Saldo de crédito no Brasil mantém expansão e cresce 10,2% em 2025
Estoque supera R$ 7,1 trilhões e registra o oitavo ano consecutivo de avanço, mesmo com juros elevados

O mercado de crédito brasileiro encerrou 2025 em trajetória de crescimento pelo oitavo ano seguido. O saldo total das operações de crédito no país atingiu R$ 7,123 trilhões, o que representa uma alta de 10,2% em relação a 2024. Os dados constam do relatório Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgado pelo Banco Central do Brasil.
Apesar do avanço expressivo, o ritmo de crescimento perdeu força em comparação ao ano anterior, quando a expansão havia sido de 11,5%. Ainda assim, o resultado confirma a resiliência do crédito em um ambiente marcado por juros elevados e maior seletividade na concessão.
Crescimento do crédito desacelera, mas segue consistente
A desaceleração observada em 2025 indica um ajuste gradual do mercado às condições monetárias mais restritivas. Mesmo com a taxa básica de juros em patamar elevado ao longo do ano, o crédito continuou avançando, sustentado principalmente pela demanda das famílias e das empresas por financiamento.
O desempenho mostra que, embora mais caro, o crédito segue sendo um instrumento central para o consumo, o capital de giro e a sustentação da atividade econômica.
Juros elevados não interrompem expansão do crédito
Durante boa parte de 2025, a taxa Selic permaneceu em nível considerado restritivo, em torno de 15% ao ano. Ainda assim, o saldo de crédito continuou crescendo, o que evidencia uma combinação de fatores estruturais, como maior bancarização, ampliação do crédito digital e necessidade de financiamento em um cenário de renda pressionada.
Esse movimento também reflete a substituição de fontes de recursos próprios por crédito, especialmente entre famílias endividadas e empresas que enfrentam custos operacionais mais altos.
Oitavo ano consecutivo de crescimento do estoque de crédito
O resultado de 2025 consolida uma sequência iniciada em 2018, quando o crédito voltou a crescer de forma consistente após um período de retração. Desde então, o estoque de operações de crédito no país tem avançado ano após ano, mesmo em contextos econômicos adversos.
Essa trajetória reforça o papel estrutural do crédito no funcionamento da economia brasileira, ainda que traga desafios relacionados ao endividamento e à inadimplência.
Crédito cresce em ambiente mais seletivo
Apesar do crescimento do saldo total, o mercado de crédito operou em 2025 de forma mais seletiva. Instituições financeiras reforçaram critérios de análise de risco, reduziram prazos médios e concentraram concessões em perfis considerados mais seguros.
Esse comportamento ajuda a explicar a desaceleração do ritmo de expansão, ao mesmo tempo em que contribui para conter riscos sistêmicos em um ambiente de juros altos e aumento da inadimplência.
O que o dado sinaliza para 2026
O avanço de 10,2% no saldo de crédito sugere que a economia brasileira entrou em 2026 com um volume elevado de endividamento, tanto de famílias quanto de empresas. A continuidade dessa expansão dependerá, em grande medida, da trajetória da política monetária, da evolução da renda e do controle da inadimplência.
Caso haja redução gradual dos juros ao longo de 2026, o crédito pode ganhar novo fôlego. Por outro lado, a manutenção de condições restritivas tende a manter o crescimento em ritmo mais moderado.
Crédito segue como pilar da atividade econômica
Mesmo com custos elevados, o crédito permanece como um dos principais motores da economia brasileira. O desafio, a partir de 2026, será equilibrar expansão do crédito com sustentabilidade financeira, evitando que o crescimento do estoque se traduza em deterioração da qualidade das carteiras.
O dado divulgado pelo Banco Central reforça que o crédito no Brasil continua crescendo, mas em um ambiente que exige maior cautela, planejamento e gestão de risco.





