CAPA

Carreira, experiência e gestão de pessoas na prática

Da operação à liderança: lições reais sobre carreira, metas e gestão de pessoas no mercado de cobrança e crédito

No episódio 226 do Podcast ContraPonto, Pedro Felipe e Marcos Guerra conduzem uma conversa densa, franca e profundamente conectada à realidade do mercado com Rafael Crispim, executivo com trajetória construída integralmente dentro da operação. O episódio foge de discursos idealizados sobre liderança e entrega uma visão prática sobre carreira, gestão de pessoas e resultados sustentáveis, a partir de quem viveu o chão da operação por quase duas décadas.

A conversa se destaca não apenas pelo currículo do convidado, mas pela forma direta com que temas sensíveis são abordados. Ao longo de mais de duas horas, o episódio constrói um retrato realista do que significa liderar pessoas em ambientes de alta pressão, especialmente no setor de cobrança e crédito.

Uma carreira construída de dentro para fora

Rafael Crispim inicia sua trajetória profissional muito cedo. Aos 14 anos já trabalhava em uma empresa familiar e, aos 18, entrou oficialmente no mercado de cobrança passando fax em uma PA. A partir desse ponto, construiu uma carreira longa e consistente dentro da mesma organização, passando por funções operacionais, backoffice, liderança, supervisão, coordenação, gerência, superintendência e, por fim, diretoria de operações.

O relato deixa claro que sua formação não veio apenas da academia, mas principalmente da vivência diária. Mesmo cursando Educação Física e conciliando trabalho integral com estudos, foi dentro da operação que ele aprendeu sobre pessoas, processos, pressão por resultado e tomada de decisão. Segundo ele, a ausência de processos estruturados no início da carreira exigia adaptação constante, criatividade e responsabilidade muito acima do cargo formal.

Liderar pessoas é ganhar respeito, não impor autoridade

Um dos pontos centrais do episódio é a transição de Rafael da área de backoffice para a liderança direta de pessoas. Ao assumir um time com dez operadores, o maior desafio não foi técnico, mas relacional. Ele relata que nunca acreditou em liderança baseada em imposição, medo ou hierarquia rígida.

Ao contrário, sua referência vinha de líderes que o trataram com respeito e clareza. Essa experiência moldou sua forma de liderar, priorizando diálogo, exemplo e coerência entre discurso e prática. Para Rafael, autoridade real nasce da confiança construída no dia a dia e da capacidade do líder de assumir responsabilidades junto com o time.

Métricas e o risco de desumanizar a gestão

Durante o episódio, Pedro Felipe e Marcos Guerra provocam uma reflexão importante sobre o uso excessivo de indicadores e classificações como quartis. Rafael aponta que métricas são necessárias, mas perigosas quando usadas de forma automática e sem análise de contexto.

Ele critica a prática de descartar profissionais considerados de baixo desempenho sem antes testá-los, desenvolvê-los ou entender as razões por trás dos números. Muitas vezes, segundo ele, o problema não está na pessoa, mas na estratégia, na carteira, na abordagem ou na falta de atenção da liderança. Gestão de pessoas, nesse sentido, exige leitura humana e não apenas leitura de planilha.

Comunicação clara como ferramenta de gestão

Outro destaque do episódio é a forma como Rafael sempre tratou a comunicação dentro das operações. Ele relata práticas simples, mas altamente eficazes, como anunciar resultados em tempo real, comemorar conquistas coletivas e garantir que os objetivos da empresa fossem compreendidos por todos, do diretor ao operador.

Para ele, a comunicação precisa ser constante, clara e sem ruídos. Quando a operação entende o porquê das metas e se sente parte do resultado, o engajamento acontece de forma natural. A falta de comunicação, por outro lado, cria desconfiança, desmotivação e queda de performance.

Feedback, escuta e ambiente emocional

Rafael é direto ao afirmar que o mercado fala muito sobre ouvir o operador, mas pouco sobre ouvir o gestor. No episódio, ele defende que feedback precisa ser uma via de mão dupla. Operadores precisam ser ouvidos, sim, mas líderes também precisam de espaço para falar sobre limitações, pressões e desafios reais da operação.

Esse equilíbrio, segundo ele, é o que constrói um ambiente emocionalmente saudável. Ambientes pesados, baseados em medo ou punição, até podem gerar resultado no curto prazo, mas não se sustentam. Um ambiente leve, transparente e respeitoso, ao contrário do que muitos acreditam, é um dos maiores aceleradores de performance.

Operação pulsando é estratégia viva

Ao longo da conversa, Rafael defende a importância de sentir a operação no dia a dia. Embora reconheça o valor do home office em determinados contextos, ele acredita que a presença física permite perceber sinais que nenhum relatório mostra. Para ele, quando a operação não fala, não pulsa, algo está errado.

Essa visão se reflete também na relação entre planejamento e operação. Rafael critica modelos em que o planejamento fica isolado, distante da execução. Em sua experiência, as melhores decisões surgem quando planejamento e operação estão próximos, trocando informações em tempo real e ajustando estratégias com base no que acontece na linha de frente.

Resultado não pode ser construído a qualquer custo

Nos momentos finais do episódio, a conversa ganha um tom mais reflexivo. Rafael fala sobre limites, saúde, família e a importância de usufruir o que se constrói ao longo da carreira. Para ele, resultado é fundamental, mas não pode ser alcançado sacrificando tudo o que sustenta a própria trajetória.

A mensagem final reforça que liderança madura entende que performance, clima organizacional e vida pessoal estão conectados. Ignorar isso é criar resultados frágeis, que não resistem ao tempo.

O episódio 226 do Podcast ContraPonto se consolida como um conteúdo relevante para gestores, líderes e profissionais que buscam uma visão menos idealizada e mais honesta sobre carreira e gestão de pessoas. A conversa conduzida por Pedro Felipe e Marcos Guerra, com a participação de Rafael Crispim, entrega exatamente o que o mercado mais carece: verdade prática, sem romantização e sem atalhos fáceis. Assista:

Redação Contraponto

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