O Presente e o passado de um Analista de Dados

O primeiro episódio de 2026 do Podcast ContraPonto marcou o retorno das transmissões ao vivo com uma conversa que uniu memória, técnica e visão de futuro. O convidado foi Ivan Bessa, analista de dados com mais de 15 anos de atuação no mercado, cuja trajetória acompanha de perto a própria evolução do uso de dados nas operações de cobrança, crédito e contact center.
Ao longo do episódio, Ivan e os apresentadores revisitaram experiências profissionais que ajudam a entender por que, mesmo em um cenário dominado por novas tecnologias, fundamentos como lógica, modelagem e compreensão do negócio seguem sendo decisivos.
Da era do Excel à consolidação dos bancos de dados
Ivan iniciou sua carreira em um período em que o Excel era o principal recurso disponível para análise. Relatórios eram construídos de forma manual, com grande dependência de planilhas, fórmulas e atualizações recorrentes. A extração de dados a partir de CRMs era limitada, e transformar informação em decisão exigia esforço operacional constante.
Com o avanço das ferramentas, vieram os bancos de dados, o SQL e, posteriormente, as plataformas de visualização. Dashboards passaram a substituir relatórios estáticos, permitindo análises mais dinâmicas e acessíveis. Ainda assim, Ivan destaca que a principal mudança não esteve apenas na tecnologia, mas na forma de estruturar os dados, integrando diferentes fontes, tratando inconsistências e organizando informações antes de qualquer visualização.
Segundo ele, a automação só gera ganhos reais quando sustentada por uma base bem construída. Caso contrário, o risco é apenas acelerar erros antigos.
Técnica, hype e a falsa sensação de maturidade analítica
Um dos pontos centrais da conversa foi a diferença entre domínio técnico e adesão a modismos. Em um mercado cada vez mais atraído por termos como inteligência artificial, Python e soluções prontas, Ivan reforça que a modelagem de dados continua sendo um diferencial pouco valorizado, apesar de essencial.
A ausência de uma base sólida compromete qualquer análise, independentemente da ferramenta utilizada. Para ele, dashboards sofisticados não compensam dados mal estruturados. A maturidade analítica está menos ligada à estética e mais à coerência entre dados, contexto e objetivo de negócio.
O papel do analista de dados na tomada de decisão
Ao longo do episódio, Ivan enfatiza que o verdadeiro papel do analista não é gerar relatórios, mas apoiar decisões. Isso exige entender o que o cliente ou a operação realmente precisa saber, filtrar informações irrelevantes e traduzir dados em insights acionáveis.
Ele alerta para um erro comum: entregar grandes volumes de informação sem direcionamento claro. Dados, quando não contextualizados, aumentam a complexidade em vez de reduzir a incerteza. O analista precisa assumir uma postura ativa, questionando demandas e ajudando a formular as perguntas corretas antes de buscar respostas.
Aprendizados do passado e desafios que permanecem
Ao relembrar sistemas antigos baseados em Access, fichas manuais e processos altamente dependentes de intervenção humana, o episódio mostra que muitos desafios atuais já existiam, apenas em menor escala. A diferença é que hoje o volume de dados amplifica tanto os acertos quanto os erros.
Ivan destaca que confiar exclusivamente no julgamento humano ou em dados incompletos continua sendo uma fonte recorrente de falhas operacionais. Para ele, dados só geram valor quando alimentam um ciclo contínuo de análise, ajuste e retroalimentação do negócio.
Ferramentas atuais e responsabilidade técnica
No dia a dia, Ivan ainda utiliza Excel como apoio, aliado ao SQL e a ambientes como Jupyter Notebook. A experiência trouxe um cuidado adicional: entender o impacto de cada consulta nos sistemas produtivos. Consultas mal planejadas podem comprometer bancos de dados e afetar operações inteiras.
Essa consciência técnica, segundo ele, é parte do amadurecimento profissional. Não basta saber extrair dados; é preciso entender onde, como e quando fazê-lo.
Carreira em dados e fundamentos que não mudam
Quando o tema migra para carreira, Ivan aponta que o mercado hoje oferece mais oportunidades do que no início de sua trajetória, mas também exige maior preparo. SQL permanece como uma competência central, não por tendência, mas por ser a base sobre a qual outras ferramentas se apoiam.
Ele ressalta a importância de mentores, da prática constante e do domínio dos fundamentos. Ferramentas mudam com rapidez, mas lógica, estrutura e compreensão de negócio continuam sendo os principais diferenciais ao longo do tempo.
Inteligência artificial e os limites da automação
A inteligência artificial surge na conversa de forma pragmática. Ivan reconhece seu potencial, mas mantém uma visão cautelosa. Para ele, nenhuma tecnologia substitui a capacidade humana de entender um problema, dialogar com o cliente e desenhar soluções alinhadas à realidade operacional.
Automação acelera processos, mas não elimina a necessidade de raciocínio lógico e pensamento crítico. A tecnologia evolui, mas a essência do trabalho analítico permanece.
Legado, pessoas e dados a serviço do negócio
No encerramento, o episódio ganha um tom mais reflexivo. Ivan agradece às pessoas que fizeram parte de sua trajetória e reforça que o legado de um profissional de dados vai além de códigos e relatórios. Está na qualidade das decisões que ajudou a construir, nos times que contribuiu para formar e na informação relevante entregue a quem realmente precisa.
O episódio deixa uma mensagem clara: o presente do analista de dados carrega muito do passado. Não como apego, mas como base. Em um cenário cada vez mais tecnológico, profissionais que dominam fundamentos, respeitam processos e compreendem o fator humano continuam sendo indispensáveis.
Assista ao episódio completo
Assista ao episódio completo do Podcast ContraPonto no YouTube e acompanhe, na íntegra, a conversa com Ivan Bessa sobre a evolução do analista de dados, os aprendizados do passado e os desafios atuais da área.







