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Portabilidade de crédito passa a ser 100% digital e automática no Brasil

Open Finance permite trocar empréstimos entre bancos pelo celular e promete ampliar concorrência e reduzir juros

A portabilidade de crédito entre instituições financeiras entrou oficialmente em operação no Brasil por meio do Open Finance. A partir de agora, consumidores podem transferir empréstimos e financiamentos de um banco para outro de forma totalmente digital e automática, sem burocracia e sem necessidade de comparecimento presencial.

A iniciativa foi oficializada pelo Banco Central do Brasil após deliberação do Conselho Monetário Nacional e marca um avanço relevante na agenda de modernização do sistema financeiro.

O que muda com a nova portabilidade digital

Até então, a portabilidade de crédito já existia, mas envolvia etapas manuais, troca de documentos e comunicação direta entre instituições, o que tornava o processo lento e pouco utilizado.

Com a integração ao Open Finance, o cliente autoriza o compartilhamento de seus dados e contratos e passa a receber propostas de outras instituições em ambiente digital. A escolha da nova oferta pode ser feita diretamente pelo aplicativo do banco, e a migração da dívida ocorre de forma automática.

Na prática, o consumidor ganha poder de barganha e passa a comparar condições em tempo real.

Objetivo é aumentar concorrência e reduzir juros

Segundo o Banco Central, a medida tem como foco principal estimular a concorrência no mercado de crédito. Quanto mais fácil for trocar de instituição, maior será a pressão para que bancos ofereçam taxas menores, prazos melhores e condições mais adequadas ao perfil do cliente.

A lógica é semelhante à portabilidade de telefone ou de salário: reduzir custos de mudança para gerar competição.

Como funciona a portabilidade via Open Finance

O processo segue, em linhas gerais, as seguintes etapas:

  • O cliente autoriza o compartilhamento de dados da operação de crédito via Open Finance
  • Outras instituições analisam as informações e apresentam propostas
  • O cliente escolhe a oferta mais vantajosa
  • A nova instituição quita a dívida antiga e assume o contrato
  • O cliente passa a pagar a nova operação, com as condições negociadas

Todo o fluxo ocorre em ambiente digital, sem necessidade de intermediação manual.

Quais tipos de crédito podem ser portados

A portabilidade digital vale para empréstimos pessoais, financiamentos e outras modalidades de crédito em que exista contrato ativo. A expectativa é que, com o amadurecimento do sistema, mais produtos sejam incorporados.

Créditos consignados e financiamentos de maior volume tendem a ser alguns dos principais beneficiados, já que pequenas reduções de taxa geram economia relevante ao longo do tempo.

Benefícios diretos para o consumidor

A nova funcionalidade cria três ganhos claros:

  • Redução de juros por meio da concorrência
  • Transparência, ao permitir comparação de propostas
  • Agilidade, com processo automático

Isso tende a favorecer especialmente consumidores adimplentes, com bom histórico, que passam a ter mais poder de negociação.

Impacto para os bancos

Para as instituições financeiras, a mudança eleva a disputa por clientes e pressiona margens. Bancos com estruturas mais eficientes e melhor gestão de risco tendem a ganhar espaço, enquanto modelos baseados em pouca transparência e spreads elevados ficam mais expostos.

Ao mesmo tempo, a portabilidade digital estimula inovação em produtos, personalização de ofertas e uso mais intensivo de dados.

Open Finance como infraestrutura de competição

A entrada da portabilidade digital de crédito reforça o papel do Open Finance como infraestrutura central do sistema financeiro brasileiro. O modelo permite que o cliente seja dono dos próprios dados e decida com quem compartilhá-los.

Na prática, isso desloca poder das instituições para o consumidor.

O que esperar a partir de agora

No curto prazo, a tendência é de crescimento gradual da adesão, à medida que bancos ajustem sistemas e consumidores passem a conhecer melhor a funcionalidade.

No médio prazo, a portabilidade digital tende a se tornar padrão de mercado, assim como ocorreu com Pix e Open Banking, pressionando o custo do crédito para baixo.

Um passo estrutural para baratear o crédito

A portabilidade de crédito via Open Finance não resolve sozinha o problema dos juros altos no Brasil, mas ataca um ponto estrutural: a baixa mobilidade do cliente entre bancos.

Ao reduzir fricções, o sistema cria um ambiente onde taxas precisam ser defendidas diariamente. Para o consumidor, isso significa mais escolha, mais transparência e maior chance de pagar menos pelo crédito que já possui.

Redação Contraponto

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