
Em 2024, os três maiores bancos privados do Brasil – Itaú, Bradesco e Santander – apresentaram lucros extraordinários, que somaram R$ 74,8 bilhões, um aumento de 31% em relação ao ano anterior. Esse crescimento está diretamente ligado à elevação da taxa Selic, que impactou as operações bancárias de forma significativa. Neste artigo, vamos entender como esse fenômeno se deu e quais as implicações para o mercado financeiro e os consumidores.
Como a alta da Selic beneficiou os bancos
O aumento da taxa básica de juros, a Selic, foi um dos principais fatores que impulsionaram os lucros dos bancos em 2024. Quando a Selic sobe, os bancos têm a oportunidade de lucrar mais com as operações de crédito e investimentos. A taxa subiu de 10,5% para 12,25% ao ano de setembro a dezembro de 2024, e já está em 13,25% no início de 2025. Isso resultou em uma melhoria nos resultados financeiros das principais instituições bancárias.
No caso do Itaú, o lucro líquido de R$ 41,8 bilhões foi três vezes maior do que o orçamento do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) para 2025, que é de R$ 12,6 bilhões. Já o Bradesco e o Santander também viram seus lucros aumentarem substancialmente: 20% para o primeiro (R$ 19,6 bilhões) e 47,8% para o segundo (R$ 13,8 bilhões).
Como os bancos lucram com a alta da Selic
Os bancos obtêm ganhos com a elevação da Selic de várias maneiras. A primeira está nas operações compromissadas, em que os bancos compram títulos da dívida pública com a promessa de recompra pelo Tesouro Nacional. Com o aumento da Selic, esses títulos ficam mais atraentes, pois a correção é feita pela própria taxa de juros, tornando a operação mais lucrativa em prazos curtos de dois a três dias.
Além disso, o crédito rotativo, amplamente utilizado pelos brasileiros, também contribui para o aumento dos lucros dos bancos. Em empréstimos como o cheque especial e o parcelamento de cartão de crédito, as taxas de juros são automaticamente ajustadas conforme a Selic sobe, resultando em ganhos instantâneos para as instituições financeiras.
Crescimento econômico e lucros bancários
Além da alta dos juros, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, estimado em mais de 3% em 2024, também impulsionou os lucros dos bancos. Com mais pessoas comprando bens e contratando financiamentos, as instituições financeiras tiveram um aumento nas suas operações de crédito. Isso contribuiu para o aumento do lucro das maiores instituições bancárias do país, criando um cenário favorável para os bancos.
VOCÊ VIU ISTO? A estratégia conservadora do Bradesco em 2025
Entretanto, vale destacar que os bancos brasileiros têm um histórico de lucrar tanto em períodos de crescimento econômico quanto em recessões. Durante a recessão, quando os consumidores precisavam de crédito para honrar suas dívidas, as instituições financeiras se beneficiavam do aumento das taxas de juros e da demanda por crédito, gerando altos lucros.
O impacto para os consumidores
Para os consumidores, a alta da Selic tem impactos diretos nos custos do crédito. Em um cenário de juros elevados, os financiamentos, empréstimos pessoais e até mesmo o saldo devedor do cartão de crédito ficam mais caros. Isso pode dificultar o acesso ao crédito e aumentar o endividamento das famílias, especialmente aquelas que já enfrentam dificuldades financeiras.
Embora os bancos tenham se beneficiado desse aumento, é importante que os consumidores fiquem atentos às condições de crédito e busquem alternativas, como a renegociação de dívidas, para evitar o acúmulo de juros altos.
O lucro recorde de Itaú, Bradesco e Santander em 2024 é um reflexo da alta da Selic e do crescimento da economia brasileira. Esses resultados destacam o papel crucial dos juros na saúde financeira das instituições bancárias. Para os consumidores, a recomendação é estar atento às condições de crédito e buscar estratégias que minimizem os impactos dos juros elevados. Para mais informações sobre o mercado financeiro e suas implicações, acompanhe os artigos do blog do ContraPonto.
LEIA TAMBÉM: O crescimento do mercado de cessão de crédito no Brasil