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CAPA

Transformação digital no financeiro e o desafio de estruturar dados antes da IA

A inteligência artificial deixou de ser tendência para virar pressão competitiva.

Mas no mercado financeiro, crédito, cobrança e operações corporativas, a discussão mais importante talvez ainda não seja IA. E sim estrutura.

No Podcast ContraPonto Ep. 259, Pedro Felipe e Marcos Guerra receberam Bruno Baldini, CEO e CRO da Vertigo, para uma conversa profunda sobre transformação digital, automação, APIs, governança e o verdadeiro papel da inteligência artificial dentro das empresas.

O episódio deixou claro um ponto: muitas empresas ainda estão apenas digitalizando problemas antigos.

Segundo Bruno, o maior erro das organizações hoje é acelerar processos usando IA sem antes resolver a base estrutural de dados e integração.

“IA sem dados organizados só gera sujeira em escala.”

A discussão vai muito além de chatbots ou atendimento automatizado. O episódio mergulha na transformação agêntica, no uso corporativo da IA em larga escala e em como empresas estão redesenhando operações inteiras utilizando agentes inteligentes, APIs e automação.

Quem é Bruno Baldini

Bruno Baldini é CEO e CRO da Vertigo, empresa especializada em transformação digital corporativa, integração de sistemas, inteligência artificial e arquitetura enterprise. Com mais de 27 anos de trajetória dentro da companhia, Bruno começou como estagiário e participou diretamente da construção da Vertigo até se tornar uma das principais lideranças da empresa.

Hoje, atua liderando projetos de transformação digital em grandes organizações dos setores financeiro, seguros, telecom e tecnologia, com foco em APIs, cloud, dados, IA e modernização de arquiteturas corporativas.

Além da atuação executiva, Bruno também se tornou uma referência em discussões sobre IA aplicada a ambientes regulados, grafos de conhecimento, integração enterprise e transformação organizacional. Recentemente participou de eventos e debates sobre IA multiagente, plataformas digitais e governança de dados em grandes empresas brasileiras.

O financeiro ainda é operacional demais

Ao longo da conversa, surgiu uma provocação importante:

o financeiro já virou uma área estratégica ou ainda continua excessivamente operacional?

A resposta foi direta: apesar do avanço tecnológico, muitas operações financeiras ainda dependem de tarefas manuais, retrabalho, validações excessivas e processos desconectados.

Nesse cenário, a transformação digital não significa apenas automatizar atividades.

Significa repensar completamente o fluxo operacional.

Bruno trouxe exemplos claros de empresas que investiram pesado em inteligência artificial, mas tiveram que voltar etapas porque a fundação tecnológica ainda não estava pronta.

O problema não era a IA.

Era a arquitetura.

“Não existe IA sem API e sem dados”

Um dos conceitos centrais do episódio foi a relação entre dados, APIs e inteligência artificial.

Segundo Bruno Baldini, esse é o tripé que sustentará as empresas mais competitivas dos próximos anos:

  • Dados estruturados
  • APIs conectando sistemas
  • IA operando sobre essa base confiável

Sem isso, qualquer iniciativa de automação tende a fracassar.

O episódio explica como APIs deixaram de ser apenas uma camada técnica e passaram a representar uma estratégia de negócio.

São elas que permitem interoperabilidade entre sistemas antigos, plataformas modernas, agentes inteligentes e estruturas corporativas complexas.

E esse problema é mais comum do que parece.

Grandes empresas ainda operam com sistemas legados desconectados, múltiplas bases de clientes e informações inconsistentes entre áreas.

O resultado?

Experiência ruim, baixa produtividade e dificuldade de escalar inovação.

IA além do chatbot

Outro ponto importante levantado durante o episódio foi a visão limitada que parte do mercado ainda possui sobre inteligência artificial.

Enquanto muita gente associa IA apenas a chatbots e atendimento automatizado, as aplicações mais estratégicas hoje acontecem no backoffice.

Bruno citou exemplos de uso corporativo em:

  • análise de crédito
  • combate à fraude
  • previsão de comportamento
  • forecast financeiro
  • planejamento operacional
  • automação jurídica
  • compliance
  • análise de contratos
  • prevenção à lavagem de dinheiro
  • orquestração de workflows complexos

Além disso, o episódio aprofunda o conceito de agentes de IA.

Não apenas inteligências conversacionais, mas estruturas capazes de coordenar fluxos operacionais inteiros, direcionar atividades humanas e automatizar tomadas de decisão.

Segundo Bruno, muitas empresas já estão usando agentes inteligentes para organizar filas de atendimento, priorizar operações e direcionar equipes em tempo real.

O medo da IA ainda trava muitas empresas

A conversa também abordou um tema delicado: resistência cultural.

Mesmo com toda a evolução tecnológica, ainda existe muito medo dentro das empresas.

Muitos profissionais enxergam a IA como ameaça direta ao emprego.

E isso cria barreiras internas para inovação.

Bruno trouxe uma reflexão que resume bem o cenário atual:

“Você não vai perder seu emprego para uma IA. Vai perder para alguém que usa IA melhor do que você.”

O episódio mostra como transformação digital é muito mais um desafio de cultura organizacional do que apenas tecnologia.

As empresas que conseguirem acelerar aprendizado, adaptação e mudança de comportamento terão vantagem competitiva enorme nos próximos anos.

Segurança virou protagonista

Outro tema que ganhou força no episódio foi segurança da informação.

Com o avanço da IA generativa, deepfakes e automações inteligentes, as áreas de segurança passaram a ter papel central dentro das organizações.

Bruno explicou como ataques de ransomware, vazamento de dados e engenharia social estão se tornando cada vez mais sofisticados.

Inclusive utilizando inteligência artificial para aplicar golpes mais convincentes.

O episódio alerta para um novo cenário:

não basta apenas adotar IA.

É preciso governar IA.

A transformação digital agora é estrutural

O episódio 259 do Podcast ContraPonto mostra que a transformação digital entrou numa nova fase.

A discussão deixou de ser apenas sobre inovação.

Agora é sobre sobrevivência competitiva.

Empresas que estruturarem dados, integrarem sistemas e criarem governança consistente terão capacidade de escalar IA de forma sustentável.

As demais correm o risco de apenas acelerar ineficiência.

Mais do que implementar tecnologia, o mercado agora precisa aprender a reconstruir operações inteiras para um novo modelo de negócios orientado por dados, APIs e inteligência artificial.

O futuro já começou.

E, segundo Bruno Baldini, ele será decidido por quem conseguir transformar informação em vantagem competitiva.

O episódio completo já está disponível no canal do Podcast ContraPonto no YouTube.

Redação Contraponto

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