Cobrança que preserva o relacionamento
Pessoas, processos e tecnologia na recuperação de crédito

A cobrança pode ser eficiente sem deixar de ser humana? Para Beatriz Albanez, sim. E essa visão passa por uma mudança importante: deixar de enxergar a cobrança como uma área isolada e integrá-la ao comercial, aos processos, à tecnologia e, principalmente, ao relacionamento com o cliente.
No episódio de Crédito e Cobrança, Pedro Felipe e Marcos Guerra recebem Beatriz Albanez, contadora de formação e profissional com trajetória nas áreas financeira, contábil e fiscal, para uma conversa sobre os bastidores da construção de uma operação de cobrança praticamente do zero.
Há três anos e meio na Special Dog, Beatriz participa diretamente da estruturação das operações de cobrança da empresa desde abril de 2024. Sua experiência também passa pelo varejo, pela indústria e por uma atuação anterior com cobrança ativa de lojistas e negociações no mercado de shopping centers.
Mais do que falar sobre ferramentas e indicadores, o episódio mostra como pessoas, processos e tecnologia precisam trabalhar juntos para transformar a cobrança em parte da jornada do cliente.
Liderar jovem exigiu relacionamento, não imposição
A trajetória de Beatriz começou em uma realidade distante da posição de liderança que ocuparia posteriormente.
Depois de uma infância simples em Ourinhos e de inicialmente buscar uma carreira na área da saúde, ela migrou da Fisioterapia para Ciências Contábeis. Foi ainda muito jovem, aos 20 anos, que assumiu a liderança de uma equipe de 16 pessoas, inclusive profissionais mais velhos.
A experiência trouxe um aprendizado que seria importante para toda a sua carreira: autoridade não se constrói apenas pela posição ocupada.
Diálogo, proximidade, consistência e resultados foram fundamentais para estabelecer sua liderança.
Essa experiência também ajudou Beatriz a perceber que poderia realizar seu propósito de ajudar pessoas não apenas por meio de uma profissão ligada diretamente à saúde, mas também pela gestão e pelo desenvolvimento de equipes.
Construir uma operação de cobrança do zero
Ao chegar à Special Dog, Beatriz encontrou uma carteira próxima de 50 mil clientes e o desafio de estruturar uma operação de cobrança praticamente sem sistemas e sem uma ampliação imediata da equipe.
O problema, porém, não era apenas o tamanho da carteira.
Era necessário entender quem eram aqueles clientes, como a empresa se relacionava com eles e qual deveria ser a abordagem para recuperar valores sem comprometer relações comerciais.
Antes de pensar em tecnologia, veio a necessidade de entender o cenário.
Essa foi uma das principais lições compartilhadas durante o episódio.
O comercial também faz parte da cobrança
Um dos grandes aprendizados de Beatriz foi perceber que a recuperação de crédito não poderia permanecer restrita ao departamento financeiro.
O comercial passou a fazer parte da estratégia.
Representantes, secretárias das regionais e profissionais de cobrança começaram a trabalhar de maneira mais integrada, porque quem está próximo do cliente muitas vezes possui informações que não aparecem nos sistemas financeiros.
O representante conhece a realidade daquele relacionamento.
Sabe o histórico do cliente, entende o momento da empresa e pode contribuir para definir a melhor abordagem.
A cobrança, nesse modelo, deixa de ser apenas uma função de recuperação e passa a fazer parte da gestão do relacionamento comercial.
Antes da ferramenta, vem a estratégia
Se pudesse voltar ao início do projeto, Beatriz afirma que buscaria mais conhecimento com profissionais experientes e estruturaria melhor a estratégia antes de contratar sistemas.
A razão é simples:
não adianta ter o melhor CRM se a empresa não sabe exatamente o que precisa resolver.
Tecnologia pode acelerar processos, organizar informações e automatizar tarefas. Mas ela não substitui a compreensão sobre a cultura da empresa, o perfil dos clientes e a forma como a operação deve funcionar.
O caminho defendido por Beatriz passa por uma sequência:
entender o cenário → definir processos → estabelecer a cultura → preparar as pessoas → escolher a tecnologia adequada.
Cobrar sem destruir o relacionamento
Talvez um dos pontos mais relevantes da conversa seja a forma como Beatriz enxerga o cliente inadimplente.
Para ela, inadimplência não significa necessariamente insolvência.
