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Fraude de identidade no crédito: setor financeiro sobe 9,5%

Levantamento da Serasa Experian mostra alta na fraude de identidade no crédito, e o desafio real vira calibrar fricção versus segurança na jornada do cliente sem perder conversão.

A fraude de identidade no setor financeiro meios de pagamento e financeiras, o núcleo do crédito no Brasil somou 1.747.373 tentativas no primeiro semestre de 2026, alta de 9,5% sobre igual período de 2025. É uma tentativa a cada nove segundos no setor financeiro como um todo, e o dado reabre a pergunta que mais pesa na jornada do cliente: quanto de verificação é proteção, e quanto vira fricção que afasta quem é legítimo.

O que mostra o novo levantamento sobre fraude de identidade no crédito

Os números são das soluções antifraude da Serasa Experian, divulgados em 20 de agosto de 2026. Em números absolutos, foram 151.869 tentativas a mais do que nos seis primeiros meses de 2025.

O avanço não é uniforme dentro do setor. Meios de pagamento concentram a maior parte do problema, e financeiras são o segmento que mais acelera:

SegmentoTentativas (1º sem/2026)Crescimento vs. 2025
Setor financeiro (total)1.747.373+9,5%
Meios de pagamento1.219.793+11,9%
Financeirasmais de 50 mil+22,2%

Fonte: Serasa Experian, sala de imprensa, 20/08/2026.

Meios de pagamento respondem por cerca de 70% do volume total e por 86% do crescimento absoluto do semestre, segundo a companhia. Já as financeiras, produtos diretamente ligados à concessão de crédito, cresceram mais que o dobro da média do setor: 22,2% contra 9,5%.

O valor protegido pelas tecnologias antifraude também disparou. Passou de R$ 51,3 milhões para R$ 100,4 milhões, alta de 95,8%, o equivalente a mais de meio milhão de reais barrados por dia. Nas financeiras isoladamente, o valor economizado saltou de R$ 1,9 milhão para R$ 4,2 milhões.

O quadro nacional é mais amplo, e cresce mais rápido

Um segundo levantamento da Serasa Experian, divulgado em 26 de agosto, olha para todos os setores da economia, não só o financeiro.

O total chega a 2.860.957 tentativas, alta de 32,9% no país inteiro, com R$ 3,77 bilhões em prejuízo evitado.

O setor financeiro ainda concentra a maior fatia, 61,1% do total nacional. Mas cresce mais devagar que a média do país. Varejo avançou 120,7% no período, telefonia subiu 51,4% e serviços, 40,2%. O setor financeiro segue como o alvo mais visado do país, porém não é mais o que mais acelera.

A geração Z concentra 28,5% dos casos identificados, à frente da geração X (27,4%) e dos millennials (22%). Sudeste (31,7%) e Nordeste (16,3%) lideram as ocorrências por região, somando juntos quase metade do total nacional.

De onde vêm os dados usados nas fraudes

Parte da resposta está na exposição de dados que o próprio consumidor brasileiro já naturaliza. Levantamento da NordVPN, divulgado pela Consumidor Moderno em 19 de agosto, mostra que 82% dos brasileiros já divulgaram nome completo online, 63% expuseram endereço residencial e 51% compartilharam o CPF em algum momento.

Na dark web, um “fullz”, pacote de identidade completa com CPF, nome e dados suficientes para abrir conta em nome de terceiros, custa a partir de US$ 40. É um preço baixo diante do potencial de fraude que viabiliza, e explica por que abertura de conta e concessão de crédito seguem sendo alvo preferencial.

Análise ContraPonto: fricção e segurança não são inimigas, são desenho de produto

O crescimento de 9,5% nas tentativas de fraude no setor financeiro não é, isoladamente, o dado mais importante deste levantamento. O mais importante é que ele cresce junto com o valor protegido, 95,8%, o que sugere fraudadores mirando transações de maior valor, não apenas mais tentativas de baixo impacto. Isso muda o cálculo de risco de quem desenha a jornada de cadastro.

O erro de tratar verificação como binário

A resposta mais comum de áreas de risco a um salto de fraude é endurecer a régua de verificação para todo mundo. É também a resposta mais cara em termos de experiência: cada camada extra de documento, selfie ou pergunta de segurança derruba conversão de onboarding, inclusive para quem não representa risco nenhum.

Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, resume a alternativa no próprio release: a proteção precisa combinar análise cadastral, validação de documentos, biometria, inteligência de dispositivo e avaliação de comportamento, para achar inconsistência sem criar barreira ao cliente legítimo.

Na prática, isso é autenticação baseada em risco: fricção variável, não fixa. Cadastro com sinais de risco baixo (dispositivo reconhecido, comportamento consistente, dado cadastral batendo com base de terceiros) segue fluxo leve. Sinais de risco alto acionam camada extra, biometria ou validação manual, só para quem os aciona.

O cliente barrado por engano também é jornada

Toda régua antifraude erra em algum grau, e barra cliente legítimo. Esse falso positivo raramente aparece em métrica de segurança, que mede bloqueio de fraude, mas aparece direto em métrica de experiência: reclamação, abandono de cadastro, avaliação negativa em canais como Reclame Aqui.

Tratar o cliente barrado por engano como incidente de CX, com canal de contestação rápido e time preparado para resolver sem reabrir todo o processo do zero, é tão parte da estratégia antifraude quanto o modelo de risco em si. Empresa que só mede taxa de bloqueio de fraude, sem medir taxa de falso positivo, está olhando metade do problema.

Verificação melhor também protege quem já é cliente inadimplente

O mesmo dado de identidade roubada que abre conta fraudulenta também alimenta contato indevido na régua de cobrança: CPF usado por terceiro em compra parcelada gera dívida cobrada da pessoa errada, que nunca fez a compra. Verificação de identidade mais rigorosa na entrada do cliente reduz esse risco na ponta de recuperação, mesmo que a fraude tenha acontecido meses antes, em outro canal.

É o mesmo argumento de confiança discutido na cobertura do ContraPonto sobre confiança na jornada de cobrança: consumidor que recebe cobrança de dívida que não reconhece perde confiança na régua inteira, mesmo quando o erro nasceu na ponta de cadastro, não na de cobrança.

O elo mais fraco está em financeiras que crescem rápido

Financeiras cresceram 22,2% em tentativas de fraude, mais que o dobro da média do setor. É um segmento que também vive expansão de licenças e carteira, como mostrou a cobertura do ContraPonto sobre o risco de crédito em fintechs que buscam licença de SCFI — Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.

Crescer carteira rápido, com estrutura de verificação que não escala na mesma velocidade, é o cenário em que fraude de identidade tende a concentrar dano.

Como aplicar: cinco passos para blindar o cadastro sem multiplicar fricção

  • Adote autenticação baseada em risco. Reserve camada extra de verificação (biometria, validação manual) para cadastros com sinal de risco elevado, não para 100% dos usuários.
  • Meça falso positivo com o mesmo rigor que mede fraude bloqueada. Sem essa métrica, a operação não sabe quanto cliente legítimo perde no caminho.
  • Crie canal de contestação rápido para bloqueio indevido. Cliente barrado por engano que precisa recomeçar o cadastro do zero é experiência que gera cancelamento e reclamação pública.
  • Cruze verificação de identidade no cadastro com a régua de cobrança. Reduz a chance de cobrar CPF usado por fraudador em nome de terceiro.
  • Priorize reforço de verificação onde a carteira cresce mais rápido. Segmentos em expansão acelerada de crédito são onde a fraude tende a concentrar tentativas.

Métricas para acompanhar: taxa de conversão do onboarding, taxa de bloqueio por fraude, taxa de falso positivo (cliente legítimo barrado), tempo médio de aprovação de cadastro e CSAT (índice de satisfação do cliente) específico do fluxo de verificação.

O que fica desse levantamento

A fraude de identidade no setor financeiro segue sendo o alvo mais concentrado do país em volume, mas não é mais o segmento que mais cresce, o que muda a urgência relativa entre setores.

Para quem lidera experiência do cliente em crédito e cobrança, o recado da Serasa Experian é que segurança e fricção não competem pelo mesmo orçamento: competem pelo mesmo desenho, e esse desenho pode variar por risco, não por regra fixa para todos.

Para acompanhar como o mercado de crédito e cobrança brasileiro lida com verificação de identidade e experiência do cliente, acompanhe também o podcast e a newsletter do ContraPonto.

Redação Contraponto

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