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Bancos lucram mais com juros altos, mas mantêm freio no crédito em 2026

Estratégia prioriza rentabilidade, seletividade e proteção contra inadimplência

O sistema bancário brasileiro teve desempenho financeiro robusto em 2025, impulsionado por juros elevados e margens de lucro ampliadas. Ao mesmo tempo, os principais bancos privados adotaram uma postura mais cautelosa na oferta de crédito, reforçando provisões contra inadimplência e priorizando qualidade de ativos. Essa tendência deve continuar ao longo de 2026, com foco em rentabilidade sustentável e controle de risco.

Segundo levantamento recente, os três maiores bancos privados do Brasil – Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil – registraram lucro líquido gerencial acumulado de R$ 87,1 bilhões em 2025, um crescimento de 16,4% sobre o resultado de 2024.

Itaú lidera lucro e rentabilidade

O Itaú destacou-se entre os grandes bancos ao registrar lucro de R$ 46,8 bilhões em 2025, alta de 13,2%, resultado impulsionado por uma estratégia mais conservadora na concessão de crédito. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado foi de 23,4%, refletindo solidez na gestão de risco e eficiência operacional mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

O forte desempenho do Itaú, maior banco privado do país por ativos e receita, ajuda a explicar a liderança da instituição no sistema financeiro nacional.

Bradesco cresce acima da média do setor

O Bradesco também apresentou resultados expressivos, com lucro líquido de R$ 24,6 bilhões em 2025 – um aumento de 26,1% em relação ao ano anterior. A rentabilidade medida pelo ROE saltou de 11,7% em 2024 para 14,8% em 2025, indicando melhora na alocação de capital e gestão de crédito.

No quarto trimestre de 2025, o Bradesco reportou lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões, um crescimento de 20,6% anualizado, enquanto sua carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,089 trilhão, alta de 11% frente ao mesmo período do ano anterior.

Santander segue desempenho estável

O Santander Brasil teve um crescimento mais moderado, com lucro de R$ 15,6 bilhões em 2025, um avanço de 12,6% em relação a 2024. O ROE da instituição manteve-se estável em torno de 17,6%, ainda assim em um patamar competitivo entre os grandes.

Por que o lucro cresceu mesmo com crédito mais contido

O cenário de juros elevados tornou a Selic uma das maiores em quase duas décadas, o que pressionou os custos de crédito, mas também ampliou significativamente o spread bancário – a diferença entre o que os bancos pagam por recursos e o que cobram nos empréstimos. Esse efeito elevou a receita de juros líquidos, principal componente de lucro das instituições.

Nesse contexto, mesmo com redução ou desaceleração no ritmo de oferta de crédito, os bancos conseguiram ampliar receitas. A carteira de crédito cresceu de forma mais seletiva, com foco em segmentos menos arriscados e em operações com garantias mais sólidas.

Inadimplência e provisões

A inadimplência continua sob atenção dos bancos, embora alguns resultados mostrem estabilidade ou leve melhoria. Por exemplo, apenas o Itaú conseguiu reduzir a taxa de inadimplência acima de 90 dias de 2,0% para 1,9% ao longo de 2025, sinalizando boa gestão de risco apesar do cenário econômico adverso.

Além disso, o reforço de provisões para perdas com crédito foi prioridade em 2025, com os bancos ampliando colchões financeiros para enfrentar aumentos pontuais nos atrasos, especialmente em segmentos mais sensíveis como pequenas e médias empresas.

Oferta de crédito mais seletiva

Embora as carteiras de crédito tenham continuado a crescer em 2025, o ritmo foi moderado e desigual entre as instituições. De modo geral, a concessão de novos empréstimos avançou mais em segmentos considerados de menor risco, enquanto linhas mais arriscadas sofreram restrições ou foram avaliadas com maior rigor.

Esse ajuste reflete a estratégia de proteger a qualidade da carteira e evitar deterioração em ciclos de maior endividamento e juros altos.

Perspectivas para 2026

Os grandes bancos do país entram em 2026 com balanços reforçados, provisões robustas e estratégia de crédito cautelosa. A expectativa do mercado é que as instituições continuem priorizando a rentabilidade sobre a expansão agressiva de crédito, mantendo foco em eficiência operacional e controle de risco.

O ambiente econômico também influenciará esse comportamento: para retomar oferta mais ampla de crédito, é possível que o cenário de juros precise evoluir para taxas mais favoráveis, reduzindo custos de captação e risco de inadimplência.

Impactos para consumidores e empresas

Para pessoas físicas e jurídicas que dependem de crédito para consumo ou investimentos, a estratégia dos bancos pode significar condições mais restritivas de acesso no curto prazo, com exigência de histórico financeiro sólido e garantias robustas.

Ao mesmo tempo, a postura mais conservadora contribui para a estabilidade do sistema financeiro e reduz a probabilidade de crises de crédito, o que beneficia o conjunto da economia no médio prazo.

Redação Contraponto

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