Um cliente pode estar enfrentando uma dificuldade momentânea e continuar sendo importante para a empresa.
Por isso, a cobrança precisa considerar a realidade de cada situação.
Negociação, alternativas de pagamento, parcelamento e flexibilização podem fazer parte de uma estratégia que busca recuperar o crédito sem destruir o relacionamento.
A lógica muda completamente quando a cobrança deixa de perguntar apenas:
“Quanto precisamos recuperar?”
E passa a considerar também:
“Como podemos recuperar esse valor e preservar esse cliente?”
Terceirizar não significa perder o controle
A experiência com uma assessoria de cobrança também trouxe aprendizados importantes.
No início, surgiram ruídos relacionados ao discurso utilizado, aplicação de juros, frequência dos contatos e canais de comunicação.
A solução foi estabelecer uma rotina de alinhamento e acompanhamento.
Reuniões semanais, feedbacks de clientes e representantes e ajustes constantes ajudaram a aproximar a operação terceirizada da cultura da empresa.
Com o tempo, ferramentas integradas ao aplicativo da força de vendas e ao backoffice permitiram que diferentes áreas trabalhassem com as mesmas informações.
A terceirização, portanto, não eliminou a necessidade de gestão.
Pelo contrário: exigiu ainda mais alinhamento.
Tecnologia para escalar, não para substituir pessoas
CRM, mensageria, integrações e automação passaram a fazer parte da evolução da operação.
A tecnologia permitiu aumentar a capacidade de atendimento e cobrança sem simplesmente ampliar o número de profissionais na mesma proporção.
Mas Beatriz destaca um desafio que vai além da implantação de sistemas: convencer profissionais que já estavam na empresa há muitos anos de que a tecnologia não tinha como objetivo eliminar seus cargos.
A proposta era diferente.
Retirar tarefas manuais para que as pessoas pudessem dedicar mais tempo às atividades que realmente exigem análise, relacionamento e tomada de decisão.
Nesse sentido, tecnologia e pessoas não aparecem como forças opostas.
Elas formam parte da mesma estratégia.
Pessoas, processos e tecnologia
Ao longo da conversa, uma ideia aparece de diferentes maneiras: processos, pessoas e tecnologia precisam evoluir juntos.
Um processo mal estruturado automatizado continua sendo um processo ruim.
Uma equipe sem preparo não consegue extrair o potencial de uma boa ferramenta.
E uma tecnologia desconectada da realidade do negócio dificilmente produzirá os resultados esperados.
A transformação da cobrança acontece justamente quando esses três elementos passam a trabalhar de forma integrada.
O legado vai além dos números
No encerramento, a conversa volta para a trajetória de Beatriz e para outro aspecto importante de sua atuação: o desenvolvimento de pessoas.
A construção de uma área de crédito e cobrança, a integração com o comercial e a adoção de novas tecnologias representam resultados importantes.
Mas o legado de uma liderança também pode ser medido pelas pessoas que cresceram ao longo desse processo.
A experiência de Beatriz mostra que transformar uma operação não significa apenas melhorar indicadores.
Significa também criar novas possibilidades para quem trabalha nela.
Uma nova forma de enxergar a cobrança
A conversa de Pedro Felipe e Marcos Guerra com Beatriz Albanez mostra que a cobrança pode ocupar um papel muito mais estratégico dentro das empresas.
Quando financeiro, comercial, tecnologia e pessoas trabalham de forma integrada, a recuperação de crédito deixa de ser uma atividade isolada e passa a fazer parte da própria jornada do cliente.
A eficiência não está apenas em cobrar mais rápido.
Está em entender melhor o cliente, escolher a abordagem adequada, utilizar dados, estruturar processos e preservar relações que ainda podem gerar valor no futuro.
No fim, a grande reflexão deixada pelo episódio é que cobrar não precisa significar romper uma relação.
Pode significar encontrar o caminho para recuperá-la.
Assista ao episódio completo
Quer entender como pessoas, processos e tecnologia podem transformar uma operação de Crédito e Cobrança? Assista ao episódio completo com Beatriz Albanez, ao lado de Pedro Felipe e Marcos Guerra, e confira os bastidores da construção de uma operação de cobrança, os desafios da recuperação de crédito e a importância de preservar o relacionamento com o cliente.
Assista ao episódio completo no YouTube






