CAPACrédito e Cobrança

Inadimplência atinge patamar histórico em 2025 e expõe fragilidade financeira de quase metade dos brasileiros

Mesmo com 13º salário e rendas extras, dezembro fecha com 73,49 milhões de consumidores negativados e acende alerta para 2026

O Brasil encerrou o ano com um marco preocupante para a economia e para a saúde financeira da população. Pela primeira vez na série histórica, o número de consumidores inadimplentes ultrapassou a marca de 73 milhões, atingindo 73,49 milhões de pessoas, o equivalente a 44,02% da população adulta do país.

Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas, divulgado pela CNDL e pelo SPC Brasil, e mostram que o cenário de endividamento não apenas se manteve ao longo do ano, como se agravou justamente em um período que tradicionalmente traz alívio para o orçamento das famílias.

Dezembro quebra a lógica histórica do alívio financeiro

Na comparação anual, o número de consumidores com contas em atraso cresceu 10,17% em dezembro de 2025 em relação ao mesmo mês de 2024. Apenas de novembro para dezembro, o avanço foi de 0,87%, reforçando a percepção de que nem mesmo o 13º salário e as rendas extras típicas do fim de ano foram suficientes para conter o avanço da inadimplência.

Esse comportamento representa uma inversão da lógica histórica do consumo no país. Em vez de redução das dívidas, o que se observou foi um aumento consistente da negativação, sinalizando que o endividamento das famílias chegou a um nível estruturalmente crítico.

Dívidas antigas puxam o crescimento da inadimplência

Um dos dados que mais chamam atenção no levantamento é o tempo de atraso das dívidas. O crescimento anual foi impulsionado, principalmente, por débitos com 4 a 5 anos de atraso, que avançaram 32,64%.

Esse número indica que uma parcela significativa da população já não enfrenta apenas dificuldades pontuais, mas sim uma situação prolongada de exclusão do crédito, com poucas chances de renegociação efetiva no curto prazo.

Perfil do consumidor inadimplente no Brasil

A inadimplência se distribui de forma relativamente equilibrada entre homens e mulheres. Em dezembro, 51,26% dos inadimplentes eram mulheres, enquanto 48,74% eram homens.

Por faixa etária, o maior contingente está entre pessoas de 30 a 39 anos, que representam 23,38% do total de negativados. Trata-se justamente da fase da vida associada a maior consumo, formação de patrimônio e responsabilidades financeiras mais elevadas, como financiamento de imóveis, veículos e despesas familiares.

Regiões: crescimento generalizado, com destaque para o Sul

Todas as regiões do país registraram crescimento no número de inadimplentes na comparação anual. O Sul liderou a alta, com aumento de 10,86%, seguido pelo Norte (10,24%), Nordeste (9,13%), Sudeste (8,22%) e Centro-Oeste (8,07%).

Quando se observa a proporção da população adulta negativada, o Centro-Oeste aparece com o maior percentual, alcançando 47,36%, enquanto o Sul apresenta o menor índice, ainda assim elevado, com 39,78%.

Valor médio das dívidas e pulverização dos débitos

Em dezembro de 2025, cada consumidor negativado devia, em média, R$ 4.832,98, considerando a soma de todas as dívidas. Além disso, cada inadimplente possuía débitos com 2,24 empresas credoras, o que evidencia uma pulverização das obrigações financeiras.

Apesar do valor médio elevado, o levantamento mostra que a inadimplência também é fortemente composta por dívidas de menor valor. 30,98% dos consumidores tinham débitos de até R$ 500, percentual que sobe para 43,82% quando consideradas dívidas de até R$ 1.000. Esse dado reforça que pequenas contas em atraso continuam sendo um fator decisivo para a negativação.

Bancos e contas básicas concentram a maior parte das dívidas

O número total de dívidas em atraso cresceu 17,14% em relação a dezembro de 2024, com alta mensal de 1,31%. O setor que mais concentrou débitos foi o bancário, responsável por 65,16% do total das dívidas.

Na sequência aparecem os setores de Água e Luz (11,26%), Outros (9,07%) e Comércio (8,95%). Em termos de crescimento, as dívidas de Água e Luz lideraram a alta anual, com 21,32%, seguidas por Bancos (18,12%), Comunicação (9,73%) e Comércio (1,51%).

Um efeito em cadeia sobre crédito e consumo

O recorde histórico de inadimplência gera impactos que vão além do consumidor individual. Com o aumento do risco de crédito, instituições financeiras tendem a elevar spreads, restringir concessões e tornar o crédito mais caro e seletivo.

O resultado é um ciclo difícil de romper: menos acesso ao crédito, mais dificuldade para renegociar dívidas e menor capacidade de consumo, especialmente de bens de maior valor agregado. Para o varejo e para a economia como um todo, o cenário representa uma trava no crescimento e um início de ano marcado por cautela e insegurança.

Redação Contraponto

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