Consignado vira campeão de reclamações e acende alerta sobre abuso de crédito em Minas Gerais
Alta de denúncias no Procon expõe falhas na concessão de empréstimos, fragilidade na proteção ao idoso e avanço de golpes financeiros

O crédito consignado, historicamente apresentado como uma alternativa segura e com juros mais baixos, tornou-se em 2025 o principal motivo de reclamações registradas no Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O dado não apenas revela problemas operacionais no mercado de crédito, como também evidencia um cenário preocupante de abusos, falhas de informação e crescimento de golpes financeiros, especialmente contra idosos.
Ao longo do ano, o Procon da ALMG recebeu 2.827 reclamações. Deste total, 206 envolveram diretamente o empréstimo consignado. Quando somadas às queixas relacionadas a empréstimos pessoais, o crédito responde por mais de 11% de todas as denúncias, consolidando-se como um dos principais focos de conflito entre consumidores e instituições financeiras.
Cartão de crédito e descontos indevidos completam o ranking
Na sequência do consignado, os problemas com cartão de crédito aparecem como o segundo maior motivo de reclamações, concentrando quase 7% dos registros. Em terceiro lugar estão as associações de aposentados, frequentemente denunciadas por descontos não autorizados em benefícios previdenciários.
O ranking geral mostra que os conflitos vão além de produtos financeiros isolados. Setores como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e pacotes combinados de serviços também figuram entre os mais reclamados, indicando um padrão recorrente de descumprimento contratual e práticas abusivas nas relações de consumo.
Cobrança indevida lidera as queixas dos consumidores
Mais de 40% das reclamações registradas em 2025 tiveram como principal causa a cobrança indevida ou abusiva. Entre os problemas mais comuns estão débitos não reconhecidos, serviços ou seguros embutidos sem autorização, parcelamentos automáticos e contratos pouco claros ou mal explicados.
Também tiveram destaque as denúncias relacionadas a fraudes, atraso ou não entrega de produtos e falhas no cumprimento de acordos firmados com os consumidores.
Bancos e concessionárias estão entre os mais reclamados
No recorte por empresas, instituições financeiras e prestadoras de serviços essenciais lideram o número de registros no Procon. Bancos especializados em crédito consignado aparecem ao lado de operadoras de telefonia e concessionárias públicas, reforçando que o problema não está restrito a um único segmento, mas a uma relação de consumo marcada por baixa transparência e comunicação falha.
Idosos são os principais alvos de golpes financeiros
Além das reclamações formais, o Procon da Assembleia identificou aumento significativo na procura de consumidores, principalmente idosos, para relatar golpes financeiros. Em muitos casos, criminosos se passam por funcionários de bancos ou órgãos públicos para obter dados pessoais e contratar empréstimos de forma fraudulenta.
Essas ocorrências ultrapassam a esfera administrativa e são encaminhadas à Delegacia de Defesa do Consumidor para apuração criminal. Especialistas alertam que a vulnerabilidade digital, aliada à pressão financeira e à oferta agressiva de crédito, cria um ambiente propício para fraudes cada vez mais sofisticadas.
Uso do cartão de crédito exige planejamento e controle
Entidades do setor financeiro reforçam que o cartão de crédito, quando utilizado sem planejamento, pode se transformar rapidamente em um fator de endividamento. O pagamento apenas do valor mínimo da fatura, por exemplo, leva o consumidor ao crédito rotativo, uma das linhas mais caras do mercado.
Conferir a fatura mensalmente, não compartilhar senhas, guardar comprovantes de compras e comunicar imediatamente qualquer despesa não reconhecida são medidas essenciais para evitar prejuízos.
Empréstimo consignado exige atenção antes da contratação
No caso do crédito consignado, os cuidados devem ser ainda maiores. A facilidade de contratação e o desconto automático em folha não eliminam riscos e podem, inclusive, mascarar problemas.
Antes de contratar, é fundamental pesquisar taxas de juros, analisar o contrato com atenção, desconfiar de ofertas excessivamente vantajosas, evitar acordos verbais e jamais fornecer senhas ou dados pessoais a terceiros. Golpes envolvendo contratos inexistentes, mensagens falsas e promessas de limpeza do nome continuam entre os mais recorrentes.
Informação e acompanhamento são as melhores formas de prevenção
A recomendação dos órgãos de defesa do consumidor é clara. Acompanhar regularmente extratos bancários, contracheques e registros no Meu INSS reduz significativamente o risco de prejuízos prolongados. Em caso de suspeita de irregularidade, registrar boletim de ocorrência e procurar o Procon pode evitar danos maiores.
O aumento das reclamações em 2025 mostra que o problema não está apenas no comportamento do consumidor, mas em um modelo de oferta de crédito que precisa ser revisto, com mais transparência, educação financeira e responsabilidade por parte das instituições.






