Mais segurança, menos fricção: o que o Open Finance possibilita para o sistema financeiro

Por Bernardo Meirelles, Revenue Director da klavi

A digitalização do sistema financeiro brasileiro avançou de forma acelerada nos últimos anos. O Pix, lançado em 2020, já reúne mais de 160 milhões de usuários e movimenta trilhões de reais por ano. Em paralelo, o Open Finance ultrapassou 120 milhões de consentimentos para compartilhamento de dados financeiros.
Esse avanço consolidou uma nova realidade: o sistema financeiro digital passou a ser parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, trouxe à tona uma discussão recorrente, e muitas vezes mal formulada, sobre o equilíbrio entre segurança e experiência do usuário.
Durante décadas, esses dois elementos foram tratados como forças opostas. A lógica predominante era simples: quanto maior o nível de proteção, maior a fricção na jornada. Esse entendimento se intensificou com a digitalização, em que cada etapa adicional impacta diretamente conversão, engajamento e custo de aquisição. No entanto, essa equação começa a se mostrar limitada.
O avanço do Open Finance indica que o dilema entre segurança e fluidez não é estrutural, mas sim consequência da forma como o sistema historicamente utilizou os dados disponíveis.
No mercado de crédito brasileiro, isso é particularmente evidente. O desafio sempre foi a fragmentação da informação. Ao longo do tempo, o sistema acumulou um volume significativo de dados, distribuídos entre diferentes instituições e bases, o que dificultava a construção de uma visão integrada do cliente.
Esse cenário resultava em análises incompletas, processos mais longos e uma dependência excessiva de autodeclarações ou envio de documentos.
Com o Open Finance, essa dinâmica começa a mudar. Ao permitir o compartilhamento padronizado de dados financeiros, com consentimento explícito do usuário, cria-se a possibilidade de acessar o histórico real de movimentações, recorrência de renda e comportamento de pagamento. Essa mudança não só melhora a qualidade da avaliação de crédito, mas também aumenta a agilidade do processo decisório.
Ao incorporar dados transacionais, a análise de risco deixa de ser baseada em recortes estáticos e passa a considerar o comportamento financeiro ao longo do tempo. O impacto direto é a redução da fricção na jornada.
Processos que antes dependiam de múltiplas etapas intermediárias passam a ser resolvidos com menos interação, menor necessidade de documentação e maior precisão na avaliação. Isso beneficia tanto instituições financeiras, ao reduzir custos operacionais e melhorar conversão, quanto usuários, ao simplificar o acesso a serviços. A mesma lógica se aplica à segurança.
Historicamente, a prevenção a fraudes foi construída a partir da adição de camadas: autenticações adicionais, verificações sucessivas e controles redundantes. Embora essas medidas sejam importantes em determinados contextos, elas frequentemente introduzem fricção desnecessária e penalizam usuários legítimos.
Com dados financeiros estruturados, os modelos de risco passam a operar de forma diferente. Em vez de depender exclusivamente de barreiras, a detecção de fraude passa a considerar inconsistências de comportamento, padrões atípicos e desvios em relação ao histórico financeiro do usuário. Isso aumenta a precisão da análise e reduz a necessidade de intervenção na jornada.
Outro ponto relevante é o consentimento. Frequentemente apontado como um elemento de fricção, ele tende a produzir o efeito oposto quando bem implementado.
A transparência sobre o uso dos dados e a clareza do benefício para o usuário, seja na forma de decisões mais rápidas, melhores condições de crédito ou menor burocracia, aumentam a disposição para o compartilhamento. Nesse contexto, o consentimento deixa de ser um obstáculo e passa a ser parte da construção de confiança.
O avanço do Open Finance, portanto, trata-se de uma mudança na lógica de funcionamento do sistema financeiro. Segurança e experiência deixam de ser variáveis em tensão permanente e passam a ser resultado de um mesmo fator: a qualidade da informação utilizada na tomada de decisão.
À medida que o mercado incorpora essa nova camada de inteligência, a tendência é clara: menos fricção, mais precisão e um sistema financeiro mais seguro.
Bernardo Meirelles é Revenue Director da klavi, empresa pioneira em inteligência de dados via Open Finance no Brasil. Com mais de uma década de experiência na construção e escalada de negócios orientados por dados, teve papel decisivo na expansão da Neoway: da fase inicial até a venda da empresa para a B3 por R$ 1,8 bilhão. Também atuou em uma fintech do setor condominial, onde liderou estratégias de go-to-market. Na klavi, Bernardo combina sua expertise em dados, inovação e estratégia comercial para impulsionar a adoção de soluções que transformam a relação entre empresas e consumidores por meio do uso inteligente de dados.
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O avanço do open finance segurança dados reforça que o futuro do sistema financeiro está diretamente ligado à qualidade das informações utilizadas. Com mais integração, inteligência e transparência, o open finance segurança dados permite decisões mais rápidas, seguras e eficientes, reduzindo fricção e melhorando a experiência do usuário.
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