s fly

Alexandre Caricati

Especialista em Gestão, Estratégia, Relacionamento e Expansão de Negócios nas áreas de Tecnologia, BPO, Cobrança, Financial Services e Contact Centers. Executivo com formação em Tecnologia & Negócios pelas Faculdades Oswaldo Cruz/SP, com mais de 30 anos de experiência profissional, 20 anos como executivo e 12 anos ocupando cargos de alta direção em empresas líderes de mercado.

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