Crédito consignado ganha força no início do ano e vira ferramenta de reorganização financeira
Pesquisa mostra que maioria dos brasileiros recorre a empréstimos para ajustar dívidas e despesas sazonais

O início do ano tem se consolidado como um período de maior pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. Uma pesquisa recente indica que seis em cada dez brasileiros já recorreram ou pretendem recorrer a algum tipo de crédito nesse período, principalmente como forma de reorganizar dívidas acumuladas e lidar com despesas típicas dos primeiros meses do ano.
O levantamento foi realizado pela fintech meutudo e revela que o crédito deixou de ser apenas um instrumento de consumo para assumir um papel central na gestão financeira das famílias.
Maioria já contratou ou pretende contratar crédito
De acordo com a pesquisa, que ouviu 9.468 pessoas em todas as regiões do país, 24% dos entrevistados já contrataram algum tipo de crédito no início do ano, enquanto outros 36% afirmaram que pretendem recorrer a financiamentos nos próximos meses. Em contrapartida, 40% disseram não ter intenção de buscar empréstimos neste momento.
Os dados indicam que a demanda por crédito segue elevada, mesmo em um ambiente de juros altos, refletindo a dificuldade de absorver gastos concentrados no começo do ano.
Perfil dos consumidores que buscam crédito
O público que mais recorre ao crédito é composto por trabalhadores com carteira assinada, que representam 49% dos entrevistados. Na sequência aparecem aposentados e pensionistas do INSS, com 26%.
Também fazem parte da amostra autônomos sem renda fixa, que somam 10%, desempregados, com 8%, e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), que representam 7%. O perfil revela que a busca por crédito não está restrita a um único grupo, mas atinge diferentes faixas de renda e situações profissionais.
Consignado lidera a procura entre as modalidades
Entre as opções de financiamento, o crédito consignado se destaca como a modalidade mais procurada. O consignado para trabalhadores CLT foi citado por 37% dos participantes, seguido pelo consignado do INSS, com 29%, e pelo consignado para beneficiários do BPC, com 12%.
Outras alternativas mencionadas foram o cartão de crédito consignado, com 9%, a antecipação do saque-aniversário do FGTS, com 6%, e o pix parcelado para beneficiários do INSS, também com 6%. O predomínio do consignado indica uma preferência por linhas com desconto em folha e maior previsibilidade de pagamento.
Organização de dívidas é o principal objetivo
Quando questionados sobre a finalidade do crédito, 52% dos entrevistados afirmaram que pretendem usar os recursos para organizar ou quitar dívidas existentes. Outros 20% disseram que o dinheiro será destinado ao pagamento de despesas comuns do início do ano, como IPTU, IPVA e material escolar.
Imprevistos financeiros foram citados por 15% dos participantes, enquanto 13% afirmaram que o crédito será utilizado para complementar o orçamento mensal. O dado reforça que o crédito tem sido usado majoritariamente como instrumento de ajuste financeiro, e não de consumo adicional.
Valor da parcela pesa mais que a taxa de juros
Na decisão pela contratação do empréstimo, o valor da parcela mensal aparece como o critério mais relevante para 45% dos entrevistados. A rapidez na liberação do dinheiro surge em segundo lugar, com 20%, seguida pela taxa de juros, mencionada por 18%.
Facilidade de contratação, com 10%, e confiança na instituição financeira, com 7%, completam a lista. O resultado sugere que, para grande parte dos consumidores, a previsibilidade do impacto mensal no orçamento é mais importante do que o custo total da operação.
Crédito como estratégia de gestão financeira
Segundo Marcio Feitoza, CEO da meutudo, os dados mostram que o crédito vem sendo utilizado principalmente como ferramenta de organização financeira no início do ano. Para ele, a preferência por modalidades consignadas revela um consumidor mais cauteloso, atento ao controle das parcelas e ao impacto dos compromissos no orçamento mensal.
Esse comportamento reflete um cenário em que o crédito passa a cumprir uma função defensiva, ajudando famílias a atravessar períodos de maior concentração de despesas.
O que o movimento revela sobre o consumo
A alta procura por crédito no início do ano indica que boa parte dos brasileiros enfrenta dificuldade para absorver gastos sazonais apenas com a renda corrente. Ao mesmo tempo, a preferência por linhas mais previsíveis mostra uma tentativa de evitar descontrole financeiro.
O desafio, daqui para frente, será equilibrar o uso do crédito como ferramenta de reorganização sem ampliar o endividamento estrutural das famílias ao longo do ano.





