Itaú projeta normalização da inadimplência em 2026 e descarta pressão relevante no custo do crédito
Banco afirma estar bem provisionado e vê efeito pontual ligado a programas governamentais

O Itaú Unibanco avalia que o cenário de inadimplência em 2026 tende à normalização, sem representar um risco relevante para a qualidade de seus ativos ou para o custo do crédito. A afirmação foi feita pelo CEO Milton Maluhy Filho, durante entrevista após a divulgação do balanço mais recente da instituição.
Segundo o executivo, embora possa haver uma leve alta nos atrasos nos próximos trimestres, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas, esse movimento é considerado esperado, pontual e já mapeado pelo banco.
Inadimplência segue estável em patamar controlado
No quarto trimestre, a inadimplência acima de 90 dias consolidada do Itaú, incluindo títulos e valores mobiliários, ficou em 1,9%, mantendo estabilidade em relação ao trimestre anterior. Um ano antes, o índice era de 2%.
O dado reforça a avaliação do banco de que a qualidade da carteira permanece sólida, mesmo em um ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo.
Programas governamentais explicam possível leve alta
De acordo com Maluhy Filho, parte do crescimento da carteira de crédito do banco ocorreu por meio de programas governamentais que oferecem períodos de carência, geralmente de até oito meses, antes do início do pagamento do principal.
Nesse intervalo, os clientes pagam juros, mas ainda não amortizam o saldo principal. Assim, quando o período de carência termina e as parcelas começam a vencer, é natural que surjam atrasos pontuais.
O executivo destaca que existe um descasamento temporal entre a concessão do crédito e o registro da inadimplência, o que gera um efeito estatístico de elevação, sem deterioração estrutural da carteira.
Carteiras garantidas reduzem impacto no risco
Outro ponto central é que essas operações estão majoritariamente associadas a garantias vinculadas aos próprios programas governamentais.
Isso significa que, mesmo com atrasos pontuais, a taxa de recuperação é elevada, limitando impactos sobre:
- Provisões
- Resultado financeiro
- Custo do crédito
Segundo o CEO, esse fator impede que uma eventual normalização dos atrasos se traduza em aumento desproporcional do risco.
Banco afirma estar bem provisionado
O Itaú reforça que mantém nível confortável de provisões, suficiente para absorver oscilações moderadas na inadimplência sem comprometer rentabilidade ou solvência.
Na prática, o banco se posiciona de forma conservadora, antecipando potenciais movimentos de deterioração e evitando surpresas negativas ao longo do ciclo econômico.
Pequenas e médias empresas no centro da atenção
O segmento de pequenas e médias empresas deve concentrar a maior parte da variação esperada nos atrasos, justamente por ter sido um dos principais beneficiários das linhas com carência.
Ainda assim, a instituição não enxerga risco sistêmico nesse público, justamente pela estrutura de garantias e pela pulverização da carteira.
Visão para o mercado de capitais
Além do crédito, Maluhy Filho comentou que uma reabertura mais consistente do mercado de IPOs no Brasil pode ocorrer após as eleições, quando houver maior previsibilidade econômica e política.
Segundo ele, mesmo nesse cenário, as ofertas tendem a ser seletivas e concentradas em empresas com fundamentos sólidos.
O banco também espera continuidade em operações de blocos de ações e follow-ons pontuais, enquanto a queda de juros, quando ocorrer, deve funcionar como catalisador adicional.
Leitura estratégica do cenário
A mensagem central do Itaú é clara:
não se trata de um novo ciclo de deterioração, mas de um ajuste técnico decorrente da maturação de carteiras originadas sob condições específicas.
Para o mercado, isso sinaliza:
- Sistema bancário mais capitalizado
- Modelos de risco mais robustos
- Menor probabilidade de choques abruptos
Em síntese, o banco aposta em 2026 como um ano de acomodação gradual, sem estresse relevante na inadimplência.







