Crédito cresce no Brasil, mas inadimplência atinge maior nível da série histórica
Inadimplência recorde preocupa instituições financeiras

Dados do Banco Central mostram avanço do estoque de crédito em maio, enquanto a inadimplência nas operações com recursos livres alcança o maior patamar desde 2011, reforçando os desafios para bancos, empresas e consumidores.
O mercado de crédito brasileiro continua em expansão, mas os indicadores de qualidade da carteira acendem um sinal de atenção. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o estoque total de crédito cresceu 0,6% em maio, alcançando R$ 7,3 trilhões. Ao mesmo tempo, a inadimplência nas operações com recursos livres subiu para 6,2%, o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011.
O cenário evidencia um movimento importante para o mercado financeiro: apesar da continuidade da oferta de crédito, famílias e empresas enfrentam maior dificuldade para manter os pagamentos em dia, pressionadas pelo custo elevado do dinheiro e por um ambiente econômico ainda desafiador.
Estoque de crédito mantém trajetória de crescimento
Mesmo com juros elevados, o volume de crédito concedido no país continua avançando. Em maio, o saldo das operações cresceu 0,6% em relação ao mês anterior, impulsionado principalmente pelas linhas direcionadas, enquanto o crédito livre apresentou evolução mais moderada.
O crescimento demonstra que empresas e consumidores seguem recorrendo ao crédito para financiar consumo, investimentos e capital de giro, mantendo a atividade econômica aquecida em diversos segmentos.
Inadimplência recorde preocupa instituições financeiras
Se por um lado o crédito continua crescendo, por outro a inadimplência alcançou um marco histórico.
Nas operações com recursos livres — modalidade em que bancos definem livremente as condições de financiamento — a taxa chegou a 6,2%, superando o recorde da série iniciada pelo Banco Central em 2011.
Entre as modalidades que mais contribuíram para esse avanço estão:
- financiamento de veículos;
- crédito pessoal sem garantia;
- crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
Juros continuam pressionando famílias e empresas
Os dados também mostram diferenças significativas entre as modalidades de crédito.
Enquanto o crédito consignado para trabalhadores do setor privado apresentou taxa média anual de 54,1%, o crédito pessoal sem garantia registrou juros de 142,7% ao ano, evidenciando como o risco influencia diretamente o custo do financiamento.
Esse cenário reforça a importância de políticas de concessão mais precisas e de ferramentas capazes de avaliar melhor a capacidade de pagamento dos clientes.
Tecnologia ganha protagonismo na gestão do risco
Com o aumento da inadimplência, cresce também a necessidade de decisões de crédito mais inteligentes.
Ferramentas baseadas em Inteligência Artificial, Open Finance, análise de dados e modelos preditivos permitem compreender melhor o comportamento financeiro dos clientes, reduzindo riscos e aumentando a precisão das concessões.
Ao mesmo tempo, bancos e fintechs ampliam investimentos em automação e monitoramento contínuo das carteiras para antecipar sinais de deterioração antes que a inadimplência se consolide.
Crescimento exige equilíbrio entre expansão e qualidade
Os números mostram que o mercado brasileiro continua demandando crédito, mas também deixam claro que crescimento sustentável depende de uma gestão eficiente do risco.
Para instituições financeiras, o desafio não está apenas em ampliar a carteira, mas em manter sua qualidade por meio de análises mais completas, uso de tecnologia e estratégias que conciliem expansão dos negócios com segurança financeira.
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Os dados do Banco Central reforçam que crescimento sustentável depende não apenas da oferta de crédito, mas também da construção de confiança, inovação e capacidade de adaptação às mudanças do mercado. Esse mesmo princípio aparece em diferentes setores da economia. No Portal ContraPonto, confira também a reportagem “A evolução de uma marca em 25 anos: como o Sem Parar transformou conveniência em estratégia de negócios”, que mostra como branding e experiência do cliente foram fundamentais para ampliar a relevância da marca além dos pedágios: https://portalcontraponto.com.br/capa/branding-sem-parar-evolucao-marca-25-anos/. Vale a leitura ainda da análise “IA impulsiona sustentabilidade no agronegócio e fortalece competitividade do Brasil”, que demonstra como o uso estratégico da Inteligência Artificial está gerando ganhos de eficiência, produtividade e tomada de decisão baseada em dados, uma tendência que também vem transformando o mercado de crédito e os serviços financeiros: https://portalcontraponto.com.br/capa/ia-impulsiona-sustentabilidade-no-agronegocio-e-fortalece-competitividade-do-brasil/.






