
No Rio de Janeiro, uma operação policial fechou mais um desses infames “escritórios do crime”, que nada mais são do que verdadeiros call centers do estelionato. Dessa vez, o alvo era aposentados e pensionistas. Com acesso indevido aos dados pessoais das vítimas, obtidos sabe-se lá por quais vazamentos, os criminosos seguiam um script bem ensaiado: ligavam, se passavam por funcionários de bancos ou financeiras e inventavam dívidas fantasmas.
O susto era o gatilho para a vítima cair na conversa e fazer o pagamento diretamente para a conta dos golpistas. Não era um “bando amador”. Segundo a polícia, todos os 50 envolvidos sabiam exatamente o que estavam fazendo, treinados como se fossem uma equipe de telemarketing. Tinham metas impostas, seguiam indicadores e operavam como uma empresa, só que do lado sombrio da força, faturando mais de R$ 4 milhões por mês.
Mas esse tipo de fraude está longe de ser o único praticado por essas quadrilhas.
Outros golpes típicos dos escritórios do crime
Golpe do empréstimo consignado falso: Ligam dizendo que a vítima tem um valor de empréstimo aprovado ou que precisa confirmar dados para evitar uma cobrança. Na verdade, estão contratando empréstimos em nome da pessoa sem ela saber — e embolsando o dinheiro.
Golpe da revisão de benefício: Se passam por advogados ou consultores e oferecem uma revisão do benefício do INSS. Cobram uma “taxa de processo” e somem depois do pagamento.
Golpe do alívio de dívida ou quitação antecipada: Prometem quitar a dívida da vítima com desconto se ela pagar uma taxa antecipada. Resultado: a dívida continua e o dinheiro vai para o bolso da quadrilha.
Golpe do falso alívio no score: Oferecem “melhoria de score” ou renegociação com bancos, mas cobram taxas por um serviço que nunca existiu.
Golpe via WhatsApp com Deepfake de voz: Já tem quadrilha clonando vozes de filhos ou parentes da vítima para pedir dinheiro via mensagem de voz. A inteligência artificial virou ferramenta do crime.
Esses grupos operam com rotinas, metas, fichas de cliente, monitoramento e até “motivação de equipe”. Só que tudo voltado à fraude. E o mais perigoso? Muitos se passam por empresas legítimas, com sites, CNPJs e contratos. É o estelionato 5.0.
Como se proteger?
- Desconfie de ligações pedindo dinheiro, mesmo que pareçam ser do banco. Sempre confirme diretamente com a instituição, usando os canais oficiais.
- Nunca forneça dados pessoais ou bancários por telefone.
- Tenha antivírus e cuidado com links estranhos.
- Denuncie tentativas de golpe ao banco e à polícia.
Essas quadrilhas não estão de brincadeira. Elas operam como empresas, mas são fábricas de fraude. Informação e desconfiança são nossas melhores defesas.