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Inadimplência cai, mas endividamento cresce: o que isso significa para a economia?

A recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revelou um cenário contraditório no mercado financeiro brasileiro: enquanto o endividamento das famílias aumentou, a inadimplência apresentou uma queda significativa. Mas o que esses dados realmente significam? Vamos entender melhor.

Endividamento cresce após duas quedas consecutivas

Segundo a pesquisa, 76,4% das famílias brasileiras relataram ter algum tipo de dívida em fevereiro de 2025. Esse percentual representa um aumento de 0,3 ponto percentual em relação a janeiro. No entanto, quando comparado ao mesmo período de 2024, observa-se uma queda de 1,5 ponto percentual.

O endividamento das famílias pode englobar dívidas oriundas de cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimos pessoais, cheques pré-datados e prestações de veículos e imóveis. Esse crescimento no número de famílias endividadas pode indicar uma maior confiança no uso do crédito como ferramenta financeira.

Inadimplência apresenta queda pelo terceiro mês consecutivo

Apesar do aumento no endividamento, a inadimplência caiu pelo terceiro mês consecutivo. O percentual de famílias com dívidas em atraso foi de 28,6% em fevereiro, uma redução de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior. Além disso, o percentual de famílias que declararam não ter condição de pagar suas dívidas em atraso também caiu, chegando a 12,3%.

Segundo especialistas, essa queda na inadimplência pode estar relacionada às condições mais favoráveis de crédito, que permitem a renegociação de dívidas com juros menores. A taxa média de juros cobrados ao consumidor teve uma redução, incentivando as famílias a trocarem dívidas mais caras por novas dívidas com melhores condições.

Famílias estão optando pela Troca de Dívidas

A troca de dívidas é um fenômeno em que os consumidores buscam créditos com taxas mais baixas para quitar empréstimos anteriores, reduzindo assim o custo total do endividamento. Esse movimento é considerado positivo porque mostra que as famílias estão gerenciando melhor suas finanças, aproveitando as oportunidades do mercado para reduzir encargos financeiros.

O Banco Central também apontou um crescimento nas concessões de crédito, o que confirma essa tendência de maior procura por financiamento. Esse comportamento indica que, embora o endividamento tenha aumentado, ele está sendo utilizado de forma mais planejada e consciente.

Percepção de endividamento: o alerta para o futuro

Um ponto de atenção na pesquisa foi o aumento da percepção de endividamento. O percentual de consumidores que se consideram “muito endividados” subiu para 16,1%, o maior índice desde setembro de 2024. Paralelamente, o percentual de pessoas que afirmam não ter dívidas caiu para 23,5%.

Vale ressaltar que essa percepção é subjetiva, pois depende da maneira como cada família enxerga suas finanças. No entanto, esse dado acende um alerta para a importância da educação financeira e do planejamento orçamentário.

Expectativas para 2025: o que esperar?

As projeções indicam que o endividamento deve continuar crescendo ao longo do ano, impulsionado por uma maior confiança das famílias no uso do crédito. Contudo, a inadimplência tende a seguir em queda, desde que as taxas de juros continuem favoráveis e os consumidores mantenham um comportamento financeiro responsável.

A chave para manter um equilíbrio entre endividamento e inadimplência está na educação financeira. Buscar condições de crédito mais vantajosas, evitar comprometer grande parte da renda com dívidas e planejar os gastos são medidas essenciais para uma saúde financeira estável.

O cenário atual mostra um equilíbrio delicado entre endividamento e inadimplência. Se por um lado o endividamento aumentou, por outro a inadimplência vem diminuindo, o que indica que os consumidores estão encontrando maneiras mais inteligentes de lidar com suas finanças. O desafio é garantir que esse movimento continue de forma saudável, evitando o superendividamento e garantindo que o crédito seja um aliado, e não um problema.

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