Crédito e Cobrança

Crédito desacelera em novembro, mas uso de cartão sustenta concessões, aponta Febraban

Queda mensal reflete menos dias úteis, enquanto crédito livre cresce impulsionado por consumo e antecipação de recebíveis

As concessões de crédito no Brasil devem ter registrado uma retração de 6,2% em novembro na comparação com outubro, segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Apesar do recuo nominal, o resultado precisa ser analisado com cautela: o mês contou com apenas 19 dias úteis, fator que distorce a leitura tradicional dos dados.

Quando ajustadas pelo número menor de dias, as concessões mostram um avanço de 13,5%, indicando que a demanda por crédito seguiu aquecida em segmentos específicos, especialmente no crédito livre.

Crédito livre cresce puxado por cartão e capital de giro

O principal vetor de crescimento em novembro foi o crédito livre, que apresentou expansão estimada de 14,8% no período ajustado. Entre as famílias, o destaque ficou para o maior uso do cartão de crédito à vista, movimento típico do fim de ano, quando o consumo aumenta em função das festas e promoções sazonais.

Já do lado das empresas, o avanço foi impulsionado pelo uso mais intenso de linhas de desconto de recebíveis, uma alternativa comum para reforçar o caixa em períodos de maior giro comercial. Esse comportamento reforça a leitura de que, mesmo com juros elevados, o crédito segue sendo utilizado de forma estratégica.

Comparação anual mostra crescimento, mas ritmo perde força

Na comparação com novembro do ano passado, as concessões de crédito devem ter crescido 10%, mantendo um desempenho positivo em termos anuais. Ainda assim, a Febraban aponta sinais claros de desaceleração gradual no ritmo de expansão do crédito.

No acumulado de 12 meses, a projeção é de que o crescimento recue de 10,8% para 10,6%, evidenciando um movimento de acomodação do mercado. Esse cenário reflete o impacto prolongado de juros elevados, maior seletividade na concessão e um ambiente macroeconômico mais cauteloso.

Ambiente de juros segue influenciando decisões de crédito

A leitura da Febraban é que o mercado de crédito atravessa uma fase de ajuste, marcada por maior disciplina tanto de consumidores quanto de empresas. Com a taxa básica de juros em patamar elevado, operações tendem a ser mais concentradas em linhas de curto prazo, modalidades rotativas e instrumentos ligados diretamente ao consumo ou à liquidez imediata.

Esse contexto também reforça a importância do crédito como termômetro da atividade econômica, antecipando movimentos que devem aparecer nos dados oficiais do Banco Central.

Prévia antecede dados oficiais do Banco Central

A Pesquisa Especial de Crédito da Febraban consolida informações das principais instituições financeiras do país e funciona como uma prévia da Nota de Crédito do Banco Central, cuja divulgação está prevista para o fim de dezembro.

O resultado reforça a percepção de que o crédito no Brasil não está em retração estrutural, mas sim passando por uma fase de desaceleração controlada, com mudanças no perfil das operações e maior peso de modalidades ligadas ao consumo e à gestão de caixa.

Redação Contraponto

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