
No cenário dinâmico da prevenção a fraudes, inovação não é apenas um diferencial competitivo – é uma necessidade vital. Como gestor de antifraude, percebo diariamente a importância de estar à frente das ameaças emergentes, e isso exige um compromisso contínuo com tecnologia. Os fraudadores não param de evoluir e, se quisermos proteger negócios e consumidores, devemos estar um passo à frente, antecipando riscos e implementando soluções inteligentes.
A inteligência artificial já deixou de ser um conceito futurista para se tornar uma ferramenta essencial no combate às fraudes. Modelos de machine learning e análise preditiva permitem identificar padrões suspeitos com uma precisão que métodos tradicionais jamais alcançariam. Mas a tecnologia por si só não resolve tudo: é necessário que o profissional de antifraude compreenda seu funcionamento, saiba interpretar seus resultados e consiga integrar esses insights à estratégia de mitigação de riscos. Isso significa buscar conhecimento constante, explorar novas abordagens e entender que IA não substitui o olhar crítico humano – ela o potencializa.
Outro pilar essencial é a cibersegurança. Fraudes e ataques cibernéticos caminham juntos, e qualquer vulnerabilidade explorada pode representar um risco gigantesco para empresas e usuários. Um profissional de antifraude não pode se limitar apenas a analisar transações ou padrões de comportamento. Ele deve estar atento às ameaças digitais, entender conceitos como engenharia social, phishing, credenciais vazadas e proteção de APIs. A colaboração com equipes de segurança da informação deve ser estreita, pois as estratégias eficazes nascem da sinergia entre tecnologia, processos e pessoas.
Mas a tecnologia e a segurança só se tornam efetivas quando aplicadas de maneira estruturada. É aí que entra o conhecimento em gestão de projetos. Implementar uma nova solução antifraude não é apenas escolher uma ferramenta no mercado e ativá-la. Requer planejamento, alinhamento com diversas áreas do negócio, testes rigorosos e ajustes constantes. O profissional de prevenção precisa ter habilidades de liderança, comunicação e uma visão estratégica que vá além da operação diária. Sem uma boa gestão, qualquer inovação pode se tornar um obstáculo em vez de um facilitador.
E nesse processo, há um princípio que jamais deve ser negligenciado: segurança e experiência do usuário devem coexistir harmoniosamente. Prevenção a fraudes não pode significar barreiras intransponíveis que afastam clientes legítimos. Por isso, é muito importante que demais áreas da empresa vejam prevenção a fraudes muito mais como uma consultoria voltada a melhorar a experiência do cliente com segurança do que ser a área responsável por travar o negócio. É importante que os profissionais de antifraude proponham soluções que tornem o processo seguro sem alterar a característica principal e sem torná-lo difícil. O desafio está em criar processos que garantam proteção com o mínimo de fricção, utilizando autenticações inteligentes, análises contextuais e soluções que atuem nos bastidores, sem impactar negativamente a jornada do consumidor. Afinal, um sistema seguro, mas inviável para o usuário, não é sustentável no longo prazo.
Ser um profissional de prevenção a fraudes hoje é sinônimo de ser um entusiasta da inovação. É abraçar a tecnologia, aprofundar-se em IA, manter-se atualizado em cibersegurança, dominar gestão de projetos e, acima de tudo, garantir um equilíbrio eficiente entre proteção e experiência. O futuro da antifraude pertence àqueles que compreendem que inovação e segurança devem andar sempre de mãos dadas.
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