CAPA

Recuperação de crédito e experiência do cliente não são opostos são complementares

A forma como a cobrança é conduzida redefine o resultado financeiro e a relação com o cliente

Durante muito tempo, a recuperação de crédito foi tratada como uma atividade essencialmente financeira.
O foco estava no valor em aberto, no prazo vencido e na meta de recuperação.

Mas, na prática, a cobrança nunca foi apenas sobre dinheiro.
Ela sempre foi sobre pessoas. E os números do setor deixam isso cada vez mais evidente.

Matéria da Colunista: Claudete Cordeiro

Hoje, o Brasil convive com um cenário de inadimplência estrutural. Em fevereiro de 2026, o país alcançou 81,7 milhões de pessoas em situação de inadimplência, um crescimento consistente ao longo da última década.

Isso significa que a cobrança deixou de ser uma exceção na jornada do cliente.
Ela passou a ser parte recorrente da vida financeira de milhões de pessoas.

E, nesse contexto, a forma como as empresas conduzem essa conversa faz toda a diferença.

Os dados mais recentes ajudam a dimensionar o impacto da cobrança na experiência do cliente.

Em 2025, cerca de 36,5% da população adulta brasileira estava inadimplente, com dívida média superior a R$ 4.600 por pessoa.

Entre as empresas, o cenário também chama atenção.
O número de organizações com contas em atraso atingiu 8,7 milhões de CNPJs, com dívidas que somam mais de R$ 204 bilhões.

Esses números mostram uma realidade importante:

A cobrança não é um processo pontual.
Ela é uma atividade permanente dentro da jornada do cliente.

E quanto maior o volume de inadimplência, maior a responsabilidade das organizações em conduzir esse momento com inteligência e sensibilidade.

Episódio com a Colunista Claudete Cordeiro – Jornada do Consumidor

Recuperar crédito é difícil e depende da qualidade da interação

Outro dado relevante ajuda a entender o desafio operacional das equipes de cobrança.

Segundo o Indicador de Recuperação de Crédito da Serasa Experian, aproximadamente 40% das dívidas são regularizadas em até 60 dias após a negativação.

Isso significa que:

mais da metade das dívidas não é resolvida rapidamente

muitos clientes permanecem em atraso por períodos prolongados

a persistência da inadimplência exige estratégia não apenas insistência

E aqui surge um ponto crítico.

Quando a cobrança se baseia apenas em volume de contatos, pressão ou repetição de mensagens, o resultado tende a ser limitado.

Mas quando a abordagem é estruturada, clara e orientada à solução, a probabilidade de recuperação aumenta.

Não por gentileza. Por eficiência.

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A experiência do cliente impacta diretamente o resultado financeiro

Existe um mito antigo nas operações de cobrança:
a ideia de que cuidar da experiência do cliente reduz a efetividade da recuperação.

Os dados mostram o contrário.

Por exemplo:

Nos últimos anos, iniciativas estruturadas de negociação e relacionamento com clientes inadimplentes geraram mais de 10 milhões de acordos em apenas dois meses em programas nacionais de renegociação de dívidas.

Isso evidencia um ponto fundamental:

Quando a abordagem muda, o comportamento do cliente também muda.

Clientes que se sentem respeitados: respondem mais, negociam mais, cumprem mais acordos e retornam como clientes ativos.

Ou seja:
experiência e resultado caminham juntos.

A qualidade da conversa define o desfecho da cobrança

Em muitas operações, a diferença entre recuperar ou perder um crédito não está no valor da dívida.

Está na forma como a conversa acontece.

Uma comunicação confusa gera insegurança.
Uma abordagem ríspida gera resistência.
Uma negociação mal-conduzida gera desconfiança.

Já uma conversa estruturada, transparente e respeitosa gera colaboração.

Isso exige preparo.

Não apenas conhecimento técnico sobre regras e políticas, mas habilidade para lidar com emoções, objeções e decisões difíceis.

Cobrança é, essencialmente, uma atividade de negociação.

E negociação é uma competência humana.

A cobrança é um ponto de contato crítico com a marca

Cada interação de cobrança constrói ou destrói percepção de valor.

Em um ambiente digital, uma experiência negativa pode se transformar rapidamente em reclamação pública.

Por outro lado, uma cobrança conduzida com respeito e clareza fortalece confiança.

E confiança é um ativo estratégico.

Especialmente em mercados altamente competitivos, onde manter o cliente é tão importante quanto recuperar o crédito e no pior cenário, recuperar a sua fatia faz diferença para o cliente, que tem uma divida a menos e pra empresa que conseguiu o resultado financeiro.

O futuro da cobrança passa por um novo equilíbrio

Tecnologia é fundamental.
Automação é necessária.
Inteligência artificial amplia escala.

Mas nenhum desses elementos substitui a qualidade da interação humana.

Operações maduras entendem que resultado sustentável depende de equilíbrio entre:

dados

processos

tecnologia

pessoas

Isso significa:

usar dados para identificar o melhor momento de contato

adaptar o canal ao perfil do cliente

oferecer soluções compatíveis com a realidade financeira

preparar as equipes para conduzir conversas difíceis

monitorar não apenas recuperação, mas qualidade da experiência

Quando esses elementos trabalham juntos, a cobrança deixa de ser um processo de pressão e passa a ser um processo de resolução.

Recuperar crédito é, antes de tudo, recuperar confiança

No fim, toda cobrança bem-sucedida tem algo em comum.

Ela não resolve apenas uma dívida.
Ela reconstrói uma relação.

Empresas que compreendem isso deixam de tratar a cobrança como um encerramento da jornada e passam a enxergá-la como uma etapa de cuidado, responsabilidade e continuidade do vínculo com o cliente.

Recuperação de crédito e experiência do cliente não são opostos.
São partes do mesmo resultado.

E quanto mais cedo as organizações perceberem isso, mais sustentáveis serão suas relações — financeiras e humanas.

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Claudete Cordeiro

Claudete Cordeiro é especialista em Customer Experience, atendimento estratégico e gestão de operações de relacionamento. Com mais de 30 anos de experiência, atuou na liderança de centrais de atendimento 24x7 e na formação de equipes de alta performance. Fundadora da Licht Consultoria, trabalha com a transformação da cultura de atendimento e cobrança humanizada. É MBA em Neurociência, Psicologia Positiva e Mindfulness e pesquisadora do impacto da felicidade e da segurança psicológica nos resultados organizacionais.

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