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Viagem aérea com pets, regras, documentos e procedimentos

O que você precisa saber antes de viajar com seu pet no Brasil ou no exterior, com orientações práticas de quem já transportou milhares de animais pelo mundo

Viajar com pets deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de muitos tutores. Mudanças de país, viagens longas ou mesmo deslocamentos nacionais levantam uma série de dúvidas que vão muito além da compra da passagem. Documentação, regras sanitárias, adaptação do animal e responsabilidade das companhias aéreas são pontos críticos que ainda geram confusão e insegurança.

No episódio Jornada do Cliente 13 do Podcast ContraPonto, Bianca Marques e Alessandra Bonini recebem Juliana Stephani, veterinária, fundadora e CEO da PETFriendly Turismo, empresa pioneira no Brasil especializada em viagens nacionais e internacionais com animais de estimação. O episódio aprofunda o tema com uma abordagem prática, humana e baseada em experiência real.

A origem de uma empresa que nasceu da dor do tutor

Juliana Stephani construiu sua trajetória profissional unindo duas paixões: animais e viagens. Veterinária de formação, ela viveu e trabalhou fora do Brasil por anos, passando por países como Espanha, Canadá e Estados Unidos. Durante esse período, enfrentou um problema comum a muitos tutores: a falta de informação e suporte para viajar com seu cachorro, Thor.

Mesmo desejando levá-lo consigo, Juliana não encontrou orientações claras sobre regras, documentos e riscos. O medo de colocar o animal em perigo e a ausência de empresas especializadas fizeram com que Thor permanecesse no Brasil durante anos. Essa experiência de afastamento, somada à solidão de viver em outro país sem o seu pet, foi determinante para a criação da PETFriendly Turismo.

De volta ao Brasil, em janeiro de 2015, Juliana fundou a empresa com um propósito claro: organizar informações, estruturar processos e permitir que outros tutores não passassem pela mesma dor. Hoje, a PETFriendly conta com cerca de 30 colaboradores e já realizou mais de 7 mil transportes de animais para diversos países.

Viajar com pets exige planejamento e responsabilidade

Um dos pontos mais reforçados ao longo da conversa é que viajar com pets não pode ser tratado como algo improvisado. Não se trata apenas de comprar uma passagem ou escolher entre cabine e porão. Cada meio de transporte envolve regras específicas, e cada país estabelece exigências próprias.

Mesmo em deslocamentos simples dentro do Brasil, existem cuidados básicos que muitos tutores ignoram. No transporte de carro, por exemplo, o animal não pode estar solto, nem com a cabeça para fora da janela. O uso de peitoral com cinto de segurança não é apenas uma recomendação, mas uma medida essencial de segurança tanto para o pet quanto para o motorista e terceiros.

Em viagens rodoviárias, normalmente apenas animais pequenos são permitidos, sempre dentro de caixas ou bolsas apropriadas. Já no transporte aéreo, as regras variam conforme o porte do animal, o tipo de aeronave e as normas da companhia aérea, podendo envolver cabine ou porão com controle de temperatura e ventilação.

Documentação não é detalhe, é o centro do processo

Um dos maiores erros dos tutores é subestimar a documentação. Juliana explica que, em muitos casos, não é possível viajar simplesmente porque um prazo não foi respeitado. Vacina antirrábica, por exemplo, precisa obedecer a janelas específicas. Se estiver próxima do vencimento ou se tiver sido aplicada há pouco tempo, a viagem pode ser automaticamente inviabilizada.

Em viagens internacionais, a complexidade aumenta. Alguns países exigem exames como a sorologia da raiva, períodos de espera obrigatórios e até quarentena em países intermediários antes da entrada no destino final. Cada país tem suas próprias regras, que podem mudar conforme o local de origem do animal.

Não existe padrão universal. Entrar nos Estados Unidos vindo do Brasil é diferente de entrar pelo México. Países europeus têm protocolos rígidos, e destinos como Austrália e Japão exigem planejamento com muitos meses de antecedência.

A importância da adaptação do pet à caixa de transporte

Outro ponto central do episódio é o preparo emocional e comportamental do animal. A caixa de transporte não deve ser apresentada apenas no dia da viagem. Juliana destaca que a adaptação prévia é fundamental para reduzir o estresse e evitar intercorrências durante o trajeto.

A recomendação é que a caixa faça parte da rotina do pet, funcionando como um espaço seguro e familiar. Treinos progressivos, uso de cobertores, caminhas e estímulos positivos ajudam o animal a associar aquele ambiente a conforto e segurança. Isso vale tanto para viagens na cabine quanto no porão.

Pets viajando sozinhos e o conceito de carga viva

O episódio também esclarece uma dúvida comum: pets podem viajar desacompanhados. Sim, isso é possível e recebe o nome de carga viva. Nesse modelo, o animal é transportado sem o tutor, seguindo protocolos específicos de segurança e documentação.

Esse tipo de transporte é comum em mudanças definitivas, reencontros familiares ou quando o tutor não consegue acompanhar o pet na mesma data. Ainda assim, exige planejamento rigoroso e acompanhamento profissional.

Companhias aéreas, legislação e os limites do sistema atual

Bianca Marques e Alessandra Bonini conduzem uma parte importante da conversa sobre a responsabilidade das companhias aéreas. Juliana é direta ao afirmar que o medo dos tutores não está no porão em si, mas na falta de confiança de que o animal será bem cuidado durante escalas, atrasos ou mudanças operacionais.

Casos amplamente divulgados, como o de animais que passaram horas em pista sob altas temperaturas, reforçam a necessidade de protocolos mais claros, fiscalização e presença de profissionais capacitados. O episódio também aborda a discussão sobre legislação, cães de serviço, apoio emocional e os limites legais atuais no Brasil e no exterior.

Experiência do cliente vai além da documentação

Um dos pontos mais fortes da conversa é a conexão entre experiência do cliente e cuidado genuíno. Entregar documentos corretos é o básico. O que diferencia um serviço é a forma como o tutor é acolhido, informado e orientado durante todo o processo.

Juliana reforça que está lidando com membros da família, não com cargas comuns. A insegurança emocional do tutor precisa ser considerada, e falhas devem ser corrigidas com transparência. Essa visão é parte central da cultura da PETFriendly Turismo e explica a confiança construída ao longo dos anos.

Uma conversa que une informação, propósito e responsabilidade

O episódio deixa claro que viajar com pets é possível, seguro e cada vez mais comum, desde que feito com informação, planejamento e respeito às regras. A jornada exige tempo, investimento e, principalmente, consciência de que o bem-estar do animal vem sempre em primeiro lugar.

A conversa conduzida por Bianca Marques e Alessandra Bonini com Juliana Stephani não apenas esclarece dúvidas práticas, mas também traz uma reflexão mais profunda sobre responsabilidade, cuidado e empatia na relação entre tutores, empresas e o mercado de transporte aéreo.

Quer entender todos os detalhes direto de quem vive isso na prática?

Assista ao episódio completo do Podcast ContraPonto Jornada do Cliente 13 e aprofunde seu entendimento sobre viagem aérea com pets, regras, documentos e cuidados essenciais.

Redação Contraponto

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