Produção de veículos cresce em 2024, mas custo do crédito preocupa o setor

O setor automotivo brasileiro começou 2024 com um desempenho expressivo, registrando um crescimento significativo na produção de veículos. No entanto, apesar dos bons números, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) alerta para os desafios impostos pelo alto custo do crédito, que pode impactar as vendas no varejo e comprometer o ritmo de crescimento do setor.
Crescimento expressivo na produção de veículos
De acordo com dados da Anfavea, foram fabricados 392,9 mil veículos leves e pesados no primeiro bimestre de 2024, um aumento de 14,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse índice representa o melhor desempenho para o período desde 2021, refletindo a recuperação gradual do setor após os impactos da pandemia de Covid-19.
Um dos principais fatores que impulsionaram esse crescimento foi o aumento das exportações. No acumulado de janeiro e fevereiro, o Brasil exportou 76,7 mil veículos, um crescimento de 54,9% na comparação anual. Esses números englobam automóveis de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões, evidenciando uma maior demanda do mercado externo pelos veículos brasileiros.
O Impacto do custo do crédito no mercado automotivo
Apesar do avanço na produção, o alto custo do crédito se apresenta como um grande desafio para o setor. De acordo com a Anfavea, o financiamento para pessoa física atingiu um custo recorde, mesmo com a inadimplência em patamares historicamente baixos. Essa situação pode afetar diretamente as vendas no varejo, uma vez que a maioria das compras de veículos no Brasil é realizada por meio de financiamentos.
Em meio a esse cenário, a entidade reforça a necessidade de políticas que tornem o crédito mais acessível para os consumidores, garantindo a continuidade do crescimento do setor automotivo.
Tendência de desaquecimento nas vendas
Embora os emplacamentos tenham crescido 9% no primeiro bimestre de 2024 em relação ao mesmo período de 2023, há sinais de desaquecimento no mercado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o volume de vendas do comércio varejista registrou uma leve queda de 0,1% em janeiro, marcando o terceiro mês consecutivo de estagnação ou retração.
Esse contexto reforça a importância da revisão das taxas de financiamento para manter a demanda aquecida. No entanto, a atual política monetária do Banco Central ainda impõe obstáculos para uma redução significativa do custo do crédito no curto prazo.
O setor automotivo brasileiro iniciou 2024 com um crescimento expressivo na produção e exportação de veículos, mas o alto custo do crédito ainda é uma preocupação central. Para manter a trajetória de crescimento, é essencial que medidas sejam adotadas para reduzir as taxas de financiamento e garantir a acessibilidade ao crédito. O setor segue monitorando os impactos da política monetária e buscando alternativas para manter a expansão do mercado.