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Funcionários do Will Bank enfrentam incerteza após liquidação e aguardam salários e rescisões

Mais de mil trabalhadores relatam falta de comunicação, dúvidas sobre verbas trabalhistas e impactos imediatos na renda

Uma semana após a decretação da liquidação do Will Bank, mais de 1.000 funcionários e ex-funcionários seguem em um cenário de incerteza sobre o pagamento de salários, benefícios e verbas rescisórias. Sem um cronograma oficial divulgado pela instituição ou pelo liquidante, trabalhadores relatam dificuldade para planejar o futuro profissional e financeiro, enquanto aguardam definições formais sobre o encerramento dos contratos.

O caso expõe não apenas os efeitos financeiros imediatos da liquidação de uma instituição financeira, mas também os impactos humanos e trabalhistas de um processo marcado por comunicação limitada e ausência de prazos claros.

Falta de informações agrava insegurança dos trabalhadores

Segundo relatos de funcionários ouvidos pela imprensa, não há confirmação sobre o pagamento do salário de fevereiro nem sobre benefícios como vale-refeição e vale-alimentação, tradicionalmente creditados neste período. A ausência de posicionamento oficial do banco aprofunda a insegurança, especialmente para quem depende exclusivamente dessa renda.

Parte dos profissionais já iniciou processos seletivos ou recebeu propostas de emprego, mas não consegue definir data de início por não saber quando os contratos atuais serão formalmente rescindidos. Procurado, o Will Bank não se manifestou.

Impactos financeiros imediatos e situações críticas

Há relatos de gestores que chegaram a emprestar dinheiro a integrantes de suas equipes, já que muitos tinham recursos depositados no próprio banco e ficaram sem acesso após a liquidação. Casos mais sensíveis envolvem funcionários em licença-maternidade, que não sabem se manterão o plano de saúde nem como ficarão os pagamentos durante o período.

Desde o anúncio da liquidação, a maior parte dos trabalhadores teve seus acessos a sistemas e ferramentas corporativas bloqueados, permanecendo sem atividades e sem canais formais de comunicação. As informações passaram a circular principalmente por grupos de WhatsApp e redes sociais.

Cultura interna e surpresa com a decisão do BC

Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank cresceu com forte presença digital e marketing agressivo, especialmente no Nordeste, chegando a cerca de 9 milhões de clientes. Internamente, segundo funcionários, o clima até então era de otimismo, com expectativas de venda da operação ou de uma transição organizada.

A decisão do Banco Central do Brasil de decretar a liquidação foi descrita como inesperada pela maioria das equipes. A instituição estava sob regime de administração especial temporária desde novembro, mas ainda havia expectativa de continuidade.

Por que o Will Bank foi liquidado

A liquidação extrajudicial é adotada quando o Banco Central avalia que a situação da instituição é irreversível. Nesse caso, o funcionamento do banco é interrompido e ele é retirado do sistema financeiro nacional.

Segundo o BC, não foi possível encontrar uma solução após o Will Bank deixar de honrar pagamentos aos participantes da cadeia de cartões de crédito, incluindo a Mastercard. De acordo com o Fundo Garantidor de Créditos, a liquidação deve resultar no reembolso de cerca de R$ 6,3 bilhões aos clientes.

O que acontece com os funcionários em caso de liquidação

Em processos de liquidação extrajudicial, os créditos trabalhistas têm natureza alimentar e ocupam posição prioritária na ordem de pagamento. Salários, verbas rescisórias, férias e 13º salário devem ser pagos antes da maioria dos demais credores.

Segundo especialistas em direito do trabalho, a liquidação não implica rescisão automática dos contratos. É necessária a formalização da demissão, geralmente sem justa causa. Em alguns casos, o liquidante pode manter parte dos funcionários temporariamente para auxiliar no encerramento das atividades.

Direitos trabalhistas e pagamento das verbas

Em caso de demissão, os trabalhadores têm direito a todas as verbas previstas em lei e nos instrumentos coletivos da categoria. No entanto, não há prazo legal definido para o pagamento das verbas rescisórias em processos de liquidação extrajudicial.

A legislação exige o cumprimento de etapas formais, como habilitação de créditos, verificação de valores e disponibilidade de ativos. A Lei 6.024 de 1974 estabelece que o prazo inicial da intervenção pode chegar a seis meses, prorrogável por igual período.

Habilitação como credor e orientação jurídica

Em regra, os trabalhadores precisam se habilitar como credores no processo de liquidação, apresentando documentos que comprovem vínculo empregatício e valores devidos. Caso haja divergência, é possível recorrer à Justiça do Trabalho para definição dos créditos.

Especialistas recomendam que os funcionários procurem o sindicato da categoria ou assessoria jurídica, além de preservar documentos e provas do vínculo de trabalho, que podem ser essenciais em eventuais disputas.

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região informou que iniciou monitoramento intensivo do caso e busca contato com a equipe do liquidante nomeada pelo Banco Central para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.

Incerteza que vai além do financeiro

Além do impacto econômico, funcionários relatam frustração emocional com o fim abrupto de uma empresa descrita como ambiente de aprendizado e forte cultura interna. Para muitos, a liquidação representou não apenas a perda do emprego, mas a ruptura de um projeto profissional construído ao longo dos anos.

O caso do Will Bank evidencia que, em processos de liquidação financeira, os efeitos sobre os trabalhadores são profundos e duradouros, exigindo não apenas soluções jurídicas, mas também maior transparência e comunicação por parte das instituições envolvidas.

Redação Contraponto

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