Febraban projeta retração de 0,2% na carteira de crédito em janeiro

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou a sua Pesquisa Especial de Crédito, projetando uma retração de 0,2% na carteira de crédito no mês de janeiro. Esse desempenho reflete a combinação de fatores sazonais e econômicos que impactam o mercado de crédito, especialmente no início do ano. Embora o número de retração no mês seja pequeno, a pesquisa destaca que o ritmo de expansão anual da carteira deve se manter estável em 10,9%.
Impactos sazonais nas empresas
O crédito às empresas, ou carteira Pessoa Jurídica, foi o principal segmento afetado pela retração no mês de janeiro. O saldo das linhas de crédito direcionadas a empresas, como o desconto de duplicatas e a antecipação de faturas de cartão, costuma ser afetado por fatores sazonais no início do ano, como o menor movimento do comércio. Além disso, a recente apreciação do câmbio também contribui para a retração, especialmente nas linhas de crédito externas.
No entanto, nem todos os aspectos do crédito corporativo foram prejudicados. A carteira Pessoa Jurídica direcionada, que inclui programas públicos de crédito e linhas com recursos do BNDES, deverá crescer 0,6%, impulsionando o ritmo de expansão anual da carteira de 9,1% para 9,5%.
Crédito às famílias
Em relação ao crédito pessoal, a carteira Pessoa Física também apresentou um desempenho positivo, com um crescimento de 0,8% em janeiro. A carteira livre, que inclui linhas como o crédito rotativo, apresentou um aumento de 0,9%. Esse crescimento é impulsionado pelo uso maior das linhas de crédito mais flexíveis, típicas deste período do ano.
No entanto, algumas linhas, como o cartão de crédito à vista, tendem a sofrer uma desaceleração devido ao menor volume de consumo no início do ano. A carteira Pessoa Física Direcionada, que inclui o crédito rural, teve um crescimento modesto de 0,6%. Como resultado, o ritmo de expansão anual do crédito às famílias deverá desacelerar, passando de 12,1% para 11,7%.
A retração das concessões de crédito
As concessões de crédito também apresentaram uma retração significativa de 11,9% em janeiro, em comparação com dezembro de 2024. Ajustando pela quantidade de dias úteis, a queda é ainda mais acentuada, alcançando 15,9%. Esse desempenho é explicado pela alta base de comparação com o mês anterior, que contou com um aumento nas concessões devido ao período de festas de fim de ano.
No entanto, quando comparado com janeiro de 2024, o volume de concessões deverá ser superior, com um crescimento de 13,2%, mesmo após correção pela inflação. Esse crescimento será impulsionado tanto pela Pessoa Física (+7,4%) quanto pela Pessoa Jurídica (+21,4%). As concessões de crédito livre devem crescer 13,5%, enquanto as concessões direcionadas, como as voltadas para o crédito rural e para programas públicos, devem avançar 10%.
Perspectivas para o futuro do crédito
Rubens Sardenberg, diretor de Economia da Febraban, destaca que a retração do crédito no primeiro mês do ano é um movimento esperado e influenciado pela sazonalidade. No entanto, ele alerta para o fato de que, quando ajustados os efeitos sazonais, os dados indicam que o crédito deve seguir com um ritmo de crescimento em 2025, embora com sinais de desaceleração, principalmente nas linhas de crédito mais sensíveis ao ciclo econômico, que são impactadas pela inflação e pelos juros mais elevados.
Outro ponto de atenção apontado na pesquisa é o aumento da participação das linhas de crédito mais arriscadas na carteira, o que pode ser um sinal de alerta para a qualidade do crédito concedido.
Apesar da retração no mês de janeiro, o cenário para o crédito em 2025 permanece positivo, com previsões de crescimento contínuo, especialmente para o crédito à pessoa jurídica e as linhas direcionadas. A expansão mais moderada nas linhas de crédito pessoal e a necessidade de monitoramento das concessões de crédito mais arriscadas são aspectos importantes a serem observados nos próximos meses.