Da técnica à estratégia
O que muda quando o advogado passa a liderar um negócio

No quarto episódio do Café com Experts, Léo Godoy e Rodrigo Oliveira recebem Raissa Montouro, sócia da Vigna Advogados, para uma conversa que vai muito além da advocacia. O episódio discute os desafios de transformar conhecimento técnico em visão estratégica, passando por empreendedorismo, gestão de pessoas, processos, tecnologia, experiência do cliente e os desafios de construir um negócio sustentável.
Quem é a convidada
Raissa Montouro é advogada e sócia da Vigna Advogados, onde atua há mais de 11 anos. Sua trajetória começou como advogada júnior e rapidamente avançou para posições de gestão, assumindo uma carteira com cerca de 40 mil processos e, posteriormente, a liderança de diferentes áreas da operação do escritório. Hoje, participa da gestão operacional, tecnologia, recuperação de crédito, tributário e cível, em uma estrutura que reúne mais de 500 profissionais e mais de 15 filiais. Sua experiência combina conhecimento jurídico, gestão, tecnologia e visão empresarial.
Da técnica à estratégia
Um dos principais pontos da conversa é a mudança de perspectiva que acontece quando um profissional deixa de atuar exclusivamente na execução técnica e passa a assumir responsabilidades de gestão.
Raissa conta como essa transformação aconteceu em sua própria carreira. Ao assumir uma carteira de 40 mil processos poucos meses depois de entrar na Vigna, percebeu que entregar um bom trabalho jurídico já não era suficiente. Era preciso entender pessoas, processos, custos, tecnologia, clientes e, principalmente, o negócio como um todo.
A discussão traz uma reflexão importante para profissionais de diferentes áreas: ser tecnicamente bom não significa necessariamente estar preparado para liderar uma empresa.
Pessoas, processos e tecnologia
Ao longo do episódio, os participantes reforçam que crescimento não acontece apenas com a entrada de mais pessoas ou com a adoção de novas ferramentas.
Para Raissa, três elementos precisam caminhar juntos: pessoas, processos e tecnologia.
Processos bem estruturados permitem criar padrões. E padrões possibilitam escala. Sem essa estrutura, a tecnologia não resolve necessariamente os problemas de uma empresa — pode apenas fazer com que eles aconteçam mais rápido.
A liderança também aparece como elemento central. Gerir profissionais com formações, experiências e objetivos diferentes exige uma cultura organizacional capaz de manter as pessoas conectadas ao propósito do negócio.
IA na advocacia: velocidade não substitui estratégia
A inteligência artificial também entrou na conversa.
Raissa explica que a IA já facilita atividades relacionadas a textos, interpretação e produção de conteúdo, trazendo ganhos de velocidade para a advocacia. Mas existe um limite importante: a tecnologia ainda não substitui a capacidade intelectual e estratégica necessária para definir como conduzir um processo.
O episódio também aborda os riscos do uso inadequado da IA no ambiente jurídico, incluindo situações de prompt injection e a necessidade de revisão humana antes que conteúdos gerados por tecnologia sejam utilizados em documentos jurídicos.
A discussão reforça uma questão que ultrapassa o setor jurídico: quanto mais tecnologia entra na operação, maior precisa ser a capacidade humana de avaliar, decidir e assumir responsabilidade.
Experiência do cliente também passa pela comunicação
Outro momento importante da conversa acontece quando os participantes discutem a relação entre advogado e cliente.
Não basta executar corretamente um processo. O cliente precisa entender o que está acontecendo.
Raissa explica que a Vigna trabalha com relatórios e ferramentas próprias para acompanhar processos e traduzir informações jurídicas para uma linguagem que faça sentido para quem não é da área.
É uma mudança de perspectiva importante: não basta ter informação disponível; é preciso transformar informação em entendimento.
Empreender exige mais do que conhecimento técnico
O episódio também conversa diretamente com quem pensa em abrir o próprio negócio.
Raissa destaca a importância de construir uma estrutura mínima, desenvolver uma rede de contatos, entender o perfil comercial do negócio e buscar pessoas que complementem suas próprias competências.
Léo e Rodrigo exploram justamente essa relação entre o perfil técnico e o comercial. Enquanto um profissional pode ter grande capacidade de execução, outro pode ser responsável por enxergar oportunidades, criar relacionamentos e acelerar o crescimento.
O equilíbrio entre esses perfis pode ser decisivo para transformar uma boa ideia em uma operação capaz de crescer.
Recuperação judicial e os novos desafios para empresas
A conversa também chega à recuperação judicial e aos impactos que esse cenário provoca para empresas, fornecedores e profissionais que atuam com recuperação de crédito.
Raissa explica que a recuperação judicial pode oferecer tempo para que uma empresa organize suas dívidas e apresente um plano de pagamento, mas também pode representar impactos importantes para os credores.
O tema ganha ainda mais relevância diante dos desafios enfrentados pelo varejo e por empresas de diferentes setores.
Uma conversa sobre carreira, gestão e visão de negócio
Mais do que falar sobre advocacia, o episódio mostra como os desafios de gestão se repetem em diferentes mercados.
Construir processos, desenvolver pessoas, entender o cliente, utilizar tecnologia de maneira estratégica e equilibrar execução com visão de negócio são competências que ultrapassam qualquer profissão.
E talvez essa seja uma das principais mensagens do episódio: em determinado momento da carreira, deixar de apenas executar e começar a pensar estrategicamente deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade.
O que você precisa deixar de executar para começar a liderar?
Assista ao Café com Experts Ep. 04 — Da técnica à estratégia e acompanhe a conversa completa com Raissa Montouro, Léo Godoy e Rodrigo Oliveira.
O episódio está disponível no YouTube e no Spotify.







