Projeção indica desaceleração do crédito em 2025 com impactos distintos entre pessoas físicas e jurídicas
Crescimento do crédito segue positivo, mas ritmo mais lento reflete acomodação econômica, mudanças regulatórias e cenário monetário restritivo

A projeção para o mercado de crédito em 2025 aponta desaceleração no ritmo de crescimento, ainda que o saldo total siga em expansão. A expectativa é de alta real de 3,8% no crédito no Brasil, com comportamentos diferentes entre pessoas físicas e pessoas jurídicas. O cenário reflete uma economia em processo de acomodação, pressionada por fatores fiscais, regulatórios e pelo custo elevado do dinheiro.
Crescimento do crédito desacelera, mas segue positivo em 2025
A estimativa de crescimento real do saldo total de crédito em 2025 foi mantida em 3,8%. Dentro desse resultado, o crédito para pessoas jurídicas deve avançar 3,2%, enquanto o crédito para pessoas físicas tende a crescer em ritmo mais acelerado, com projeção de 4,9%.
Apesar do número positivo, a análise das concessões revela perda de fôlego da atividade econômica ao longo do ano. O ambiente segue marcado por maior cautela de bancos e tomadores, especialmente em linhas mais sensíveis à política monetária.
Crédito para pessoas físicas é impulsionado pelo consignado privado
No segmento de pessoas físicas, as concessões de crédito livre registraram crescimento de 6,1% ao ano em outubro. Esse avanço, no entanto, foi fortemente influenciado pela mudança nas regras do crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
O consignado privado apresentou crescimento expressivo de 257% ao ano, com o volume médio mensal saltando de aproximadamente R$ 1,6 bilhão para mais de R$ 6 bilhões. Esse movimento distorce parcialmente a leitura do crescimento do crédito livre, já que outras modalidades seguem em ritmo mais moderado.
Perfil do crédito das famílias segue concentrado em poucas modalidades
Dados do Banco Central mostram que famílias com renda entre dois e cinco salários mínimos concentram a maior parte do crédito em três modalidades principais:
Crédito habitacional, com 26%
Crédito consignado, com 24%
Cartão de crédito, com 19%
A tendência é de que o crédito consignado ganhe ainda mais relevância nos próximos trimestres, tanto pela previsibilidade de pagamento quanto pelas taxas relativamente mais baixas em comparação a outras linhas.
Isenção do IR deve estimular demanda por crédito em 2026
Para os próximos meses, a dinâmica do crédito às famílias deve ser influenciada por um choque positivo de renda. A isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas, prevista para entrar em vigor a partir de janeiro de 2026, tende a ampliar a renda disponível e estimular o consumo.
Esse efeito pode sustentar a demanda por crédito no início de 2026, funcionando como um contrapeso ao ambiente de condições financeiras mais apertadas observado em 2025.
Crédito direcionado reduz impacto da política monetária nas empresas
No segmento de pessoas jurídicas, os efeitos da política monetária mais restritiva têm sido parcialmente compensados pelo avanço do crédito direcionado. O saldo dessa modalidade cresceu 12,2% ao ano, impulsionado principalmente por linhas específicas.
O crédito rural apresentou crescimento de 23,5%, enquanto o crédito imobiliário avançou 21,8%. Esses números ajudam a explicar por que o crédito total para empresas ainda se mantém positivo, mesmo com juros elevados.
Crédito livre para empresas segue pressionado por custos elevados
Já no crédito com recursos livres, o cenário permanece mais restritivo. As concessões de desconto de duplicatas recuaram 19,6% ao ano, indicando que muitas empresas têm evitado antecipar recebíveis diante do custo elevado dessa operação.
Esse comportamento sugere maior cautela na gestão de caixa e reforça o impacto negativo dos juros altos sobre decisões de financiamento no curto prazo.
Inadimplência no crédito rural acende alerta para o risco
Do ponto de vista de risco, cresce a preocupação com o crédito rural contratado a taxas de mercado. A inadimplência dessa carteira atingiu 11,4%, o maior nível da série histórica.
O dado reflete as dificuldades de rentabilidade enfrentadas pelo setor agrícola, pressionado por custos elevados, volatilidade de preços e eventos climáticos adversos. O cenário exige atenção redobrada de instituições financeiras e produtores.
Consumo das famílias pode sustentar o crédito em 2026
Para o início de 2026, a expectativa é de que o consumo das famílias desempenhe papel central na sustentação do mercado de crédito. O aumento da renda disponível com a isenção do IRPF pode compensar, ao menos parcialmente, o ambiente de política monetária ainda restritiva.
Mesmo assim, o cenário segue desafiador e reforça a importância de planejamento financeiro, análise de risco e uso consciente do crédito por famílias e empresas.







