Operações de crédito com garantia da União encerram 2025 em R$ 336,6 bilhões
Saldo cresce em termos nominais e concentração permanece elevada em estados e entes subnacionais

O saldo das operações de crédito com garantia da União alcançou R$ 336,648 bilhões ao final de 2025, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O montante representa crescimento nominal de 0,84% em relação ao fim de 2024, quando o estoque somava R$ 333,858 bilhões.
Os números constam no Relatório Quadrimestral de Operações de Crédito Garantidas e mostram mudanças relevantes na composição da dívida, com forte avanço das operações internas e redução das operações externas.
Operações internas crescem e externas recuam
Em 31 de dezembro de 2025, as operações internas com garantia da União totalizavam R$ 153,330 bilhões. O valor representa alta nominal de 15,40% na comparação com o fim de 2024, quando o saldo era de R$ 132,864 bilhões.
Na direção oposta, o saldo das operações externas caiu 8,79% no mesmo período, passando de R$ 200,994 bilhões para R$ 183,318 bilhões. O movimento indica uma maior concentração do endividamento garantido em operações domésticas, reduzindo a exposição cambial, mas ampliando a pressão sobre o crédito interno.
Correios e estatais federais têm participação limitada
Apesar da repercussão do empréstimo de R$ 12 bilhões contratado em 2024, os Correios respondem por apenas 3% do saldo devedor total das operações garantidas, o equivalente a cerca de R$ 10 bilhões.
Entre as estatais federais, aparecem ainda a Eletronuclear, com R$ 2,679 bilhões, representando 0,8% do total, e a Axia ex Eletrobras, com R$ 197,39 milhões, cerca de 0,1%. As garantias à Axia foram mantidas mesmo após o processo de privatização. No conjunto, as estatais federais concentram 3,8% do saldo devedor garantido pela União.
Bancos federais concentram parte relevante do crédito garantido
Entre os bancos federais, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social apresenta o maior saldo de operações com garantia da União, com R$ 22,194 bilhões, o equivalente a 6,6% do total.
A Caixa Econômica Federal aparece na sequência, com R$ 1,990 bilhão, ou 0,6%. Considerando o conjunto dos bancos federais, a participação chega a 7,2% do saldo devedor total.
Entidades controladas também ampliam exposição
Entre as entidades controladas, destacam-se a Sabesp, com R$ 5,161 bilhões, correspondendo a 1,5% do total, e o BRDE, com R$ 1,596 bilhão, cerca de 0,5%.
Esses números mostram que, além de estados e municípios, empresas controladas por entes públicos também têm papel relevante na dinâmica das garantias concedidas pela União.
Estados concentram a maior parte da dívida garantida
Os estados brasileiros concentram 68,6% de todo o saldo devedor das operações com garantia da União. O maior saldo é do estado de São Paulo, com R$ 38,054 bilhões, representando 11,3% do total.
Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com R$ 28,045 bilhões, ou 8,3%; Bahia, com R$ 19,386 bilhões, ou 5,8%; Ceará, com R$ 16,706 bilhões, ou 5%; e Minas Gerais, com R$ 16,466 bilhões, ou 4,9%.
A concentração evidencia o peso dos estados na estrutura do endividamento garantido e o papel da União como avalista do financiamento subnacional.
Municípios respondem por parcela relevante do estoque
Os municípios brasileiros respondem por 17,5% do saldo total das operações de crédito com garantia da União. Entre os maiores devedores estão o município do Rio de Janeiro, com R$ 9,852 bilhões, equivalente a 2,9% do total, seguido por São Paulo, com R$ 6,158 bilhões, ou 1,8%.
Manaus e Fortaleza aparecem na sequência, com cerca de R$ 3,20 bilhões cada, representando aproximadamente 1% do saldo total por município.
O que os dados indicam sobre o risco fiscal
O crescimento moderado do saldo total em 2025 esconde mudanças importantes na composição das garantias. A expansão das operações internas e a forte concentração em estados e municípios reforçam a relevância do monitoramento fiscal por parte da União.
Embora as garantias não representem desembolso imediato, elas constituem risco fiscal potencial, especialmente em um cenário de restrição orçamentária, juros elevados e pressão sobre as contas públicas subnacionais.
O acompanhamento contínuo dessas operações é essencial para avaliar a sustentabilidade do endividamento público e os riscos associados ao papel da União como garantidora do crédito no país.







