Crédito mais acessível reacende o consumo das famílias no início de 2026
Facilidade no acesso ao crédito e retomada da compra de bens duráveis elevam a intenção de consumo, aponta CNC

O ano de 2026 começou com um sinal positivo para o consumo das famílias brasileiras. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), indicador divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), avançou 0,8% em janeiro, na comparação com dezembro, após ajuste sazonal. Na comparação com janeiro de 2025, o crescimento foi de 0,7%, consolidando a trajetória de recuperação iniciada no fim de 2025.
Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (22) e mostram que a melhora das expectativas de consumo está fortemente apoiada em dois fatores: a ampliação do acesso ao crédito e o aumento da intenção de compra de bens duráveis.
Linha de crédito mais fácil de obter
Entre os componentes do ICF, o item Acesso ao Crédito liderou as altas, registrando um incremento de 8,5% em relação ao ano anterior. Hoje, 35,8% dos consumidores afirmam que obter crédito está mais fácil, o maior percentual registrado desde maio de 2015. Esse movimento tem sido apontado como um dos principais motores da recuperação do consumo.
A maior facilidade para acessar financiamento vem na esteira de uma leve redução no nível de inadimplência ao final de 2025, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Com menos restrições no histórico financeiro, mais famílias estão dispostas a recorrer ao crédito para realizar compras importantes.
Compra de bens duráveis em alta
Outro componente que se destacou foi o Momento para Compra de Bens Duráveis, que apresentou a maior alta mensal da pesquisa, com 3,8% em janeiro e 4,7% na comparação anual. Isso sugere que o consumidor está mais disposto a adquirir itens como eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, o que pode indicar confiança crescente no orçamento familiar.
Esse comportamento tende a refletir não apenas uma maior disponibilidade de crédito, mas também a percepção de estabilidade de renda no curto prazo.
Emprego mostra sinais mistos
Apesar das expectativas de consumo mais otimistas, a pesquisa também revelou sinais contraditórios no mercado de trabalho. O índice Emprego Atual registrou sua terceira alta consecutiva, com um leve avanço de 0,1% em janeiro. Isso sugere alguma melhora na situação empregatícia no curto prazo.
Por outro lado, a Perspectiva Profissional recuou 0,7% no mês e 4,5% na comparação com janeiro de 2025, apontando certo pessimismo em relação à evolução da carreira e à estabilidade de emprego no futuro. Essa combinação indica que, embora o emprego esteja tendo um desempenho ligeiramente melhor, as famílias ainda estão cautelosas com suas perspectivas de longo prazo.
Destaque por renda familiar
O desempenho da intenção de consumo foi mais expressivo entre famílias com renda de até dez salários mínimos. Nesse grupo, o ICF cresceu 1,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, acompanhando também a melhora no acesso ao crédito, que avançou 11,0% entre essas famílias.
Esse dado sugere que o estímulo ao consumo está sendo mais forte justamente entre aqueles que dependem mais de crédito para realizar compras significativas, reforçando a importância do financiamento acessível para esse segmento.
Desafios ainda presentes no horizonte
Mesmo com os indicadores em alta, há fatores que limitam um otimismo absoluto. Juros ainda relativamente elevados e expectativas profissionais mais fracas são elementos que podem frear decisões de consumo mais ambiciosas, como a aquisição de bens de maior valor ou comprometer reduções mais rápidas no ritmo de poupança.
Nesse contexto, o aumento da intenção de consumo em janeiro de 2026 pode ser interpretado como um avanço gradual, apoiado em crédito mais acessível e inflação mais controlada, mas ainda condicionado a uma evolução mais sólida do mercado de trabalho e das expectativas econômicas.






