CAPACrédito e Cobrança

Planejamento inteligente torna consórcios alternativa estratégica para imóveis e veículos em 2026

Um cenário de crédito mais restritivo redefine decisões financeiras

O episódio 228 do podcast ContraPonto, apresentado por Marcos Guerra, parte de um diagnóstico claro do cenário econômico brasileiro. Segundo dados mencionados durante a conversa, entre 7 e 8 em cada 10 pessoas físicas apresentam algum nível de inadimplência. Esse contexto alterou profundamente a lógica de concessão de crédito no país, tornando financiamentos mais caros e seletivos.

É nesse ambiente que o consórcio volta a ganhar protagonismo, não como solução emergencial, mas como instrumento de planejamento financeiro estruturado. Para Luiz Antonio Sacco, convidado do episódio e executivo com mais de 35 anos de atuação no mercado financeiro, o consórcio passou a ocupar um espaço estratégico justamente por não depender da lógica tradicional do crédito bancário.

O consórcio não é dívida imediata e isso muda tudo

Um dos pontos centrais destacados por Sacco é a diferença estrutural entre consórcio e financiamento. No consórcio, o participante não contrai uma dívida no momento da adesão. Ele passa a ser um contribuinte de um fundo coletivo e só assume um compromisso de crédito após a contemplação e a utilização da carta para aquisição do bem.

Essa característica reduz o risco financeiro inicial e elimina a incidência de juros, substituídos por taxa administrativa e fundo de reserva. Segundo o convidado, essa lógica traz previsibilidade e favorece decisões de médio e longo prazo, especialmente em um ambiente de juros elevados.

Crescimento mesmo em cenários adversos

Durante a conversa, Marcos Guerra relembra que, mesmo durante a pandemia, quando as taxas de juros chegaram a patamares historicamente baixos, o consórcio continuou crescendo a taxas de dois dígitos. Para Luiz Antonio Sacco, esse dado demonstra que o crescimento do consórcio não está condicionado apenas ao custo do crédito, mas à sua capacidade de atender uma demanda estrutural por organização financeira.

O consórcio se consolida, assim, como um modelo que atravessa ciclos econômicos distintos, ajustando sua dinâmica sem perder relevância.

Imóveis, veículos e a diversificação do uso do consórcio

Outro ponto abordado no episódio é a ampliação do uso do consórcio para além dos veículos leves. Sacco explica que hoje existem consórcios voltados a imóveis, veículos pesados e estratégias empresariais. No caso do consórcio imobiliário, os prazos são mais longos, podendo chegar a 20 anos, e os valores envolvidos são significativamente maiores.

Já no ambiente corporativo, o convidado cita exemplos concretos de empresas de transporte que utilizam consórcios para renovar frotas de caminhões. Essas empresas adquirem múltiplas cotas, aguardam as contemplações e, posteriormente, negociam volumes maiores diretamente com montadoras, ganhando eficiência operacional e poder de negociação.

Consórcio não é investimento, mas pode alavancar patrimônio

Um ponto reforçado por Luiz Antonio Sacco ao longo do episódio é a necessidade de clareza conceitual. O consórcio não deve ser tratado como investimento financeiro tradicional. Ele não oferece rentabilidade garantida nem retorno automático.

Ainda assim, pode ser utilizado como ferramenta de alavancagem patrimonial quando integrado a uma estratégia bem definida. Isso inclui aquisição de imóveis para renda, expansão de negócios ou reorganização de ativos. O ganho não está no produto em si, mas na forma como ele é utilizado dentro de um plano maior.

O impacto de novos modelos de mobilidade no consórcio

Questionado sobre o avanço de modelos como carros por assinatura, Sacco é direto ao afirmar que essas alternativas não inviabilizam o consórcio. Segundo ele, são soluções que atendem perfis diferentes. Enquanto a assinatura atende quem busca uso e conveniência, o consórcio atende quem deseja construir patrimônio.

Mesmo nos modelos de assinatura, alguém é proprietário do ativo. O consórcio segue sendo uma das formas mais eficientes de estruturar essa aquisição de maneira planejada e sem juros.

Mercado secundário e liquidez das cartas contempladas

O episódio também aborda o mercado secundário de consórcios, no qual cartas contempladas podem ser negociadas. Sacco explica que essa prática existe e é comum, embora exija atenção às regras de cada grupo e administradora.

Essa possibilidade amplia a flexibilidade do consórcio, permitindo tanto a antecipação de liquidez quanto a entrada imediata de novos participantes já contemplados.

Governança, experiência do cliente e crescimento sustentável

Para Luiz Antonio Sacco, o maior desafio das administradoras de consórcio não é apenas crescer, mas crescer com sustentabilidade. Isso envolve pré-qualificação de clientes, acompanhamento constante e uma relação que vai além da simples cobrança mensal.

Segundo ele, o consórcio exige educação financeira, transparência e construção de confiança ao longo do tempo. Sem isso, o risco de cancelamentos e frustração aumenta, prejudicando todo o grupo.

Planejamento, informação e decisão consciente

No encerramento do episódio, Sacco deixa uma recomendação clara. Antes de aderir a um consórcio, é essencial entender profundamente o funcionamento do produto, alinhar expectativas e buscar profissionais de confiança. O consórcio pode ser uma ferramenta poderosa de planejamento patrimonial, desde que utilizado com disciplina, estratégia e visão de longo prazo.

Assista ao episódio completo:

Redação Contraponto

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