CAPA

Muito além do atendimento: o que realmente define a experiência do cliente

No episódio mais recente da Jornada do Cliente no Podcast ContraPonto, Alessandra Bonini e Bianca Marques receberam Monique Nascimento para uma conversa que vai além do discurso comum sobre experiência do cliente.

O episódio deixa claro desde o início: CX não é atendimento.
É estratégia, cultura e, principalmente, conexão real com o cliente.

Ao longo da conversa, um ponto central se destaca: muitas empresas ainda acreditam que estão entregando uma boa experiência, mas os dados mostram outra realidade.

A ilusão da boa experiência

Existe um dado que resume bem esse cenário.

Segundo uma pesquisa citada durante o episódio, cerca de 80% das empresas acreditam que entregam uma excelente experiência, mas apenas 8% dos clientes concordam com isso.

Esse gap não é operacional.
É estrutural.

Ele mostra que o problema não está apenas na execução, mas na forma como as empresas enxergam o cliente.

Enquanto a empresa olha para processo, o cliente sente a experiência.

Experiência do cliente não começa no atendimento

Um dos pontos mais relevantes do episódio é a quebra de um dos maiores mitos do mercado:

A experiência do cliente não começa no atendimento.

Ela começa dentro da empresa.

Mais especificamente:

  • na cultura
  • na forma como os colaboradores são preparados
  • na forma como as áreas se conectam

Se quem está na ponta não tem contexto, autonomia e preparo, a experiência nunca será consistente.

E é aqui que muitas operações falham.

Elas tratam CX como responsabilidade do atendimento, quando na prática é responsabilidade de toda a organização.

O erro de tratar indicador em vez de cliente

Outro ponto forte da conversa é a crítica direta a um comportamento comum no mercado:

Empresas que gerenciam indicadores — não clientes.

Quando a operação é guiada por:

  • TMA
  • volume
  • metas de produtividade

sem considerar o contexto da jornada, o resultado é previsível:

  • experiências frias
  • clientes frustrados
  • alto churn

Resolver rápido não é o mesmo que resolver bem.

Personalização não é ter infinitos processos

Um dos grandes dilemas discutidos no episódio é a dificuldade de escalar personalização.

A provocação é clara:

Como personalizar sem criar centenas de processos?

A resposta passa por maturidade.

Não se trata de criar um processo para cada cliente, mas de:

  • entender perfis
  • mapear jornadas
  • dar autonomia para quem está na ponta

Processo não pode ser script engessado.

Ele precisa ser guia, não prisão.

Tecnologia ajuda — mas não resolve sozinha

A conversa também traz uma leitura importante sobre o uso de tecnologia, especialmente IA.

A tecnologia pode:

  • acelerar
  • automatizar
  • escalar

Mas ela não substitui:

  • escuta
  • interpretação
  • contexto

Quando mal aplicada, ela gera exatamente o oposto do que promete:

  • fricção
  • retrabalho
  • frustração

Um exemplo citado no episódio ilustra bem isso: quando o cliente passa por chatbot, chega ao humano e precisa repetir toda a história.

Isso não é tecnologia.

É desconexão.

O poder da escuta na experiência do cliente

Se existe um ponto que resume o episódio, é este:

Cliente não quer apenas solução.
Cliente quer ser ouvido.

Muitas vezes, o que gera atrito não é a falta de resolução, mas a falta de:

  • clareza
  • explicação
  • atenção

A experiência acontece na forma, não só no resultado.

Cultura customer centric não é discurso

Outro destaque da conversa é o conceito de cultura customer centric.

E aqui não tem romantização.

Para existir de verdade, precisa vir de cima:

  • liderança envolvida
  • decisões baseadas em cliente
  • integração entre áreas

Não é sobre ter NPS.

É sobre usar o que o cliente fala para mudar o negócio.

O que as empresas ainda não entenderam

O episódio deixa uma provocação clara:

Muitas empresas ainda estão preocupadas em resolver o problema delas — não o do cliente.

E isso aparece em:

  • jornadas quebradas
  • processos desconectados
  • experiências inconsistentes

Enquanto isso não mudar, CX continua sendo discurso — não resultado.

Conclusão: experiência é conexão, não processo

No final, a principal mensagem do episódio é simples — e poderosa:

Experiência do cliente não está no processo. Está na forma como você se conecta com ele.

Isso exige:

  • escuta real
  • menos julgamento
  • mais contexto
  • mais integração

Porque no fim…

não é o atendimento que define a experiência.

É a jornada inteira.

Sobre o episódio

Podcast ContraPonto – Jornada do Cliente #27
Tema: Muito além do chamado
Participação: Monique Nascimento
Assista no Youtube: https://youtube.com/live/Uclnrsw2fV8

Principais insights do episódio

  • Empresas superestimam a qualidade da experiência que entregam
  • CX começa dentro da empresa, não no atendimento
  • Indicadores não substituem entendimento do cliente
  • Personalização não depende de mais processos, mas de mais inteligência
  • Tecnologia sem contexto gera frustração
  • Escuta ativa ainda é o maior diferencial competitivo

Redação Contraponto

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