CAPACrédito e Cobrança

Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank após colapso do conglomerado Master

Decisão ocorre após descumprimento operacional e reforça alerta sobre riscos de modelos financeiros agressivos

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida no mercado como Will Bank. A instituição era controlada pelo Banco Master e integrava o conglomerado financeiro que vinha sendo acompanhado de perto pela autoridade monetária desde 2023.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (21) e marca o encerramento de uma tentativa de preservar a operação da financeira por meio do Regime Especial de Administração Temporária (RAET), imposto após a liquidação do próprio Banco Master, em novembro de 2025.

Por que o Banco Central optou pela liquidação

Segundo o Banco Central, a manutenção da Will Financeira sob regime especial deixou de ser viável após a constatação de problemas operacionais graves. No dia 19 de janeiro, a instituição descumpriu a grade de pagamentos do arranjo Mastercard Brasil, o que resultou no bloqueio de sua participação no sistema de pagamentos.

Esse episódio evidenciou o comprometimento da situação econômico-financeira da empresa, além da sua insolvência, levando o BC a considerar a liquidação como inevitável. A autoridade monetária também destacou o vínculo direto de interesse com o Banco Master, controlador da financeira, como fator determinante para a decisão.

Medidas adotadas com a liquidação extrajudicial

Entre as medidas previstas, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da Will Financeira. A instituição fazia parte de um conglomerado que, embora relativamente pequeno em termos sistêmicos — com 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional —, apresentava riscos relevantes devido ao seu modelo de atuação.

Na avaliação do BC, a imposição inicial do RAET buscava preservar o funcionamento da Will Financeira, mas a deterioração das condições financeiras tornou essa alternativa incompatível com o interesse público.

Entenda o colapso do Banco Master

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master cresceu rapidamente ao oferecer CDBs com rentabilidade muito acima da média do mercado, atraindo investidores em busca de retornos elevados. Para sustentar esse crescimento, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente o balanço.

Relatórios do Banco Central e investigações da Polícia Federal indicam que o problema foi além de uma crise financeira. O colapso do Master revelou falhas institucionais, fragilidades de governança e práticas que comprometeram a liquidez real da instituição.

Triangulações bilionárias e fundos sob suspeita

Entre 2023 e 2024, o Banco Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de operações de triangulação. O esquema envolvia empréstimos a empresas supostamente de fachada, que direcionavam os recursos para fundos da Reag Investimentos.

Esses fundos, por sua vez, adquiriam ativos de baixo ou nenhum valor econômico, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados. O Banco Central identificou seis fundos suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões, em operações que circulavam entre veículos ligados aos mesmos intermediários até alcançar os beneficiários finais.

Impactos para o mercado e investidores

Embora o conglomerado não tivesse peso sistêmico elevado, o caso gerou impacto significativo na confiança do mercado, especialmente entre investidores de renda fixa que buscavam retornos fora do padrão tradicional. O episódio reforça o papel do Banco Central na atuação preventiva e corretiva para preservar a estabilidade do sistema financeiro.

A liquidação da Will Financeira encerra mais um capítulo de um dos casos mais complexos do setor bancário recente, com desdobramentos que ainda devem avançar no campo regulatório e judicial.

Redação Contraponto

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