Liquidação do Will Bank: o que muda para clientes, investimentos, Pix e cartão de crédito
Entenda como a decisão do Banco Central afeta contas, pagamentos e aplicações após o fim das operações do banco digital

A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), marca o encerramento definitivo das atividades do banco digital e levanta dúvidas imediatas entre clientes que mantinham dinheiro em conta, investimentos, cartão de crédito e Pix vinculados à instituição.
A medida ocorre após o agravamento da situação financeira da Will Financeira, controlada pelo Banco Master, e representa uma intervenção mais severa do regulador, adotada quando não há mais viabilidade de continuidade das operações.
O que acontece com o dinheiro em conta e os investimentos
Com a decretação da liquidação extrajudicial, as contas dos clientes são bloqueadas para novas movimentações. Isso significa que saques, transferências e pagamentos deixam de ser permitidos a partir da data da intervenção.
Os valores mantidos em conta corrente, contas de pagamento ou aplicações passam a integrar o processo de liquidação, no qual será feito o levantamento dos ativos e passivos da instituição. A partir desse mapeamento, os clientes entram na condição de credores do banco.
No caso de investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como CDBs, por exemplo, o cliente tem direito ao ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, respeitando o limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. O pagamento costuma ocorrer após a validação das informações pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.
Pix é interrompido e chaves deixam de funcionar
As operações via Pix são imediatamente suspensas. As chaves cadastradas no Will Bank deixam de funcionar, e o cliente não consegue mais receber ou enviar transferências pela instituição.
Na prática, quem utilizava o Will Bank como conta principal para Pix precisa cadastrar novas chaves em outro banco ou instituição de pagamento, evitando interrupções no recebimento de salários, transferências recorrentes ou pagamentos pessoais.
O Banco Central reforça que o bloqueio do Pix é uma medida padrão em processos de liquidação, justamente para evitar saída desordenada de recursos e preservar a igualdade entre credores.
Cartão de crédito é cancelado automaticamente
Outro impacto direto recai sobre os cartões de crédito emitidos pelo Will Bank. Com a liquidação, os cartões são cancelados, e novas compras deixam de ser autorizadas.
Compras já realizadas entram no processo normal de apuração de débitos. Caso o cliente tenha valores a pagar, esses débitos ainda poderão ser cobrados no âmbito do processo de liquidação, enquanto eventuais limites disponíveis deixam de existir.
Especialistas alertam que é importante o cliente acompanhar comunicações oficiais do liquidante, pois faturas em aberto e eventuais cobranças passam a seguir regras específicas durante a liquidação.
O que o cliente deve fazer agora
O primeiro passo é acompanhar os comunicados oficiais do Banco Central e do liquidante nomeado, que será responsável por divulgar orientações sobre prazos, ressarcimentos e habilitação de créditos.
Também é recomendável:
- organizar comprovantes de saldo e investimentos
- migrar pagamentos recorrentes e chaves Pix para outra instituição
- evitar intermediações informais ou promessas de “liberação rápida” de valores
Todo o processo ocorre sob supervisão do Banco Central e segue ritos legais definidos para instituições financeiras em liquidação.
Um alerta para clientes de bancos digitais
O caso do Will Bank reforça a importância de atenção redobrada ao modelo de negócios das instituições financeiras, especialmente aquelas que crescem rapidamente oferecendo produtos com condições fora da média de mercado.
Embora o sistema financeiro brasileiro conte com mecanismos de proteção, como o FGC e a atuação do Banco Central, situações como essa mostram que gestão de risco, governança e liquidez continuam sendo fatores decisivos para a segurança do cliente.






