Demanda por crédito no Brasil fecha 2025 com queda mensal acentuada e recorde de inadimplência
Indicador da CNDL e SPC Brasil revela retração do crédito, alto endividamento e acesso cada vez mais restrito

A demanda por crédito no Brasil encerrou o ano de 2025 em um cenário de forte retração mensal e deterioração das condições financeiras das famílias. De acordo com o Indicador de Demanda por Crédito, divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, o volume de consultas realizadas pelo setor financeiro caiu 15,08% na passagem de novembro para dezembro de 2025.
Apesar da queda expressiva no comparativo mensal, a análise anual mostrou crescimento de 1,41% em relação a dezembro de 2024, indicando um leve fôlego na comparação de longo prazo, ainda insuficiente para reverter o quadro de fragilidade do mercado de crédito.
Queda mensal reflete cautela e restrição no mercado de crédito
A retração observada em dezembro sinaliza aumento da cautela tanto por parte dos consumidores quanto das instituições financeiras. O cenário de juros elevados, renda pressionada e alto nível de endividamento reduziu a disposição das famílias para buscar crédito e elevou a seletividade das concessões.
Segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, a dificuldade de acesso ao crédito tem impacto direto no consumo e na atividade econômica, já que as famílias brasileiras dependem fortemente de financiamento para manter gastos básicos e parcelamentos.
Inadimplência atinge patamar histórico no país
Um dos dados mais críticos do levantamento é o avanço da inadimplência. Ao final de 2025, o Brasil alcançou a marca histórica de 73,49 milhões de consumidores negativados, o equivalente a 44,02% da população adulta.
No momento da consulta por crédito, 35,60% dos consumidores já apresentavam alguma restrição ativa no CPF, o que reduz drasticamente as chances de aprovação. Esse nível elevado de inadimplência cria um ambiente de risco sistêmico, encarece o crédito e limita o acesso mesmo para consumidores adimplentes.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, permanecer fora da inadimplência se tornou um desafio estrutural para as famílias brasileiras, com efeitos diretos sobre o consumo e o crescimento do PIB.
Baixa conversão das consultas em contratações de crédito
O levantamento aponta que apenas 1,55% dos consumidores que passaram por consulta conseguiram efetivar uma contratação de crédito em dezembro de 2025. O dado evidencia o nível de restrição imposto pelo sistema financeiro diante do elevado risco de inadimplência.
Entre os poucos que conseguiram acesso, a maior parte buscou crédito para necessidades imediatas de fluxo de caixa. Os empréstimos representaram 75,44% das contratações, enquanto os financiamentos responderam por 23,22%, mostrando que o crédito está sendo utilizado mais para sobrevivência financeira do que para investimento ou aquisição de bens duráveis.
Perfil dos consumidores que buscaram crédito
A demanda por crédito foi majoritariamente masculina, representando 54,10% das consultas realizadas em dezembro. Em relação à faixa etária, os consumidores entre 40 e 49 anos lideraram a busca, com 24,36% do total, seguidos de perto pelo grupo de 30 a 39 anos, com 23,75%.
Esses dados indicam que a pressão financeira atinge principalmente a população economicamente ativa, em idade produtiva, reforçando o impacto macroeconômico da restrição ao crédito.
Setores que mais realizaram consultas de crédito
Na análise por grupos financeiros, o segmento de intermediação monetária com depósitos à vista concentrou 44,53% das consultas realizadas no país em dezembro. Em seguida aparecem as atividades auxiliares dos serviços financeiros, com 20,38%.
Juntos, esses dois grupos responderam por 64,91% das consultas, refletindo a centralização da análise de crédito em instituições tradicionais e serviços financeiros de apoio.
Distribuição regional da demanda por crédito
A região Sudeste concentrou quase metade da demanda nacional por crédito, sendo responsável por 45,04% das consultas em dezembro de 2025. O Nordeste aparece na sequência, com 21,61%, seguido pelo Sul, com 17,87%.
As regiões Centro-Oeste e Norte registraram participações menores, com 8,63% e 6,85%, respectivamente. A distribuição regional reflete tanto o peso econômico do Sudeste quanto as desigualdades no acesso ao crédito entre as regiões do país.
Crédito restrito dificulta retomada do consumo
Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, o elevado nível de inadimplência funciona como um custo adicional para toda a economia. O risco bancário elevado torna a concessão extremamente seletiva, restringindo o crédito a uma parcela cada vez menor da população.
Enquanto não houver uma redução consistente do número de negativados e uma recuperação sustentável da renda das famílias, o acesso ao crédito continuará limitado, dificultando a retomada do consumo e a recuperação econômica.
Perspectivas para o mercado de crédito em 2026
O fechamento de 2025 confirma um cenário desafiador para o crédito no Brasil. A combinação de alta inadimplência, seletividade bancária e queda mensal da demanda aponta para um início de 2026 ainda marcado por cautela.
A retomada mais consistente do crédito dependerá de fatores como controle da inadimplência, melhora da renda real das famílias, redução do custo do crédito e políticas que incentivem a renegociação de dívidas de forma sustentável.






