Saldo das operações de crédito se mantém em R$ 6,5 trilhões em janeiro

O Banco Central divulgou recentemente o relatório das Estatísticas Monetárias e de Crédito referente ao mês de janeiro de 2025. Segundo os dados apresentados, o saldo das operações de crédito no Brasil manteve-se estável em R$ 6,5 trilhões, repetindo o valor registrado em dezembro de 2024.
Essa estabilidade reflete a dinâmica do mercado financeiro e os impactos das políticas econômicas sobre o crédito disponível para empresas e consumidores.
Evolução do crédito ao longo dos anos
A trajetória do saldo das operações de crédito demonstra um crescimento significativo nos últimos anos. Veja a evolução:
- Janeiro de 2025: R$ 6,5 trilhões
- Janeiro de 2024: R$ 5,8 trilhões
- Janeiro de 2023: R$ 5,4 trilhões
- Janeiro de 2022: R$ 4,7 trilhões
- Janeiro de 2021: R$ 4 trilhões
O crescimento contínuo do crédito reflete o aumento da demanda por financiamento e a expansão da economia brasileira, que tem registrado maior acesso ao crédito tanto para empresas quanto para pessoas físicas.
Crédito para pessoas físicas e jurídicas
Em janeiro de 2025, o crédito para pessoas físicas apresentou um crescimento de 1,2%, totalizando R$ 4 trilhões. Esse aumento foi essencial para compensar a queda registrada no crédito para pessoas jurídicas, que recuou 1,8%, chegando a R$ 2,5 trilhões. Esse cenário indica uma maior procura por financiamento por parte dos consumidores, enquanto as empresas demonstraram maior cautela na busca por crédito.
Expansão do crédito no sistema financeiro nacional
Nos últimos 12 meses, o saldo de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) apresentou um crescimento de 11,7%, acelerando em relação ao aumento de 11,5% registrado no mês anterior. Esse avanço sinaliza um fortalecimento da concessão de crédito no país, impulsionado por fatores como a redução da taxa de juros e o crescimento econômico.
Crédito livre e direcionado
Os dados do Banco Central também detalham a evolução dos diferentes tipos de crédito disponíveis no mercado:
Crédito livre
O saldo das operações de crédito com recursos livres – ou seja, aqueles negociados diretamente no mercado sem subsídios governamentais – atingiu R$ 3,7 trilhões. Embora tenha apresentado uma leve redução de 0,5% no mês, houve um crescimento de 11,5% em relação a janeiro de 2024.
O crédito livre para empresas somou R$ 1,5 trilhão, com um recuo de 3,2% no mês, mas um avanço de 9,7% em 12 meses. Esse declínio foi impulsionado pela queda na carteira de desconto de duplicatas e outros recebíveis (-15,6%) e pela redução nos estoques de capital de giro total (-1,0%) e no adiantamento de contratos de câmbio (ACC) (-2,4%).
Já o crédito livre para famílias apresentou um avanço de 1,4% no mês e um crescimento de 12,7% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 2,2 trilhões. Esse aumento reflete uma maior demanda por financiamentos e crédito pessoal por parte dos consumidores.
Crédito direcionado
O saldo das operações de crédito direcionado – aqueles com recursos subsidiados por governos ou estatais – totalizou R$ 2,7 trilhões. No mês, houve um crescimento de 0,9%, enquanto a alta acumulada em 12 meses foi de 12,1%. Esse segmento do crédito é essencial para impulsionar setores estratégicos da economia, como habitação e infraestrutura.
O mercado de crédito brasileiro continua crescendo de forma consistente, impulsionado pela demanda dos consumidores e pelo aumento das operações de crédito direcionado. No entanto, a queda no crédito para empresas pode indicar um momento de maior cautela por parte do setor corporativo. O desempenho do crédito nos próximos meses dependerá da evolução da economia, das taxas de juros e da confiança do mercado.